Doenças respiratórias do vírus sincicial bovino (BRSV)

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O agente bovino RSV foi identificado, pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1974, tornando-se um fator relativamente novo no complexo das doenças respiratórias. O isolamento do RSV bovino foi dificultado por muitos anos, devido a natureza frágil do mesmo, o qual leva facilmente à morte antes do teste diagnóstico. No entanto, seu papel nas doenças respiratórias é importante porque bovinos são freqüentemente, afetados independente de imunização com programas padrão de vacinação para IBE, PI3, BVD e Pasteurella.

 

Em estudos feitos pelo D.John C. Baker, da Universidade do Estado de Michigam com gado leiteiro durante o outono de 1983 e o inverno de 1984. O RVS bovino foi o vírus associado, com mais freqüência, coma pneumonia dos bezerros em 10 a 14 epidemias investigadas. Outros vírus que incluem BVD, IBR,PI3, e adenovírus tipo 3 foram comumente associados a essas epidemias. O DR. Baker também demonstrou que os anticorpos maternos contra RSV bovino encontram-se nos bezerros recém-nascidos 24 horas após eles terem ingerido o colostro. Além disso, ele analisou mostras de soro para determinar os títulos de RSV bovino (Tabela 2). No momento da realização desse estudo, nenhuma vacina anti-RSV bovino estava em uso; portanto os títulos positivos foram devidos à infecção pelo vírus. Esses dados indicam que o RSV bovino é um problema comum e sério para os produtores de leite.

Tabela 2 Títulos* de anticorpos contra RSV bovino

Amostras Positivas Negativas
559 366 (65,5%) 193 (34,5%)

Inclui 402 (71,9%) amostras de gado leiteiro

O RSV bovino ataca as células que revestem o trato respiratório. Normalmente, essa células são recobertas por cílios, semelhantes a pelos, que auxiliam a eliminar o muco, patógenos e partículas microscópicas de sujeira dos pulmões. Com a infecção pelo RSV bovino, esses cílios podem ser destruídos e as células subjacentes devastadas (Figura1). Assim, um trato respiratório desprotegido é um local ideal para o crescimento secundário de bactérias e vírus e subsequente infecção. Embora o mecanismo de transmissão viral não esteja definido , o contato direto ou a transmissão através de gotículas no ar parecem prováveis.

 

Geralmente o gado afetado apresenta secreção no nariz, olhos lacrimejantes e uma tosse de irritação. Quando esses bovinos estão fisicamente estressados podem ficar isolados, cabisbaixos, respirar rapidamente e tossir. Em outras vezes, os animais parecem quase normais mas têm febre, leve inchaço na garganta e pescoço, falta de apetite e baixo ganho de peso.

 

Outros desenvolvem uma forma mais séria de RSV bovino, incluindo tosse estridente e forçada, respiração com a boca aberta e saliva espumosa em volta da boca (Figura2). O gado afetado pode deixar completamente de comer e beber, pois é incapaz de manter a respiração por tempo suficiente para engolir algo.

Esse bovinos estão privados de oxigênio, Uma simples respiração torna-se quase impossível porque o RSV bovino preenche pulmões de fluido , restringindo o espaço essencial para o ar. Na tentativa de respirar, um animal pode expelir o ar tão forçosamente a ponto de provocar desgaste do tecido dos pulmões, prejudicando e incapacitando-os ainda mais.

 

 

FIGURA 1: Cílios do trato respiratório, de um bezerro normal (A) e de um bezerro infectado pelo RSV bovino (B), mostrando destruição pelo vírus. Uma vez que os cílios são afetados por um vírus, um animal torna-se suscetível a infecção secundário que pode reduzir dramaticamente a taxa de ganho de peso e, mesmo, causar a morte.

 

 

Respiração normal é quase impossível para o gado infectado por RSV e falta oxigênio. Respiração forçada e de boca aberta impedem esses animais de comer e beber

Os aspectos principais do RSV bovino são: 

1. é um agente infeccioso bovino relativamente novo, apenas recentemente relacionado a doença respiratória;
2. é altamente prevalente, conforme demonstrado em estudos sorológicos;
3. geralmente, predispõe o gado a Pasteurella ou outra infecção respiratória bacteriana e;
4. é difícil de diagnosticar por isolamento de tecidos.

Ocorrência no Brasil
OBRSV foi isolado no Rio Grande do Sul e São Paulo onde a prevalência encontrada foi de 64%. No Brasil poucas pesquisas têm sido realizadas. Portanto é de se esperar que a incidência seja maior que o conhecido no momento.

 

Fonte:  Zoetis.


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