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Importância da avaliação técnica e econômica na gestão da propriedade leiteira.
A pecuária leiteira nacional tem passado por mudanças em seu cenário e forçado os produtores a buscarem e a adotarem novas tecnologias de produção e ferramentas de gestão que possibilitem, não apenas aumentarem a lucratividade, mas também porque estão sendo pressionados a produzirem leite com qualidade, devido à exigência do mercado consumidor.
Um dos fatores decisivos para esta nova situação foi a implantação da Instrução Normativa 51, posteriormente complementada pela IN 62, onde estão estabelecidos parâmetros necessários de qualidade do leite, sem os quais se torna cada vez mais difícil o produtor se manter nesta atividade.
Entretanto, para maximizar a eficiência produtiva e, consequentemente, tornar-se mais competitivoé necessária a utilização de instrumentos efetivos de gestão de todos os recursos bem como o planejamento adequado de todas as atividades a serem desempenhadas na unidade de produção. Tal atitude pode ser o divisor entre se manter ou não na atividade.Para tanto é necessário o perfeito entendimento e interpretação dos índices zootécnicos e econômicos obtidos na propriedade, pois possibilitam a avaliação tanto da eficiência técnica quanto econômica da atividade e, consequentemente permitem a tomada de decisões para que se torne possível melhorar o desempenho ou introduzir novas tecnologias para aumentar não apenas a produção e a qualidade do leite produzido, mas também a lucratividade, objetivo maior do produtor.
Para tornar possível a avaliação da viabilidade do processo produtivo, é necessário determinarquais os fatores que interferem no processo, realizando a avaliação técnica e econômica da atividade através da comparação dos índices zootécnicos e econômicos obtidos na propriedade com os indicadores de resultados considerados ideais e também avaliar a adequação da atividade às exigências da IN 62.
Vale ressaltar que, os índices zootécnicos devem ser totalmente interpretados, pois, caso os mesmos não sejam conhecidos, pode acarretar na tomada de decisões equivocadas e ocorrerem problemas ainda maiores e gerarem conflitos econômicos na propriedade. Tais índices quando bem formulados possuem incidência direta sobre os índices econômicos que, por sua vez, remetem à viabilidade da atividade ou não.
São inúmeros os índices zootécnicos que devem ser anotados e monitorados em uma propriedade leiteira, tais como: produção média por vaca em lactação, produção de leite por hectare/ano, taxa de natalidade, idade do primeiro parto e intervalo entre partos, pois possibilitam a avaliação tanto da eficiência econômica quanto técnica da atividade.Para realizar as anotações das informações, primeiramente é necessário ter, entre os funcionários, uma pessoa capacitada para tal atividade; caso não exista, obrigatoriamente se torna necessário capacitar ou contratar alguém com este perfil. A pessoa responsável por esta atividade, deve estar consciente da importância em desempenhar este trabalho de uma maneira muito correta, pois estes dados estão intimamente relacionados com o melhoramento da produção do rebanho e possíveis correções quando necessário.
Estimar a eficiência é essencial para a tomada de decisão para que se torne possível melhorar o desempenho ou introduzir novas tecnologias para aumentar a produção, com os pés no chão.
Como forma de demonstrar como é feita tais avaliações utilizaremos um exemplo real obtido através de um estudo de caso. Para tanto utilizaremos como valores de referência dos índices técnicos, os recomendados pela EMBRAPA (2012) e considerando as seguintes áreas funcionais que compõem a atividade leiteira: Instalações e equipamentos, Recursos Humanos, Manejo Produtivo e Reprodutivo, Manejo Alimentar e Manejo Sanitário. Para avaliação dos índices econômicos foram utilizadas as recomendações da EMBRAPA (2006), sendo que os custos operacionais foram realizados segundo Matsunaga et. al. (1976).Para subsidiar o fator sanidade foram realizadas análises de composição do leite, Contagem de Células Somáticas (CCS) e Contagem Bacteriana Total (CBT) segundo metodologia laboratorial específica.
