Mofo branco – estratégias de controle

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O mofo branco tem se tornado uma doença cada vez mais comum nas regiões agrícolas do centro-sul do Brasil, trazendo prejuízos a culturas tradicionais como soja, feijão e algodão. A severidade dos danos e a velocidade com a qual se espalha pelas lavouras chamam a atenção e preocupam produtores e técnicos.

 

Os prejuízos provocados pela doença podem ultrapassar 70% da produção (Lobo Junior, 2012). O fungo responsável pela enfermidade, Sclerotinia sclerotiorum, produz estruturas de resistência (escleródios) que podem permanecer viáveis no solo por várias safras, o que tem tornado medidas tradicionais de controle pouco eficazes em seu combate.

 

O patógeno que causa a doença é um fungo necrotrófico (que se alimenta do tecido parasitado morto) facilmente detectado pela presença de uma massa cotonosa branca nas hastes, folhas ou flores do hospedeiro. O fungo pode atacar mais de 400 espécies de plantas (Bolton et al., 2006, citado por Gorgen et al., 2009 ) entre elas muitas culturas graníferas e olerícolas.

 

Uma das principais causas de introdução do patógeno nas lavouras é o uso de sementes infectadas com micélio e/ou infestadas com escleródios, sendo que um único escleródio viável em 5 m² é suficiente para causar uma epidemia severa de mofo branco.

 

Os escleródios normalmente germinam de forma carpogênica, produzindo pequenos cogumelos em forma de taça (apotécios) que liberam os esporos (ascósporos) responsáveis pela infecção das plantas. (Vieira et al, 2001; Adams & Ayers, 1979 citado por Gorgen et al., 2009).

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A severidade do problema na diferentes culturas é proporcional à densidade de inóculo do patógeno no solo. Portanto, a redução da população de escleródios é essencial para o controle efetivo do mofo branco, que, além disso, também deve bloquear a formação de apotécios e a ejeção de ascósporos e minimizar a produção de novos escleródios pelo controle preventivo da doença na parte aérea das plantas (Gorgen et al., 2010).

 

Uma das alternativas de controle é o uso de fungicidas, os quais podem ter eficiência satisfatória quando considerados alguns aspectos da epidemiologia da doença. As flores servem como fonte primária de nutrientes nas infecções iniciadas por ascósporos (Vieira et al., 2001), sendo assim, para a soja, a fase de maior vulnerabilidade vai do florescimento pleno (R2) ao início da formação de grãos (R5) (Danielson et al., 2004, citado por Gorgen et al., 2009).

 

O controle químico pode ser feito no início da floração visando uma boa cobertura das flores. A aplicação do fungicida pode ser repetida após 10 ou 14 dias se as condições climáticas forem favoráveis à doença (Vieira et al., 2001).

 

Dentre os fungicidas recomendados para o controle do fungo, tem reconhecida eficiência o fluazinam e procymidone, mostrando-se promissores o fluopyram, dimoxistrobin + boscalid, pentiopyrad e cipronidil + fludioxonil.

 

Vale salientar que o controle químico isolado pode não apresentar bons resultados, devendo ser empregado juntamente com outras medidas que visam à diminuição do potencial de inóculo no solo para que haja uma maior eficiência no combate a doença (Furlan, 2013).

 

A produção de palhada como forma de controle cultural tem apresentado bons resultados no combate ao mofo branco por contribuir com a diminuição do potencial infectante do patógeno. Em um estudo realizado por Gorgen et al. (2009) o uso de palhada de Brachiaria ruziziensis proporcionou uma redução de 98% na formação de apotécios, diminuindo a incidência do mofo branco em soja de 63,7% (na ausência de palhada) para 41,8% (na presença da palhada).

 

Segundo Gorgen et al. (2010) sistemas onde é feito uso de gramíneas com bom potencial de produção de palhada, em quantidade e qualidade, contribuem para uma maior eficiência no controle de S. sclerotiorum. Os autores indicam o Sistema Santa Fé como alternativa de controle do mofo branco, por ser mais eficiente que o emprego de culturas não hospedeiras solteiras com bom potencial de cobertura do solo, a exemplo e milho e trigo.

 

O controle biológico com uso de microrganismos antagônicos tem sido alternativa promissora no combate à S. sclerotiorum. Essa técnica contribui para a redução da densidade de inóculo de patógeno no solo e uma menor severidade e/ou incidência da doença (Lobo Junior, 2013).

 

A aplicação de Trichoderma harzianum pode reduzir em 62,5% o número de escleródios viáveis no solo (Menendez & Godeas, 1998, citado por Gorgen et al., 2009). Resultados práticos têm demonstrado um aumento na produtividade de 313 kg/ha na cultura da soja e de 282 a 309 kg/ha na cultura do feijoeiro em áreas infestadas com mofo branco tratadas com Trichoderma harzianum (Gorgen et al., 2009).

 

Outra medida de manejo consiste na escolha de cultivares, devendo-se optar por aquelas que tenham resistência ao acamamento, floração mais concentrada e ciclo precoce. Segundo Lobo Junior (2012), esta recomendação diminui as perdas com o mofo branco, já que o fungo se desenvolve de forma mais lenta ou tardia, com menores danos à cultura.

 

Para que o controle do Mofo Branco seja alcançado de forma eficiente é importante que se faça o uso conjunto de diferentes medidas de manejo. A prática do manejo integrado é a melhor alternativa para o combate à doença, já que apresenta uma maior sustentabilidade, ao passo que permite o convívio racional com o patógeno.

 

O uso desse conceito tem permitido o aumento da produtividade das culturas, sendo extremamente importante para a viabilidade da atividade agrícola em áreas infestadas com S. sclerotiorum.

 

VIEIRA, R.F.; PAULA JÚNIOR, T.J. de; PERES, A.P. & MACHADO, J. da C. Fungicidas aplicados via água de irrigação no controle do mofo-branco no feijoeiro e incidência do patógeno na semente. Fitopatologia Brasileira 26:770-773. 2001.

 

GORGEN, C. A.; CIVARDI, E. A.; RAGAGNIN, V. A.; SILVEIRA NETO, A. N.; CARNEIRO, L. C.; LOBO JUNIOR, M. Redução do inóculo inicial de Sclerotinia sclerotiorum em soja cultivada após uso do sistema Santa Fé. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.45, n.10, p.1102-1108, out. 2010.

 

GORGEN, C. A.; SILVEIRA NETO, A. N.; CARNEIRO, L. C.; RAGAGNIN, V. A.; LOBO JUNIOR, M. Controle do mofo-branco com palhada e Trichoderma harzianum 1306 em soja. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.44, n.12, p.1583-1590, dez. 2009.

 

LOBO JUNIOR, M. Manejo do Mofo Branco. Boletim Passarela da Soja e do Milho 2012, n. 4, p. 10, mar. 2012.

 

FURLAN, S. H. Importância e Manejo de Patógenos na Cultura de Feijão, com Ênfase em Patógenos de Solo. Feijão: produção e sustentabilidade, Piracicaba, p.90-96, 2013.

 

LOBO JUNIOR, M. Perspectivas e recentes resultados do uso de microrganismos no controle de doenças do feijoeiro comum. Feijão: produção e sustentabilidade, Piracicaba, p.97-108, 2013.

 

Fonte: Rehagro.


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