Máquinas usadas no campo oferecem risco à audição

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Os trabalhadores que operam máquinas no campo, como tratores e colheitadeiras, estão diretamente expostos aos riscos dos ruídos excessivos. Uma pesquisa realizada pela USP (Universidade de São Paulo) indicou que cerca de dois terços desses trabalhadores tiveram perda auditiva. A deficiência foi desenvolvida em um tempo médio de três a quatro anos. Ainda segundo a pesquisa, apenas 2,9% dos trabalhadores que tiveram perda auditiva disseram usar equipamentos de proteção auditiva enquanto exerciam as suas funções.

Um outro estudo, este da Universidade Tuiuti do Paraná, realizou audiometria em trabalhadores agrícolas e concluiu que 49% deles tiveram perda auditiva – a maioria em ambos os ouvidos.

A exposição prolongada a ruídos muito altos provoca a morte das células ciliadas do ouvido. Cada célula que morre contribui para que a audição se enfraqueça. Com o passar dos anos, a perda de audição progride. Ela é irreversível, já que as células não podem ser recuperadas.

Para trabalhadores que se expõem ao ruído durante oito horas por dia, o recomendável é que o ruído não ultrapasse os 85 decibéis. O barulho do motor de um trator em funcionamento, por exemplo, ultrapassa esse limite. Além das máquinas de grande porte, os equipamentos menores, como motosserras, também são geradores de sons que causam malefícios à audição.

Porém, nem só as máquinas oferecem perigo à audição do trabalhador rural. Agrotóxicos e inseticidas, além de provocarem náuseas e vômito, também colaboram para o desenvolvimento da surdez. Apesar da demanda crescente por produtos orgânicos, os defensivos agrícolas ainda são muito comuns. Eles causam prejuízo a uma série de aspectos do organismo, como à pele e aos sistemas nervoso, cardiovascular e respiratório.

Preservando a audição no campo

Sofrer perda auditiva não é uma condição inevitável no ambiente rural. Se o som gerado pelo trator, por exemplo, ultrapassa o limite saudável, é necessário que aqueles que se expõem a ele utilizem recursos de proteção. Assim, o ruído chega ao interior do ouvido em uma intensidade menor, o que pode evitar a perda auditiva.

O protetor auricular é um EPI (equipamento de proteção individual) de grande importância nesse aspecto. Os mais simples, de inserção, podem ser encontrados em lojas de ferragens, de materiais de construção ou até em supermercados por menos de R$ 5 a unidade. No entanto, o ideal para a situação de exposição a máquinas ruidosas é o protetor do tipo concha, que garante uma proteção mais ampla e é mais fácil de ser manuseado.

Outro recurso efetivo são as cabines com isolamento acústico, que podem ser instaladas nas máquinas agrícolas para proteger o operador dos sons altos produzidos pelo motor. A cabine é feita de materiais adequados para reduzir a passagem das vibrações acústicas. Dentro dela, o trabalhador fica exposto a apenas uma fração do ruído existente do lado de fora.

Regulamentação da proteção sonora

A mecanização do trabalho rural trouxe consigo a necessidade de implementar soluções para os sons produzidos pelas máquinas. Na análise dos ruídos, devem ser levados em conta a intensidade e a exposição para estimar os danos potencialmente causados à audição.

No Brasil, a NR-15 (Norma Regulamentadora 15) cumpre o papel de estabelecer diretrizes para a salubridade dos trabalhadores. A norma estabelece que a exposição a ruídos acima de 85 decibéis para uma jornada de oito horas por dia torna o trabalho insalubre. Ainda de acordo com a NR-15, a medição do nível do ruído deve ser medida próxima ao ouvido do trabalhador, para que seja o mais fiel possível ao risco real ao qual ele está submetido.


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