O exemplo se refere a uma propriedade situada na região norte do estado de São Paulo com área total de 50 ha, sendo 24,2 ha de área cultivada com cana-de-açúcar (6 ha destinados a alimentação do rebanho e 18,2 ha para usina), 10 ha com área de pastagem, 3 ha com mata e 3,5 ha de reserva legal os 9,3 ha restantes com instalações e áreas desocupadas.O rebanho composto por 15 vacas em lactação, 3 vacas secas, 3 novilhas, 9 bezerras, 5 bezerros; Produção diária de 200 litros de leite e produtividade média de 13,3 litros/vaca/dia. Devido a impossibilidade de apresentação de todas as avaliações apresentaremos a realizada no manejo produtivo e reprodutivo do rebanho (Tabela 1).
Através dos dados obtidos é possível concluir que:
– A produção por hectare não pode ser considerada adequada, entretanto é um fator que depende de outras variáveis a serem consideradas, tais como o aumento numérico dos animais do rebanho ou redução da área utilizada.
– O período médio de lactação das vacas é de 362 dias, acima do tempo considerado ideal que é de 305 dias (10 meses). Segundo Camargo (2000), períodos de lactação acima do ideal indicam problemas reprodutivos nos animais, assim como, períodos inferiores ao ideal significam que a vaca possui baixa persistência de lactação, na maioria dos casos estes problemas estão relacionados com o manejo inadequado. Sendo portanto, outra variável que merece maior atenção.
– As vacas em lactação, quando estão a 60 dias do parto, ou seja, no 10° mês de lactação e 7° de gestação, deixam a linha de ordenha com o intuito de garantir um bom desenvolvimento do feto e se preparar para o parto e para a lactação seguinte, chegando ao escore corporal próximo ao ideal. Tal ação está de acordo com o recomendado tecnicamente.
– O rebanho apresenta boa condição corporal (avaliada pela presença de gordura sobre as costelas, região lombar, as ancas e a inserção da cauda) medido através de valores denominado escore, que varia de 1 a 5, como segue: 1 (muito magra), 2 (magra), 3 (regular), 4 (boa) e 5 (gorda). Na prática a condição corporal ideal e desejada para a vaca parir é o escore 4, ou seja, “BOA” pois, nestas condições normalmente o cio aparecerá antes de 90 dias após o parto. Segundo a literatura, a melhor época para a vaca ganhar peso e atingir o escore ideal (4), é nos dois a três últimos meses antes de secar (final de lactação), e a classificada como boa é o período que a vaca está seca (dois meses antes do parto).
– A média da primeira inseminação das novilhas está em 15 meses, sendo considerado como ideal. Segundo literatura, as novilhas holandesas são consideradas aptas para a primeira inseminação quando estão entre 15 e 16 meses de idade e um peso médio de 340 Kg, que representa aproximadamente 60% do peso quando estiverem totalmente adultas.
– O intervalo entre partos (IP) apresenta uma média de 13,8 meses, um pouco acima do recomendado que é de 12 meses. Apesar de ser um índice a ser buscado, o encontrado pode ser considerado como bom.
– É utilizada a inseminação artificial e, esporadicamente, a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), com total controle do estoque de sêmen. Ressalta-se que, para a escolha do sêmen do reprodutor a ser utilizado na inseminação, é realizado um estudo completo com o objetivo que as qualidades do reprodutor corrijam alguns pontos fracos da matriz leiteira. Atualmente está sendo utilizado sêmem sexado nas novilhas e em algumas vacas, com o intuito de aumentar o número de nascimentos de fêmeas com o propósito de aumentar o plantel leiteiro.
