Olhar feminino tem mudado o perfil das lavouras
Qualquer decisão a ser tomada na fazenda de 2,5 mil hectares em Balsas, no sul do Maranhão, depende muito da opinião de Terezinha Sandri, uma gaúcha de 62 anos.
Ela e o marido, o agricultor Antídio Sandri, saíram de Planalto, no Rio Grande do Sul, há 36 anos, para semear a segunda lavoura de soja da história do cerrado maranhense. Na época, o local não passava de uma fronteira agrícola recente, que atraiu o casal por terras baratas e crédito subsidiado pelo governo.
O passado ficou eternizado no álbum da família: o casamento dias antes da viagem para o Maranhão, os quatro filhos e as primeiras lavouras semeadas em pequenas clareiras abertas no cerrado.
Quatro décadas de trabalho pesado depois e a propriedade cresceu. Eles foram comprando mais terras, investiram em tecnologia e dobraram a produtividade das lavouras de soja.
Toda safra da fazenda, cerca de 95 mil sacas, vai para fora do Brasil e quem fica de olho nos preços do mercado internacional é Terezinha. Ela barganha na negociação com as empresas estrangeiras.
Mas as atribuições da agricultora não param por aí. A tarefa que ela mais gosta é a de acompanhar o vai-e-vem das máquinas no campo.
As lavouras que avançam pelas chapadas são programadas por computador e tocadas com uso de satélites, mas nenhuma tecnologia substitui o olhar feminino que orienta os negócios da família Sandri.
Fonte: Globo Rural

