Em Itajaí, o sonho da intermodalidade está próximo
No final de nossa viagem de 637 km chegamos ao Complexo Portuário de Itajaí, formado pelos terminais de Navegantes e Itajaí, localizados um em cada lado do rio Itajaí-Açu quando este desemboca no Atlântico, e que tem como grande projeto a ligação ferroviária entre o Oeste de Santa Catarina e o porto porque mais de US$ 2 bilhões são movimentados nesta rota anualmente em carnes congeladas de frangos, suínos e bovinos. Sozinho, o complexo foi responsável por 85% da balança comercial catarinense em 2012. A Ferrovia do Frango, como é conhecida, com pouco mais de 500 km de extensão, pode reduzir em pelo menos 20% os custos desta movimentação e teve seu edital para a contratação do projeto lançado em maio, com prazo de oito meses para ser concluído.
Com a linha, Itajaí completaria sua intermodalidade como nenhum terminal marítimo brasileiro. Está exatamente ao lado do aeroporto de Navegantes, com projetos de ampliação, um trabalho de dragagem permanente no rio também foi iniciado em junho, garantindo seu calado e está localizado no entroncamento entre as BR-101 e BR 470.
O porto é um dos poucos terminais brasileiros com concessão municipal, mas opera, na verdade, exatamente como um porto privado e sua vantagem é a forte especialização: mais de 95% da sua movimentação é de contêineres, sendo o segundo porto brasileiro neste tipo de operação, perdendo apenas para Santos. Com isso, o custo de movimentação de um contêiner está na faixa de US$ 275 dólares enquanto em Santos é de US$ 360.
Mas o completo portuário tem problemas. No lado esquerdo do rio, em Navegantes, onde opera a Portonave, o acesso é tranquilo para cargas e caminhões. No lado direito, em Itajaí, onde está instalada a APM Terminals, o trânsito de contêineres se confunde com o da cidade de ruas estreitas. O projeto de construção da Via Expressa Portuária, que reduziria o problema e aumentaria o espaço para armazenagem de contêineres, no entanto, anda muito devagar. O governo do estado também está buscando recursos de R$ 122 milhões para obras na bacia de evolução do Rio Itajaí, o que irá permitir manobra de navios com mais de 300 metros de comprimento. Uma segunda etapa, que contempla a readequação do molhe Norte da foz do Rio Itajaí, prevê mais R$ 165 milhões em obras. A previsão, no entanto, é a de que a movimentação de contêineres deve crescer mais de 10% em 2013, alcançando a 1 milhão e 200 mil TEUs (medida referente a um contêiner de 20 pés).
Fonte: Norberto Staviski / Foto: Marcelo Curia/Ed. Globo – de Itajaí – SC

