Lembranças do Novilho Precoce

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Mesmo após uma viagem de 300 km, a camisa social perfeitamente passada sob o terno de veludo denotava a preocupação do Dr. José Fernandes Neto, então presidente da Associação Brasileira do Pardo Suíço, com a esperada reunião da ABNP (Associação Brasileira do Novilho Precoce) na charmosa sala de recreação do prédio que abriga o construtora Encalso, grupo proprietário da Damha Agropecuária no centro de São Paulo.

 

A ABNP, então presidida por Constantino, o Grego para os íntimos, buscava junto ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) a adoção do sistema de tipificação de carcaças em nível nacional, onde tal reunião seria o ponto de partida da discussão da proposta, abarcando todas associações de raças que perseguiam uma premiação para as carcaças dos animais abatidos até quatro dentes permanentes, com 3 mm de gordura de acabamento, pesando acima de 240 kg de carcaça.

 

Naquele momento o novilho precoce conseguiu um feito inédito, reunir numa mesma sala associações das diversas raças bovinas em prol de um objetivo maior, por si só um fato louvável deixando-nos realmente esperançosos quanto ao futuro da carne de qualidade no Brasil, já que participávamos da diretoria.

 

Mesmo com a intensa batalha ensejada pela ABNP, personificada pelo nosso secretário, Euler Matias – o qual destinava muito tempo para o processo -, o Mapa não deu sequência no processo de  tipificação.

 

Nos cinco anos que participamos da diretoria da ABNP, tivemos contatos com as alianças de carne que vicejam no Paraná e que vêm sendo um exemplo para outros grupos que pretendem vender carne diretamente ao varejo, fazendo a vez dos frigoríficos.

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Muitas vezes acreditamos que os frigoríficos seriam os responsáveis pela exportação e as alianças poderiam começar a entregar carcaças ou carne embalada com marca própria no mercado interno diferenciado, onde havia algumas dicas importantes para o sucesso da empreitada.

 

1 – Quantificar as carcaças ou a carne de qualidade que o varejo consome num raio de 50 km do frigorífico. Levante pequenos mercados e casas de carne idôneas;

 2 – Definição do prêmio das peças ou das carcaças homogêneas e de carne macia com selo com o varejista;

 3 – Reunião entre os produtores que possam entregar produtos precoces durante o ano todo (lembre-se: o preço de venda da arroba de macho e fêmea é o mesmo);

 4 – Contratar um frigorífico próximo para abate, mas antes solicite uma visita de um especialista para checar as condições e habilitar o mesmo;

 5 – Negociar com o frigorífico o abate, lembrando que alianças já existentes entregam desde apenas as vísceras pagando 25,00 por animal abatido até as vísceras e couro para o frigorífico fazer o abate, dar 48 horas de frio e entregar as carcaça no varejo. O caminhão gaiola é da aliança com motorista treinado em carregar e transportar com os cuidados necessários para evitar perdas nas carcaças;

 6 –  Escolha do administrador da aliança, pagando-o em torno de 2 à 2,5% sobre o faturado;

 7 –  Definição dos contratos de fornecimento por 12 meses;

 8 – Treinamento de um classificador de carcaça.

 

Outros detalhes contábeis de alianças mercadológicas

 

1 – O escritório central administrativo fica com a posse de todos blocos de NF dos produtores de carcaça;

 2 – Na venda de animais para o abate em frigorífico terceirizado é emitida uma NF de simples remessa para abate de X cabeças somente para efeito de GTA;

 3 – As carcaças serão distribuídas para o varejo com uma NF de vendas do produtor para o mercado (vai escrito na NF “Novilho Precoce Para Abate”);

 4 – O varejo emite um NF de compra no mesmo valor contra o produtor para matar a NF de venda do produtor;

 5 – O varejo também tem que emitir uma NF de remessa para o frigorífico terceirizado;

 6 – O frigorífico emite uma NF de produtos industrializados ao mercado;

 7 – Prazo médio de recebimento: 18, 21 ou 30 dias;

 8 – Quem paga o Funrural é o varejo;

 9 – Abatem na sexta e entregam na segunda, abatem na segunda e entregam na quarta-feira;

 10 – A escala é feita com duas a três semanas de antecedência.

 

E assim começaremos a abrir um caminho que o mercado nos concede, o do varejo interno.

 

Fonte: Alexandre Zadra.


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