Conheça as missões espaciais que marcarão 2016

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Um projeto que busca verificar a existência de vida em Marte e um programa para estudar a atmosfera de Júpiter estão entre os destaques do ano.

Em 2016, os estudos sobre Marte devem continuar em destaque na agenda da exploração espacial. Em 14 março, a missão ExoMars será lançada para verificar se existem resquícios de vida no segundo menor planeta do Sistema Solar. Resultado de uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Roscosmos, a agência espacial russa, o programa vai procurar a “assinatura” do planeta – tipo de atividade biológica que existiu ou existe por lá -, e investigará o ambiente geoquímico e os gases existentes na atmosfera marciana. Os dados recolhidos devem ajudar em futuras missões de exploração de Marte.

“Uma das prioridades para a astronomia é entender a origem da vida no Universo. Existe a teoria de que a Terra é um sistema biológico fechado, ou seja, tudo nasceu aqui. Há outra que questiona essa hipótese: será que a vida que existe no nosso planeta veio de fora? Missões como a ExoMars vão testando teorias que podem ajudar a entender de onde veio a vida em nosso planeta”, disse Vanderlei Parro, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG) e diretor do Núcleo de Sistemas Eletrônicos Embarcados (NSEE) do Instituto Mauá de Tecnologia.

Marte pode ter sido semelhante à Terra – ou seja, quente, úmido, com água e, talvez, vida – há bilhões de anos. Por isso, compreender sua evolução e a hipótese da existência de vida ali pode trazer pistas de como seria a evolução da Terra. Em dezembro, outra missão para estudar o planeta, a InSight, foi suspensa pela Nasa por problemas em um dos seus principais equipamentos científicos. A missão pretendia estudar a estrutura interior de Marte para esclarecer como o planeta evoluiu geologicamente ao longo dos anos.

O ano de 2015 já foi repleto de grandes novidades sobre Marte. Em setembro, a Nasa revelou uma pesquisa científica que mostra que, atualmente, fios d’água salgada – de origem desconhecida – fluem periodicamente por Marte. Em outubro, a agência espacial anunciou grandes descobertas feitas pela sonda Curiosity: a presença de lagos e correntes d’água no passado do segundo menor planeta do Sistema Solar. Os estudos são relevantes porque, segundo Charles Bolden, administrador da Nasa, estamos “mais perto do que nunca de enviar astronautas para Marte”. A estimativa é de que as missões de exploração comecem em 2030.

O fim da Rosetta – O ano de 2016 também será marcado pelo término de uma das missões mais importantes da história da astronomia, a Rosetta. Em 12 de novembro de 2014, ela realizou um pouso histórico: o módulo Philae, liberado pela sonda Rosetta, se tornou o primeiro objeto a pousar em um cometa, o 67P/Churyumov-Gerasimenko. O objetivo da missão é o estudo da origem dos cometas e a relação deles com o princípio da formação do Sistema Solar, já que, segundo teorias, esses corpos celestes podem ter sido os responsáveis por trazer água, ou até mesmo vida, para os planetas.

Alguns estudos com a conclusão das análises sobre os dados recolhidos por Philae foram publicados em 2015, mas, com o término da missão, os cientistas esperam novas revelações sobre a constituição e evolução dos cometas, bem como sua relação com a existência de água – ou vida – nas galáxias.

O perfil dos ventos – A Aelous, missão que também será lançada em 2016, deve ser outro destaque para o próximo ano. Essa é a primeira missão espacial que perfilará os ventos em escala global. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), ela fará cerca de 100 perfis de vento por hora – inclusive em áreas remotas que carecem de estações meteorológicas terrestres. A missão é composta por um satélite de estrutura simples e comum com vários sensores que medirão a velocidade e as características dos ventos com precisão.

“Esse mapeamento dos ventos será de grande importância. Além de ajudar a melhorar os modelos matemáticos, ele também contribui uma melhora nas previsões meteorológicas. Em uma época de grande preocupação com as alterações climáticas, essa missão ajudará a prever possíveis catástrofes causadas por essas transformações climatológicas”, declarou Parro.

Confira uma lista com as principais missões espaciais de 2016:

As principais missões espaciais de 2016

ExoMars

A ExoMars é uma missão não-tripulada destinada a verificar a existência ou não de vida em Marte. O projeto é uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e Roscosmos, a agência espacial russa. Essa missão também ajudará a descobrir quais tecnologias são necessárias para as futuras missões de exploração. E, além de procurar a “assinatura” do planeta – tipo de atividade biológica que existiu ou existe lá -, também será investigada a variação do ambiente geoquímico e os gases existentes na atmosfera do planeta, em busca de evidências de gases de possível importância biológica, como o metano. O lançamento da missão está marcado para 14 de março e a entrada na atmosfera de Marte será em 19 de outubro.

