Coco importado pode conter fungos cancerígenos
Para sindicato, coco importado contém fungos cancerígenos.
O presidente do Sindicato Nacional dos Produtores de Coco, Francisco Porto, considerou “completamente insalubres as condições de manuseio e embalagem para o coco ralado e a água de coco convertida nos países asiáticos de onde o Brasil importa esses derivados e em escala cada vez maior”. Ele questionou o fato de o Ministério da Agricultura aceitar o selo de qualidade adotado em países como a Indonésia, Malásia, Vietnã, Tailândia e Filipinas. A “extrema baixa qualidade” do coco ralado procedente daquela região do planeta “fica ainda mais patente quando já se verificou a presença de fungos cancerígenos no produto importado”, denunciou.
Francisco Porto defende que a mesma qualidade exigida dos produtores brasileiros seja adotada junto à produção dos derivados de coco asiática, inclusive com o envio de técnicos brasileiros para avaliar a qualidade e as condições de produção naqueles países. Ele enfatizou que “lá os governos subsidiam do adubo químico à manutenção da miséria”, lembrando que, em média, o salário mínimo praticado na Ásia gira em torno dos US$ 30 (cerca de R$ 100).
Segundo o presidente da entidade, “estamos defendendo não apenas o interesses dos produtores, mas, também, dos consumidores brasileiros. De acordo com ele, a Anvisa-Agência Nacional de Vigilância Sanitária alega “não ter respaldo legal para proceder à fiscalização dos subprodutos do coco” provenientes, principalmente, da Indonésia. De todo modo, conforme Porto, “o mais importante é a fiscalização externa sob responsabilidade do Ministério da Agricultura. A Anvisa fiscaliza apenas internamente”. O Ministério da Agricultura diz “não dispor de padrão oficial de classificação para o coco e seus derivados, mesmo admitindo haver amparo legal para elaborar tal padrão”, mas sob tom de intimidação à produção nacional.
No início do ano, o SindCoco encaminhou correspondência à presidente Dilma Rousseff, através do senador Umberto Costa (PT-PE). Na carta, aponta a crise vivida pelo setor e menciona o fato do governo indonésio não ter atendido aos clamores humanitários do governo brasileiro e fuzilado Marco Archer Cardoso Moreira, detido, então, pelo tráfico de drogas naquele país. Cita, ainda, “a suspensão da importação de frangos do Brasil, sem nenhum respaldo legal”.
A resposta, emitida através do MIC-Ministério das Indústria e Comércio, alega já ter adotado salvaguardas, inclusive o reajuste de 10% para 55% na alíquota da importação, mas, segundo Francisco Porto, “todos os itens apresentados eram procedentes de projetos encaminhados pelo sindicato”.
Fonte: Tribuna da Bahia. Autor: Albenísio Fonseca.

