Recessão no japão e crise no oriente médio reduzem preços

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Incertezas sobre recessão no japão e crise no oriente médio reduzem preços do algodão, café, milho e soja em março


Boletim “Custos e Preços” da CNA mostra queda do preço da soja provocada por medidas tomadas pela China para conter consumo e inflação

Brasília (31/3) – Os reflexos do terremoto que atingiu o Japão, em março, influenciaram negativamente o ritmo dos preços do algodão, café, milho e soja no mercado internacional, gerando incertezas sobre o desempenho futuro das cotações da carne bovina no mercado internacional. Com exceção do café e do algodão, o desempenho negativo dos demais produtos também foi influenciado pela crise política no Oriente Médio. A avaliação está no boletim “Custos e Preços”, divulgado nesta quinta-feira (31/03) pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

“O mercado internacional da carne bovina, assim como nas demais commodities, foi afetado pela situação política e social do Oriente Médio e pela possível recessão no Japão após os desastres naturais e a contaminação radioativa dos alimentos”, revela o boletim. Há, no entanto, dúvidas em relação ao impacto desse cenário no mercado de carne bovina, pois o Japão pode aumentar as importações ou restringir a demanda até que o processo de reestruturação do país seja concluído. Enquanto não se tem mais clareza sobre o cenário externo, a demanda aquecida e a restrita oferta de animais para abate elevaram em 1,1% os preços da arroba do boi gordo no mês de março.

Além das incertezas sobre a recuperação do Japão e o fim da crise no Oriente Médio, os preços da soja também foram influenciados negativamente pela decisão da China, principal comprador da soja brasileira, de adotar medidas para reduzir o crescimento do país. As cotações recuaram 6,84%, em média, no mês de março, mas, em relação ao mesmo período do ano passado, os valores praticados em março são 39,26% superiores. As quedas mais expressivas foram registradas nos municípios de Rio Verde (GO) e Londrina (PR), superando 10,5% em relação ao mês de fevereiro.

No caso do milho, também pesou de forma negativa o fato do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ter apontado, em seu relatório, a possibilidade de redução no consumo de milho para ração, posição que pode elevar os estoques finais de milho dos Estados Unidos de 675 milhões de bushels para 825 milhões de bushels. O Japão é o maior importador mundial de milho e o principal comprador de carne de frango do Brasil. “Não está claro se o Japão pode vir a reduzir sua demanda por milho e aumentar a importação de carne de frango em função do risco de contaminação dos estoques locais de alimentos”, registra o boletim “Custos e Preços”. As cotações médias do grão recuaram 5,67% em março.

Os preços do algodão continuam em alta, mas a comparação entre as cotações praticadas na terceira e na segunda semana de março mostra queda de 0,38%, em média. As cotações no mercado interno registraram redução em função do recuo da demanda das indústrias, o que ocorreu devido à entrada da nova safra de algodão, estimada em dois milhões de toneladas. A retração de preços só não foi maior em virtude da escassez da oferta que vem sustentando a alta até o momento. As notícias de estragos nos reatores do Japão, no entanto, podem representar queda na demanda por parte das indústrias asiáticas.

A retração das cotações do café é justificada pela situação no Japão, um dos maiores importadores de café do mundo. “Acredita-se que o Japão pode reduzir a demanda pelo grão, decisão que pode inverter a tendência de alta de preços observada ao longo dos últimos seis meses”, aponta o boletim. No município de Luís Eduardo Magalhães (BA), os preços do café recuaram 8,93%.

CACAU – A partir deste mês, o cacau também fará parte da lista de produtos (arroz, feijão, milho, leite, café, boi, soja e algodão) analisados pelo boletim mensal da CNA. Os preços da amêndoa têm subido desde o começo do ano, mas as incertezas políticas na Costa do Marfim, grande produtor mundial, e a suspensão das importações de cacau desse país pela União Européia derrubaram as cotações nas últimas semanas de março. O preço da arroba, que em outubro de 2010 chegou à menor cotação em 12 meses (R$ 77), subiu e alcançou R$ 92,30, na primeira semana de março.

Assessoria de Comunicação CNA
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