Famílias de sem-terra vão deixar fazenda ocupada
Cerca de 400 famílias de sem-terra vão deixar fazenda ocupada desde agosto no Distrito Federal, trabalhadores estavam acampados há quase quatro meses na Fazenda Gama Catetinho, a cerca de 20 quilômetros do centro de Brasília.
As 400 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), acampadas há quase quatro meses na Fazenda Gama Catetinho (DF), vão desocupar a área a partir da tarde desta segunda, dia 3. A saída dos trabalhadores das terras que pertencem ao governo do Distrito Federal foi acordada depois de uma reunião entre representantes do movimento social e da Ouvidoria Agrária Nacional, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
A propriedade fica a mais de 20 quilômetros do centro de Brasília. O ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, explicou que o governo se comprometeu a fornecer lonas e transporte para as famílias acampadas e garantiu que as viaturas da Polícia Militar que estavam no local já deixaram o acampamento para garantir a tranquilidade na retirada dos trabalhadores.
– Também serão distribuídas cestas de alimentos para as 400 famílias até o final dessa semana – afirmou.
– Acertamos também que haverá reunião com o governo imediatamente após a desocupação da fazenda. Pode ser ainda hoje [segunda], se a desocupação for concluída, ou amanhã [terça] – acrescentou.
A coordenadora nacional do MST no Distrito Federal, Maria Lucimar Nascimento da Silva, afirmou que o movimento não vai divulgar o local para onde as famílias serão levadas. Segunda ela, a expectativa dos trabalhadores é conseguir um posicionamento do governo local em relação a toda questão agrária na região.
– O governo não veio para a mesa [de negociações hoje] porque disse que não negocia enquanto a área não estiver desocupada. Então vamos desocupar. Mas não estamos discutindo só o problema do Acampamento 22 de Agosto [uma menção à data em que a fazenda foi ocupada], mas a reforma agrária que está abandonada no Distrito Federal – destacou.
Segundo Lucimar, desde março deste ano, o movimento tenta marcar uma reunião para definir as prioridades dos trabalhadores sem terra, mas o governo ainda não agendou uma data para o debate.
– O Fórum da Reforma Agrária do Distrito Federal não está atendendo as demandas da reforma agrária. Não tivemos avanço. O único avanço até agora foram as intervenções da ouvidoria agrária em relação à violência contra o movimento – criticou, destacando que o MST na região reivindica o assentamento regularizado de quase duas mil famílias.
Gercindo José da Silva Filho ainda afirmou que mais 900 famílias acampadas no local pertencem a outros movimentos e também terão que deixar o acampamento.
Fonte: Agência Brasil / Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

