Efeito da linhagem genética sobre leitões

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INTRODUÇÃO

A seleção genética para uma maior prolificidade alcançou bons resultados, aumentando o tamanho da leitegada. Assumindo que a capacidade do útero em manter o número de fetos inteiramente formados até o parto é limitado, é aceitável que se estabeleça uma correlação negativa entre o aumento do número de fetos e o seu crescimento individual (1). Sendo assim, vários autores observaram aumentos na desuniformidade do peso dos leitões dentro de uma mesma leitegada, bem como a redução do peso médio da leitegada, devido à seleção genética para tamanho de leitegada (2, 3). O peso ao nascimento e a variação do peso dentro da leitegada representam um fator de interesse, uma vez que tem sido mostrado que estão positivamente correlacionados com a mortalidade pré-desmame (4). Em leitegadas com grandes variações na uniformidade ao nascimento, os leitões menores são excluídos do acesso aos tetos funcionais e produtivos, devido a desvantagem em competir com os leitões maiores pelos melhores tetos. Estes leitões apresentam uma menor ingestão de colostro e de leite, o que leva à uma menor aquisição de imunidade passiva levando a um estado nutricional baixo (5). Consequentemente, os leitões menores são comprometidos fisiologicamente em termos de reservas de energia, sendo mais susceptível a hipotermia (4). Em adição, leitegadas com maior variação no peso ao nascimento, também apresentam maiores variações de peso ao desmame, este fato como não é desejado, resulta em um manejo mais complicado. Leitões que nascem com pesos abaixo da média apresentam índices de crescimento mais lentos e idade mais avançada ao abate (6). Desta forma, objetivou-se com este estudo avaliar a influencia da linhagem genética sobre a variação do peso, uniformidade e mortalidade dos leitões ao parto nas fêmeas hiperprolificas atuais.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 18.609 leitões de 1.200 fêmeas suínas multíparas das três principais linhagens genéticas de alta prolificidade no Brasil. Os dados foram coletados em um total de 6 granjas (duas por linhagem genética) nas regiões Sul e Sudeste do Brasil durante o mesmo período do ano (Dezembro 2015 a Março de 2016). As variações nas condições ambientais no interior das instalações foram registradas diariamente por meio de equipamentos “dataloggers”. Os regimes de alimentação, manejo nutricional e reprodutivo seguiram aqueles recomendados pelas respectivas empresas das genéticas avaliadas. Todas as fêmeas foram pesadas aos 110 dias de gestação e ao desmame. Ao parto, todos os leitões foram pesados individualmente, depois novamente às 24 horas pós-parto e ao desmame. Ao total foram utilizados 8.914, 6.581, e 3.114 leitões respectivamente para a genética A, B e C, de um total de 570, 414, e 216 fêmeas, respectivamente para genética A, B e C. As analises estatísticas foram realizadas submetendo os dados aos testes de normalidade, e quando necessário foram transformados para a análise. As análises foram feitas usando o modelo linear generalizado (GLM) e PROC MIX do programa estatístico SAS (versão 9.2). Foram inseridos no modelo os efeitos da granja, ordem de parto, temperatura e linhagem genética.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados do estudo encontram-se na tabela 1(imagens). Foi obervado efeito da linhagem genética sobre o numero de leitões nascidos totais e vivos (P<0,05). Onde as fêmeas da linhagem A apresentaram 15,81 nascidos vivos, 16,17 da linhagem B e 14,83 da linhagem C. O numero de leitões ao desmame também foi influenciado pela linhagem, sendo que as linhas A e B apresentaram um numero de leitões em média mais alto quando comparados com a linhagem C (12,57 vs. 13,02 vs. 11,66; respectivamente).  

CONCLUSÕES

A variabilidade do peso ao nascimento é um fator que impacta economicamente o sistema de produção. Os nossos achados indicam claramente haver um efeito da linhagem genética sobre a maior variabilidade e maior incidência de leitões de baixo peso ao nascimento. Desta forma, a escolha da genética associado com um manejo nutricional adequado auxiliarão na melhora da variação do peso ao nascimento e consequentemente, na maior sobrevivência dos leitões durante a fase de lactação e com isso, impactar positivamente na diminuição da taxa de mortalidade e proporcionar aumento do ganho econômico do sistema de produção.

 

 

 

 

 

Fonte: Alcici, P.F.1; Silva, B.A.N.2; Silva, K.F.1; Costa, M.X.1; Souza, J.P.P.1; Oliveira, N.C.1; Melo, M.L.1; T.V. Albuquerque3


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