– Em relação ao índice de concepções por inseminação obtida na propriedade, pode ser considerada boa, já que para cada duas inseminações é confirmada uma concepção (n° de serviços por concepção). Para o alcance deste índice é utilizada a seguinte estratégia em relação ao manejo reprodutivo: Novilhas: quando estão aptas a serem inseminadas, o funcionário observa o primeiro e segundo cio sem realizar nenhuma intervenção; no terceiro cio é realizada a inseminação com sêmen sexado. Vacas: se apresentarem cio natural no tempo esperado é realizado inseminação com sêmen sexado. Caso contrário é realizado a IATF, onde o cio da vaca é programado para posteriormente ser realizada a inseminação artificial, sendo que a primeira tentativa é feita com sêmen convencional. Caso não seja diagnosticado a prenhez na segunda tentativa, a inseminação é realizada com sêmen sexado.
Após 40 dias da inseminação artificial, o médico veterinário responsável realiza o toque para identificação da prenhez. Durante este período, um funcionário fica muito atento observando se os animais apresentam algum sinal de cio, sendo entendido, na maioria das vezes, como prenhez negativa.
– A secagem é realizada 60 dias antes da data prevista para o parto sendo realizado um total controle durante as fases reprodutivas das matrizes, para efetuar tal secagem no momento correto. Tal atitude é muito importante, pois se realizado corretamente, as vacas terão o período adequado tanto para descanso quanto para a preparação para a nova gestação porque, o período conhecido como o de transição (que consiste nos últimos 21 dias antes do parto até os 21 dias após o parto) é considerado o período mais crítico da fase reprodutiva e, o manejo inadequado pode gerar graves consequências tais como: prejuízo da gestação seguinte tanto quantitativamente quanto qualitativamente; ocorrência de elevadas taxas de doenças metabólicas (como febre do leite, cetose e deslocamento de abomaso no pós-parto) ocorrência de altos índices de mortalidade e descarte de animais após o parto; diminuição de resistência a doenças infecciosas e abortos.
Diante de tais conclusões que demonstram que apesar do bom manejo reprodutivo, existem dificuldades que podem estar comprometendo e interferindo nas metas do produtor em aumentar a produtividade como, por exemplo, a média alta de idade das vacas, podemos indicar ao produtor que faça algumas alterações e adote estratégias que irão contribuir para melhorar seus índices produtivos e reprodutivos, tais como: 1. Avaliar detalhadamente o rebanho e identificar possíveis descartes dos animais, que podem estar contribuindo para diminuir a produtividade por animal. 2. Reposição das vacas por novilhas que possam melhorar a padronização do rebanho. Entretanto, o ideal é que seja em número superiorao descarte com o objetivo de aumentar o número de animais e, consequentemente, otimizar os equipamentos e a infraestrutura.
Tabela 1: Avaliação do manejo reprodutivo e produtivo do rebanho.
| Área Funcional | Avaliação | ||||
| Manejo Produtivo do Rebanho | Parâmetros ideais | Ruim | Regular | Bom | Ótimo |
| Programa de controle de rebanho | Utilizado |
|
|
| X |
| Controle leiteiro | Realizado |
|
|
| X |
| Porcentagem de vacas em lactação | 80 a 83% |
|
|
| X |
| Produção por lactação | > 6.000 kg |
|
| X |
|
| Produção por ha | > 20.000 kg/ha/ano |
| X |
| X |
| Condição corporal ao parto (escore) | 4 (entre 1 a 5) |
|
|
| X |
| Período de serviço | < 100 dias |
|
| X |
|
| N° de serviços por concepção (nº de inseminação/prenhez confirmada) | < 1,5/1 |
|
| X |
|
| Idade ao 1° parto | 24 a 26 meses |
|
|
| X |
| Idade inseminação novilhas | 15 a 17 meses |
|
|
| X |
| Intervalo entre partos (IP) | < 13 meses |
|
| X |
|
| Período de lactação | 10 meses |
| X |
|
|
| Produção por dia de IP | > 15 kg de leite |
