Oferta menor de carne suína deve sustentar preços
O consumidor pagará mais pela carne suína neste final de ano por causa da oferta restrita do produto, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Rui Vargas, nesta quinta-feira, 10. ‘Algumas empresas do setor estão apostando que o final do ano será maravilhoso em vendas em receita, devido à menor oferta’. Desde maio, houve uma redução de abates por conta do clima mais rigoroso, mais mortalidades de leitões recém-nascidos por conta de diarreia e ainda um custo de produção alto.
Ele não quis cravar nenhum porcentual de reajuste, mas disse que não será maior do que o do ano passado, que foi um pouco acima dos 10%. ‘Nesse ano, há um cenário mais favorável de custo de grãos, mas o custo de produção em determinados itens ainda não acabou (inflacionário, energia, transportes, mão de obra – pela nova legislação trabalhista)’, afirmou.
Vargas reiterou que o mercado interno é relevante para o setor. ‘Nosso consumidor está cada vez mais comprando carne suína e derivados. Entre 75% e 80% do que produzimos fica no mercado interno. Dentro dessa fatia, 75% são derivados e não itens in natura’, disse. Em 1998, o consumo per capita por ano era de oito quilos, hoje está em 15 quilos e, para até 2018, o objetivo é atingir 18 quilos/ano por pessoa.
‘Não estamos aí para ocupar espaços e sim para aumentar o consumo do item. Não queremos comprometer mais de 30% da nossa produção com exportação’, ressaltou. Hoje, esse porcentual está em quase 23%.
Restrições
O principal entrave comercial com a Rússia no setor de carne suína é o fato de os estabelecimentos federais brasileiros terem diminuído as análises laboratoriais exigidas pelas autoridades do mercado. ‘A questão do uso da ractopamina está inserida dentro disso’, explicou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Rui Vargas, em entrevista à imprensa há pouco. O número de análises não foi informado pelo executivo, mas é a garantia que os russos têm da qualidade sanitária da proteína nacional.
No último dia 2, a Rússia adotou restrição temporária à importação de carnes suína e bovina do Brasil. Foram dez frigoríficos com restrições, nove de carne bovina (seis da JBS, dois da Minerva e um da Marfrig) e um de carne suína, o Pamplona (Riosulense), em Santa Catarina. Segundo Vargas, o Ministério da Agricultura enviou, há cerca de quatro semanas, explicações técnicas sobre essa redução e como o governo vai cumprir as exigências das autoridades do país.
‘O entendimento da indústria é o de que é um assunto resolvido. Porém, não dá para estabelecer datas e prazos, mas estamos sempre lembrando, tanto a Rússia quanto o governo, da necessidade de cumprir os acordos’, disse. Vargas também informou que foi solicitada a habilitação de mais quatro unidades, para totalizar oito indústrias aptas a vender ao país (considerando a reversão das restrições temporárias em relação ao Pamplona).
O executivo comentou que a redução do número de análises para a Rússia pode ter ligação com a falta de recursos do Ministério da Agricultura, principalmente da área de defesa agropecuária. ‘Os problemas orçamentários do Ministério da Agricultura são cruciais para nós. Eles (secretários) têm nos acalmado e dizem que estão tomando as providências necessárias e que o tema, inclusive, é prioridade da presidente. Mas o que sabemos é que realmente as dificuldades estão grandes’, declarou.
Mesmo com os entraves comerciais com a Rússia, Vargas disse que o país deve se manter como principal destino da carne suína brasileira em 2013, principalmente em valor. ‘É um mercado que paga bem. As demandas do país envolvem questões sanitárias que incluem custos maiores, diminuindo a competitividade do item nacional. Mantínhamos o ritmo de 12 mil toneladas ao mês. E nesse mês caiu, devido ao novo embargo. Porém, mesmo com um número menor de estabelecimentos, o volume embarcado aumentou’, explicou.
No acumulado do ano até setembro, as vendas para a Rússia somaram 104,591 mil toneladas e US$ 311,08 milhões, o que representa um aumento de 6,04% em volume e 10,38% em valor.
Argentina
O presidente da Abipecs também mencionou que passados dois anos, os entraves comerciais com a Argentina seguem. ‘Houve redução dos embarques de 4 mil toneladas/mês para 1 mil toneladas, 1,5 mil toneladas/mês. Nós tínhamos muitos clientes, os argentinos gostam muito da carne suína brasileira’, disse. Segundo ele, a Abipecs já tentou negociar com as autoridades argentinas junto com diversas esferas – agricultura, comércio, relações exteriores – até agora sem sucesso. ‘Eles (importadores) falam que têm interesse, mas que há entraves internos para normalizar as vendas para lá. Os problemas são mais externos, têm de ser tratados com patamares mais altos (presidente com presidente)’, declarou.
Fonte: Abipecs

