Elementos e materiais da natureza

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Ecologia industrial busca na natureza instrumentos para produção mais sustentável.

 

Na natureza, não há lixo. Os elementos e materiais são utilizados por diversos seres vivos, em um ciclo no qual nada se perde. O Nitrogênio da atmosfera, por exemplo, é fixado por microrganismos no solo ou nas raízes de plantas, que o absorvem. Estas são consumidas por animais, direta ou indiretamente, ao longo da cadeia alimentar. Os resíduos e restos mortais vegetais e animais são então consumidos por organismos de decomposição até dar origem a nitritos, nitratos e, novamente, Nitrogênio.

 

As atividades humanas, no entanto, têm caminhado de forma linear, como um tubo que desemboca em lixões e aterros sanitários cheio de materiais que levam séculos para se decompor. Na contramão desse modelo insustentável, surge o conceito de ecologia industrial, que foi discutido pelo professor Armando Caldeira-Pires, da Universidade de Brasília (UnB), com a equipe da Embrapa Agroenergia (Brasília/DF), durante seminário realizado em 02/07.

 

Caldeira-Pires explica que o conceito surgiu há cerca de 30 anos, na Europa, e busca transpor para a produção industrial a maneira cíclica de uso de recursos encontrada nos ecossistemas.  “Nós queremos usar essa forma de recirculação dos elementos no âmbito da gestão industrial, fazendo com que a necessidade de buscar novos recursos nos reservatórios naturais diminua porque nós utilizaremos o mesmo átomo várias vezes para fazer diferentes objetos necessários à sociedade humana”, detalha o professor.

 

A ideia é desconectar o crescimento econômico do crescimento do uso de materiais. “Os sistemas naturais não precisam de materiais novos; eles têm sempre a mesma quantidade de elementos se reciclando”, enfatiza Caldeira-Pires. Nessa lógica, o que antes era resíduo passa a ser matéria-prima, o que cria desafios de ordem legal e cultural. “Os empresários têm que conseguir ver naquele material uma matéria-prima barata, constante e segura”, salienta.

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Há também desafios para identificar tecnologias de processamento dos resíduos, bem como para desenvolvimento de metodologias de controle e quantificação dos impactos ambientais e dos ganhos associados ao uso dessas novas matérias-primas.

 

Algumas iniciativas têm colocado em prática o conceito de ecologia industrial. O Reino Unido criou em 2005 o Programa Nacional de Simbiose Industrial (NISP em inglês). Esse programa tem apoiado a introdução da produção cíclica no Brasil, principalmente em Minas Gerais e no Ceará. Ainda no território nacional, a Braskem , está aplicando essa metodologia à fabricação do chamado plástico verde.

 

O ciclo de produção não precisa se fechar em uma única indústria. Ecoparques podem e já têm sido estruturados, de modo que várias empresas utilizem as mesmas matérias-primas em diferentes estágios. Assim, cria-se uma rede de colaboração que favorece o ganho de escala e a aplicabilidade da simbiose.

 

Embora tenha como foco a pesquisa agropecuária, a Embrapa também tem atuado em projetos que envolvem atividades industriais que agreguem valor à produção rural. Nesse sentido, aplica o conceito de ecologia industrial em trabalhos envolvendo biorrefinarias, aproveitamento de coprodutos, bem na avaliação de ciclo de vida de produtos agroenergéticos. Mesmo nas pesquisas “da porteira para dentro”, as diretrizes da ecologia industrial podem ser aplicados. O pesquisador Gilmar Santos, da Embrapa Agroenergia, dá como exemplo a análise de ciclo de vida de cadeias agrícolas como a da cana-de-açúcar, florestas energéticas e a do pinhão-manso.  “A ecologia industrial tem uma aplicação cada vez maior na Embrapa, particularmente nas unidades que atuam mais diretamente em processo industriais, tais como a Agroenergia , a Agroindústria Tropical (Fortaleza/CE) e a Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro/RJ)”, ressalta Santos.

 

Fonte: Embrapa Agroenergia


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