Gestão da pecuária no agronegócio
Como construir e utilizar o fluxo de caixa na gestão da pecuária.
O fluxo de caixa é o registro das movimentações financeiras da propriedade. O que entra e o que sai de dinheiro, de acordo com a data de movimentação. Sua construção é simples. Basta registrar os compromissos financeiros já assumidos e os gastos previstos, com as respectivas datas de pagamento. De posse destes dados, é possível analisar como será a situação do caixa a cada mês, ou até mesmo a cada dia, dependendo da profundidade que se deseje.
Fazendo estas análises, o gestor da propriedade pode definir os melhores momentos para realizar compras de insumos ou vendas de animais, decidir se é melhor pagar uma compra à vista ou parcelada, saber se haverá sobras de caixa para fazer investimentos ou até se será necessário um empréstimo para desafogar o caixa. Tudo isto dá força de negociação, conhecimento de causa e muito mais tranquilidade para a tomada de decisões.
E como colocar isso em prática? É fácil, mas demanda trabalho e atenção.
Primeiro, é preciso coletar os dados em notas fiscais, contas a pagar e a receber, saldo inicial em caixa. Assim, organizam-se e registram-se todos os compromissos financeiros que já estejam assumidos. O registro pode ser feito em planilhas eletrônicas ou softwares específicos. O importante é ter anotado do que se trata, qual o valor, para quando e para quem ou de quem é. Tanto para os gastos, como para as receitas esperadas.
Além do que já está compromissado, é importante fazer as previsões de contas a pagar e a receber, baseadas no histórico, em projeções de mercado e nas circunstâncias esperadas. É importante prever a data mais esperada para os pagamentos e recebimentos, de modo a permitir uma projeção com precisão quase diária do fluxo de caixa.
Logo para começar, é preciso registrar quanto a empresa tem em caixa, ou seja, o saldo atual. É a partir dele, com as entradas e saídas de dinheiro esperadas, que serão projetados os saldos futuros.
Aqui temos um exemplo simplificado, de uma fazenda produtora de leite que, em algumas épocas, vende novilhas, e também vende soja.
Podemos perceber que a propriedade vai ter um aperto de caixa no mês de fevereiro e que vai manter o aperto até março. E, nesse caso, não é um aperto de quem passa o mês perto do limite. É de quem passa no negativo.
Quando a previsão é um saldo negativo, a situação é pior do que aparece na planilha. Se a fazenda está devendo, vai ter que pagar o aluguel desse dinheiro que ela não tinha, seja para um fornecedor que não recebeu, seja para o banco. Isso quer dizer que vai desembolsar, além da dívida, os famosos juros. Um gasto não esperado e que deve ser evitado ao máximo.
Por que a propriedade chegou nesta situação? Ela produz leite, soja e vende novilhas. A atividade foi avaliada por um técnico e é rentável. O que aconteceu? Observe a última linha de despesas dos meses de fevereiro e março. A fazenda tem previsto um gasto de 98.000,00 com reforma de instalações. A necessidade é refazer a pista de alimentação do gado e arrumar a sala de ordenha.
O que fazer para não entrar no vermelho, mas realizando tudo o que a fazenda precisa? É importante ver se é possível adiar gastos ou adiantar receitas. Uma sugestão está na planilha a seguir: fazer a parte mais urgente das obras em fevereiro, concentrar a maior parte em março, quando terá uma importante receita proveniente da soja e terminar tudo em abril.
O fluxo de caixa é a ferramenta que, quando bem utilizada, dará subsídios para decisão. Os gestores da fazenda, conhecendo sua realidade, poderão tomar as decisões mais acertadas para evitar passar no vermelho ou, em outras situações, para fazer bons investimentos com as sobras de caixa, sem empatar um recurso que pode ser necessário em breve.
O importante é começar a usar a ferramenta, ser cuidadoso, conservador nos números e melhorar a cada dia. É preciso ser metódico, não deixar passar nenhuma anotação. A pessoa que vai trabalhar lançando os dados deve estar bem treinada e entender o que está fazendo.
No começo, parece difícil, aparecem muitas novidades, as previsões geram muitas dúvidas. Com o tempo, haverá históricos consistentes, embasando decisões cada vez mais acertadas.
Fonte: Rehagro.

