Princípios de um programa de melhoramento genético

Compartilhar

Todo o tempo nos deparamos com a expressão “melhoramento genético”. Você já parou para pensar o que é melhorar? Melhorar, no meu modo de entender, é sair de uma situação para outra mais vantajosa. Assim, um animal melhor é aquele que, em relação a outro, pode proporcionar maiores vantagens.

Pensemos numa vaca leiteira. A vaca que produz mais leite é melhor que a que produz menos, certo? Errado! Se a vaca que produz mais leite não for mais vantajosa, ela não será melhor. Na exploração agropecuária, assim como em qualquer negócio, o mais vantajoso é o que proporciona maior lucro, e aí entenda-se por lucro tudo o que possa envolvê-lo: lucro financeiro, social, ambiental… Pois bem, melhoramento animal tem que ser para gerar mais lucro.

Como fazer para melhorar geneticamente com vistas a um maior lucro? Um programa de melhoramento tem que determinar as ações que levarão a isto. Portanto há uma diferença fundamental entre programas de avaliação genética e programas de melhoramento genético. Um programa de melhoramento requer avaliação genética e avaliação econômica, e por fim, a combinação desses fatores para gerar uma composição de maior lucro. Esta composição é chamada de índice de seleção ponderado por pesos econômicos. 

Um programa de melhoramento deve funcionar assim:

O sistema de produção é decomposto de forma a visualizarmos como as características estão envolvidas nos custos e nas receitas. Como exemplo: o intervalo de partos influencia no número de cordeiros produzidos por ano, e, portanto, esta característica está ligada parte nas receitas e parte nas despesas, pois se tenho mais cordeiros tenho mais produto para venda, mas tenho mais consumo de alimentos na fazenda, mais horas de mão de obra, etc.

Anuncio congado imagem

Um maior ganho de peso dos cordeiros aumenta o peso à idade de abate, ou reduz o tempo para o abate, gerando mais receita, mas os animais podem requerer mais alimentos quando têm maior capacidade de desenvolvimento ou alimentos mais nutritivos, o que interfere nos custos. A susceptibilidade às doenças está sempre ligada às despesas e, assim, a resistência à redução delas.

Desta forma calculamos o “valor econômico” das características, que na definição formal é o valor monetário do aumento da característica em uma unidade ou em 1% . Esta parte do trabalho deve ser sistematizada e analisada em um centro de pesquisa, mas a anotação dos dados econômicos e de produção é feita nas fazendas, pelos próprios produtores. 

Os valores econômicos das características nos permitem dar mais um passo no programa de melhoramento: a definição dos objetivos de seleção. Esse é um avanço importante, pois agora podemos definir de forma objetiva o que deve ser realmente deve ser buscado para gerar maior lucro. 

O passo seguinte é definir os critérios de seleção, ou seja, como proceder para chegar aos objetivos traçados. A definição dos critérios considerará a facilidade de medição das características a serem selecionadas, o custo de fazê-lo, a possibilidade de selecionar em conjunto as características que desejamos, ou seja, tudo o que pode interferir de forma positiva ou negativa em nosso trabalho. 

Do ponto de vista genético precisamos conhecer o modo como as características se relacionam para encontrar as alternativas mais viáveis e baratas de chegarmos aos objetivos. Assim, nem sempre as características que formam os objetivos de seleção serão aquelas que comporão os critérios.

Os dados de produção permitem a análise genética das características. Parâmetros genéticos importantes, tais como as herdabilidades das características e as correlações genéticas entre elas, são calculados a partir dos dados de desempenho produtivo. As famosas DEP’s (Diferença Esperada na Progênie) são calculadas com base nesses dados dos animais e/ou de seus parentes e também na herdabilidade das mesmas, como já comentamos em outros artigos.

É preciso estar muito atento para o seguinte: as DEP’s sem os valores econômicos não nos conduzem automaticamente ao melhoramento. Podemos, por exemplo, calcular a “DEP tamanho de rabo”, selecionar e utilizar os reprodutores com base nessa característica e obter o resultado esperado. Mas será que isso conduzirá ao melhoramento? Pode ser que pareça óbvio que tamanho de rabo não deva ser incluído na seleção (embora esse item seja considerado importante pelos selecionadores de raça), mas a importância das características nem sempre é tão óbvia. O que deve ter peso maior, a prolificidade ou o intervalo de partos? O ganho de peso do nascimento à desmama ou a taxa de sobrevivência nesse período? Só saberemos se pudermos calcular os valores.

De posse dos valores econômicos, dos parâmetros genéticos e definidos os critérios, vamos para o próximo passo que é montar um índice de seleção. O índice de seleção nos permite maximizar o ganho econômico e direcionar a seleção nesse sentido.

Com o índice de seleção podemos comparar reprodutores tanto do ponto de vista de seu valor genético quanto do desempenho econômico esperado de seus descendentes, e assim, escolher aqueles que serão os pais da próxima geração. Os pais escolhidos deverão ser utilizados, mudando as médias das características na população, no sentido favorável. Não é tão simples, nem tão fácil, mas é o que precisa ser feito. O índice definido terá que ser alterado com o tempo, pois na medida em que muda o ambiente econômico ou que se avança geneticamente é preciso ajustá-lo para que ele continue eficiente.


Compartilhar

🚀 Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? ✅ 👉🏽 Para isso é só entrar em nosso canal do WhatsApp ( clique aqui ), e no grupo do WhatsApp ( clique aqui ) ou Telegram Portal Agron ( clique aqui ), e no nosso Twitter ( clique aqui ) . 🚜 🌱 Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias ( clique aqui )

  • Se o artigo ou imagem foi publicado com base no conteúdo de outro site, e se houver algum problema em relação ao conteúdo ou imagem, direitos autorais por exemplo, por favor, deixe um comentário abaixo do artigo. Tentaremos resolver o mais rápido possível para proteger os direitos do autor. Muito obrigado!
  • Queremos apenas que os leitores acessem informações de forma mais rápida e fácil com outros conteúdos multilíngues, em vez de informações disponíveis apenas em um determinado idioma.
  • Sempre respeitamos os direitos autorais do conteúdo do autor e sempre incluímos o link original do artigo fonte. Caso o autor discorde, basta deixar o relato abaixo do artigo, o artigo e a imagem será editado ou apagado a pedido do autor. Muito obrigado! Atenciosamente!
  • If the article or image was published based on content from another site, and if there are any issues regarding the content or image, the copyright for example, please leave a comment below the article. We will try to resolve it as soon as possible to protect the copyright. Thank you very much!
  • We just want readers to access information more quickly and easily with other multilingual content, instead of information only available in a certain language.
  • We always respect the copyright of the content and image of the author and always include the original link of the source article. If the author disagrees, just leave the report below the article, the article and the image will be edited or deleted at the request of the author. Thanks very much! Best regards!

One thought on “Princípios de um programa de melhoramento genético

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Conteúdo protegido!