Juno

A sonda Juno entrará na órbita de Júpiter em 5 de julho de 2016. A missão foi lançada em 5 de agosto de 2011 com o objetivo de estudar a atmosfera de Júpiter e de entender os principais gases existentes no planeta. “Como Júpiter é um planeta gasoso, a Juno tem o compromisso de fazer o mapeamento da atmosfera, ou seja, investigar a formação do corpo celeste, a composição e variação da meteorologia local e as estruturas do campo magnético e gravitacional do planeta”, diz Vanderlei Parro, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG) e diretor do Núcleo de Sistemas Eletrônicos Embarcados (NSEE) do Instituto Mauá de Tecnologia. Juno foi a segunda missão escolhida pela Nasa para o programa New Frontiers – tem finalidade de explorar o Sistema Solar, utilizando sondas espaciais de médio porte.

Fim da missão Rosetta

A missão Rosetta, que realizou um feito histórico em 12 de novembro de 2014 ao pousar em um cometa, o 67P/Churyumov-Gerasimenko, deve terminar em setembro de 2016. O objetivo da missão lançada pela Agência Espacial Europeia (ESA) é estudar a origem dos cometas e a relação deles com o princípio da formação do Sistema Solar, já que, segundo teorias, esses corpos celestes podem ter sido os responsáveis por trazer água, ou até mesmo vida, para os planetas. “Atingir um planeta é algo muito difícil, pois é um corpo em movimento. Além disso, ele possui muito material, pois passa por diversos lugares que podem até ser desconhecidos pelos cientistas”, conta Parro. Inicialmente, o programa deveria ter terminado em dezembro de 2015 com o desligamento dos equipamentos da sonda, que ficaria orbitando o cometa indefinidamente. No entanto, em julho, a ESA anunciou a prorrogação da missão até 2016, com a proposta de que a sonda Rosetta, que liberou o robô Philae na superfície do cometa, faça também um pouso no 67P/Churyumov-Gerasimenko.

OSIRIS-Rex

Em 3 de setembro, a Nasa lançará a missão OSIRIS-Rex, que vai estudar o asteroide Bennu. Segundo a agência espacial americana, a missão procura respostas para questões centrais da experiência humana na Terra: de onde viemos e para onde vamos. O estudo dos asteroides, que podem conter os precursores moleculares para a origem da vida e oceanos da Terra, pode nos ensinar muito sobre a história do Sol e dos planetas. A missão coletará amostras de Bennu, escolhido devido ao tamanho, composição e órbita potencialmente perigosa, já que, no século XXII, ele poderá chocar-se com a Terra. Além de determinar com exatidão as propriedades físicas e químicas do asteroide, a OSIRIS também ajudará os cientistas a desenvolverem uma missão para evitar o impacto do asteroide com o nosso planeta no futuro. “Similarmente ao cometa, o asteroide traz informações de lugares que, eventualmente, não seriam mapeados apenas com uma missão. Essa material pode beneficiar várias pesquisas”, afirma Parro.

Aelous

Aelous, que também será lançada em 2016, é a primeira missão espacial que perfilará os ventos em escala global. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), ela fará cerca de 100 perfis de vento por hora – inclusive em áreas remotas que carecem de estações meteorológicas terrestres. “Além de ajudar a melhorar os modelos matemáticos, a missão também contribui para a melhora das previsões meteorológicas. Em uma época de grande preocupação com as alterações climáticas, essa missão ajudará a prever possíveis catástrofes causadas por transformações climatológicas”, diz Vanderlei Parro, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG) e diretor do Núcleo de Sistemas Eletrônicos Embarcados (NSEE) do Instituto Mauá de Tecnologia. A missão é composta por um satélite de estrutura simples equipado com vários sensores que medirão a velocidade e as características dos ventos com precisão.

Gaia

Desenvolvida sob responsabilidade da Agência Espacial Europeia (ESA), a missão Gaia vai apresentar seus primeiros resultados ao longo de 2016. Lançada em dezembro de 2013, seu objetivo é fazer um grande mapeamento do céu, recolhendo dados – em alta qualidade e com muita precisão – sobre as posições, movimentos, brilho e cores de mais de um bilhão de objetos de nossa galáxia e de outras também. “Os dados recolhidos pela Gaia estabelecerão um referencial de tamanha qualidade que terá implicações profundas em muitas outras áreas do conhecimento astronômico. Esperamos ter uma compreensão detalhada da estrutura, origem, movimentos e dinâmica de nossa galáxia, dos processos de formação e evolução das estrelas, da origem e evolução do Sistema Solar”, contou Ramachrisna Teixeira, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG) e um dos participantes da missão.

LISA Pathfinder

A missão, também realizada sob responsabilidade da Agência Espacial Europeia (ESA), foi lançada em 3 de dezembro com o objetivo de testar um equipamento que, no futuro, poderá ajudar a captar as ondas gravitacionais, previstas pela Teoria da Relatividade de Einstein. Em 2016, ela começará a realizar testes e transmitir os dados para a Terra. “O objetivo dessa missão é testar e desenvolver a tecnologia que possibilitará a construção de um satélite eLISA (Evolved Laser Interferometer Space Antenna), previsto para ser lançado em 2034. Este será o primeiro observatório espacial de ondas gravitacionais, jamais detectadas, pois são extremamente tênues”, diz Teixeira.

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Fonte: Veja Online. Por: Gabriela Neri.


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