|
| X |
|
| Persistência de produção | 89-90% |
|
| X |
|
| Tipo de ordenha | Mecânica |
|
|
| X |
| Tipo de técnica reprodutiva | IATF |
|
| X |
|
| Diagnóstico de prenhez | Realizado |
|
|
| X |
| Controle de estoque de sêmen | Realizado |
|
|
| X |
| Controle de fertilidade de sêmen | Realizado |
|
|
| X |
Fonte: Dados da pesquisa
Após a avaliação de todos os parâmetros foi gerada a Figura 1. Nela é possível observar que,apesar de terem problemas pontuais que devem ser resolvidos, conformeressaltados acima, de forma geral, a propriedade possui mais pontos positivosque negativos.Nesse contexto podemos ressaltar que, os fatores de produção,rebanho, sanidade, alimentação, mão de obra, instalações e equipamentosestão dentro dos padrões adequados para a atividade leiteira e, portanto devemser ressaltados, de modo a permitir o incremento da produção e da receitaobtida e manter a sua competitividade. Por outro lado, os fatores de produçãorelativos à reprodução e a área econômica, evidenciam baixa eficiência edevem ser trabalhados porfuncionarem como entraves à atividade. Analisando o fator “reprodução”, a sua baixa eficiência pode estar relacionado com falhas na detecção de cio, baixo índice de prenhez e não realização de controle de fertilidadedo sêmen utilizado para IA.
Considerando o fator “econômico”, a sua baixa eficiência pode ser comprovada pelos seguintes resultados obtidos: c) Custo Operacional Efetivo: ideal-no máximo, 65% do valor da produção de leite, real – 150,9%. d) Custo Operacional Total: ideal – no máximo 75% do valor da produção de leite, real -194,6%. e) Margem Bruta (Renda Bruta – Custo Operacional Efetivo) por vaca em lactação: ideal -no mínimo, igual ao valor de 5 litros de leite/dia; real -negativo (-6,1). f) A margem bruta por vaca total do rebanho: ideal – no mínimo, igual ao valor de 4 litros de leite/dia; real: negativo (-5,1). g) Margem bruta anual: ideal – no mínimo 12% do valor do capital total investido (soma dos valores investidos em terra, benfeitorias, máquinas/equipamentos e animais); real: negativo (-5,7%). h) O custo do sistema de ordenha (depreciação do investimento, manutenção, energia elétrica e mão de obra do ordenhador): ideal -no máximo de 10% do valor da produção de leite; real – 57,7%. i) Margem líquida anual (Renda Bruta – Custo operacional total): ideal – no mínimo 6% do valor do capital total investido; real: negativo (-11,1%).
Figura 1. Avaliação geral dos fatores na propriedade estudada
Fonte: Dados da pesquisa.
Em relação à qualidade do leite, pela Tabela 2, percebe-se que os valores estão dentro dos padrões aceitáveis para a IN62, ou seja, a propriedade já se adequou às exigências. Estes dados refletem o indicado na Figura 1, em relação à eficiência na sanidade e alimentação do rebanho.
Tabela 2 – Resultados da análise do leite coletado em fevereiro de 2012.
| Gordura (%) | Proteína (%) | ESD (%) | NU (mg/dL) | CCS (1000 cel/mL) | CBT (1000 ufc/mL) |
| 3,02 | 3,32 | 8,65 | 15,5 | 124 | 35 |
Fonte: Dados da pesquisa
Este exemplo demonstra que este modelo de diagnóstico é fundamental para embasar as estratégias de ação visando o aperfeiçoamento do processo produtivo através da valorização dos fatores que envolvem a produção de leite que estão sendo trabalhados de forma correta e da correção daqueles considerados como gargalos para a produção. Além disso, é de fundamental importância para a tomada de decisões porque possibilita a utilização de todo o potencial produtivo existente e, com isso, torna-la eficiente tanto em termos técnicos quanto econômicos que, apesar de intimamente relacionados, no caso da propriedade estudada não estavam sendo trabalhados com tal correlação.
Fonte: Rehagro (Maria Imaculada Fonseca e Ricardo Toledo).
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