Atenção ao clima pode evitar efeito sanfona no boi

Compartilhar

O clima está entre os três principais riscos da pecuária de corte, junto ao mercado e à mortalidade dos animais. Mas como suas condições são levadas em consideração mais pelos agricultores do que pelos pecuaristas, o tema foi o destaque da palestra do engenheiro agrônomo formado pela Esalq Tadeu Ruzza Barreto durante a etapa de Ji-Paraná/RO do Circuito Feicorte 2013, que começou nesta quinta-feira, 3.

 

Ruzza ressaltou que o clima é uma grande influência em todas as categorias da pecuária: cria, recria e engorda. Na primeira, a estiagem compromete a produção de forragem para as matrizes, que vão produzir menos leite e animais mais leves na  desmama de bezerros. Na recria, pode provocar o efeito sanfona, o boi que engorda na época das chuvas e emagrece na entressafra, postergando o abate. Já na última fase, da engorda, pode comprometer a deposição de gordura.

 

Pelas mudanças climáticas dos últimos anos, Ruzza reforçou que nem mesmo olhar modelos de clima retroativos auxilia de forma confiável. Fenômenos como o El Niño e a La Niña têm tido comportamentos distintos em relação ao seu histórico. Então como proceder para guardar a forragem para os momentos em que aparecerem os bons negócios? Como reservar o pasto no período na seca?

 

A primeira e a mais simples solução que pode ser implementada pelo produtor é a mudança no manejo de pastagens, apontou o palestrante do Circuito Feicorte 2013. De fato, a sugestão tem funcionado com sucesso em Rondônia. Quem afirmou foi o acadêmico de agronomia Thiago Dutra da Silva, que junto ao seu pai administra o Sítio Javajeri, que fica no Vale do Anari, distante aproximadamente 160 km de Ji-Paraná. Por lá, a lotação das áreas de pastagens de 90 hectares baliza-se pelo respeito ao ciclo da cultivar. “A gente faz análise de solo para corrigir e usa o pastejo rotacionado para evitar a degradação”, diz Thiago, que já tem em vistas o processo de sucessão familiar.

 

No Sítio Javajeri, que trabalha com criação de vacas leiteiras e de corte, as pastagens  são formadas por Mombaça e Brachiaria.

Anuncio congado imagem

 

Mercado

O clima altera não somente o manejo do produtor rural, como também pode pautar os outros riscos da pecuária. A safra de grãos, por exemplo, pode ser comprometida em caso de fortes intempéries, fazendo com que os custos de produção sejam elevados. Por essa razão, Ruzza recomendou também o conhecimento e uso de diversas ferramentas de proteção, seja para travar os preços do boi ou para evitar as altas dos insumos.

 

“As ferramentas estão disponíveis para todos e o produtor deve analisar sua realidade. Trabalhar com mercado futuro é pra todo mundo”, recomendou o engenheiro agrônomo.

 

Em sua apresentação, Ruzza reforçou que o produtor não deve se preocupar se vai chover hoje, amanhã ou semana que vem, mas sim ter planos A, B e C para que esteja pronto para enfrentar as consequências das condições climáticas. “Os pecuaristas não têm que tomar decisões paliativas. Uma vez que não chove e ele precisa de ração, ele recorre ao fornecedor, que já subiu o preço porque a concorrência está grande”, exemplificou.

 

A  palestra de Ruzza foi a segunda apresentação desta quinta-feira pela manhã no Parque de Exposições Hermínio Vitorelli, em Ji-Paraná, Rondônia. A penúltima etapa do Circuito Feicorte 2013 segue até esta sexta-feira com outras seis palestras e a participação do governador do Estado de Rondônia, Confúcio Moura.

 

Fonte: Circuito Feicorte.


Compartilhar

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *