Vantagens econômicas no controle do canco cítrico
No acumulado de 5 anos, a prevenção ao cancro cítrico evita perdas no valor de R$ 1,61 para cada Real investido
Em três anos desde a decisão do governo brasileiro em parar com a obrigatoriedade da erradicação de todas as plantas nos talhões com incidência superior a 0,5% de plantas contaminadas com o canco cítrico, a doença que afeta as lavouras de citros teve sua incidência elevada em 893% nos pomares do Estado de São Paulo.
Desde 1957, quando o canco cítrico foi identificado pela primeira vez no Brasil, o setor citrícola nacional erradicava plantas contaminadas com a doença. A eliminação de plantas dentro de um raio de 30 metros ao redor da planta sintomática, quando a incidência no pomar é menor que 0,5%, é suficiente para erradicar a doença, segundo aponta Armando Bergamin Filho, docente do Departamento de Fitopatologia e Nematologia (LFN), da Escola Superior de Agricultura da USP/Esalq.
Em 2009, o governo brasileiro decidiu pela suspensão da obrigatoriedade com o argumento de que a doença estava sob controle.
Um estudo do economista e pós-graduando em Economia Aplicada da Esalq, André Sanches, concluiu que, no acumulado de 5 anos, a prevenção ao cancro cítrico evita perdas no valor de R$ 1,61 para cada Real investido; enquanto que, no acumulado de 20 anos, essa relação benefício-custo passa para R$12,82. Já no cenário em que 90% dos talhões contaminados não são erradicados, a relação é de negativos R$0,23 em perdas evitadas para cada Real investido no manejo, no acumulado de 5 anos, e de R$0,35, em 20 anos.
O estudo teve como objetivo analisar os benefícios econômicos de manter o cancro cítrico sob controle, avaliando os prejuízos evitados com a prevenção e controle da doença em venários de curto, médio e longo prazo. O projeto teve duração de dois anos, de janeiro de 2011 à dezembro de 2012, e contou com o apoio técnico e financeiro do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) para o desenvolvimento da pesquisa.
“Portanto, os resultados corroboram as vantagens econômicas de manter o cancro cítrico sob controle no Estado de São Paulo, demonstrando que no médio e longo prazos, a escolha do setor como um todo, de investir no controle e, principalmente, na prevenção à doença é financeiramente melhor comparada à opção de apenas um percentual do parque citrícola fazer o controle, e mesmo melhor do que a opção pelo convívio com a doença, como ocorre no Paraná”, finaliza o economista.
Fonte:Globo Rural

