Resumo do mercado financeiro, por Socopa Corretora
A crise nuclear no Japão continua a preocupar os investidores e as incertezas que envolvem o mundo árabe pesaram nas bolsas mundiais ao longo da semana. Mas, nas últimas duas sessões o noticiário trouxe um alívio com os primeiros resultados das tentativas de amenizar a sitação da usina nuclear de Fukushima, além da decisão do G-7 em intervir no mercado de câmbio para tentar frear a valorização do iene frente ao dólar e o cessar fogo anunciado na Líbia, abrindo uma brecha para as bolsas internacionais retomarem o fôlego e ensaiarem uma recuperação das fortes perdas recentes. Assim, o Ibovespa conseguiu fechar o período com igeiro avanço de 0,29%, aos 66.879 pontos.
As ações da B2W fecharam esta semana como principal baixa dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando queda de 7,97%, cotadas a R$ 23,90. Nesta manhã, a B2W frustrou as expectativas de analistas ao anunciar um prejuízo líquido de R$ 14,2 milhões nos três últimos meses de 2010. A média das projeções entre Ágora e Barclays apontava para ganhos de R$ 15,5 milhões no período.
Por outro lado, também repercutindo os resultados, a Hypermarcas encerrou a semana liderando os ganhos dentre as ações do índice, com alta de 10,0%, cotadas a R$ 19,80. No 4T10, a empresa registrou lucro líquido de R$ 87,915 milhões, crescimento de 5,8% na comparação do resultado trimestral com o mesmo período de 2009. Com este valor, o lucro líquido acumulado em 2010 foi de R$ 261,901 milhões. A Hypermarcas destacou o crescimento da sua receita líquida na passagem entre 2009 e 2010: 60,7%.
Cautela com o Japão
Um dos grandes responsáveis pelo clima de aversão ao risco instaurado nos mercados ao longo da semana foi o noticiário japonês. Depois da pressão das incertezas sobre o tamanho real do prejuízo causado pelo desastre de uma semana atrás, assim como o impacto negativo da forte valorização do iene diante do dólar, o mercado amanheceu nesta sexta-feira com o anúncio de que o G-7 irá intervir com medidas cambiais para prevenir a forte alta do iene após a catástrofe no Japão, confirmando especulações que já rondavam as bolsas na última quinta-feira.
Mesmo assim, embora os esforços para o resfriamento dos reatores da usina nuclear de Fukushima estejam, aos poucos, gerando resultados, a situação por lá ainda está longe de ser tranquila. Isto porque, nesta sexta-feira, o governo japonês elevou o alerta de ameaça de acidente nuclear e a mudança na direção dos ventos pode começar a levar a radiação para regiões próximas de Tóquio até o próximo domingo. O primeiro ministro japonês Naoto Kan declarou que a crise nuclear no país ainda é "muito grave".
Vale destacar que apenas na última terça-feira, após uma nova explosão na usina nuclear de Fukushima, o principal índice da Bolsa de Tóquio recuou mais de 10%. Ante as preocupações derivadas dos desastres no Japão, o BoJ (Bank of Japan), que um dia antes já havia atuado no sistema financeiro do país para garantir a liquidez do mercado financeiro no curto prazo, injetou mais ¥ 20 trilhões na economia japonesa, ou US$ 245 bilhões, numa tentativa de acalmar os investidores. A medida foi projetada para assegurar aos bancos liquidez suficiente para atender a demanda das empresas e famílias que buscam levantar recursos após as catástrofes.
Líbia volta a pressionar mercados
Apesar de um pouco ofuscada pelo noticiário japonês, a Líbia voltou a chamar a atenção dos mercados nesta semana, após os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas terem aprovado na última quinta-feira a utilização de medidas de proteção aos civis residentes na Líbia, frente aos ataques realizados pelo governo de Muammar Gaddafi para conter os manifestantes.
Nesta sexta-feira, o ministro de relações exteriores da Líbia, Moussa Koussa, anunciou um imediato cessar fogo contra os rebeldes no país, reagindo à perspectiva de intervenção militar após a aprovação de resolução pelo Conselho de Segurança da ONU. Logo após o anúncio, o petróleo sentiu reflexo imediado, invertendo a tendência positiva vista durante boa parte do pregão e fechando em baixa.
Mesmo com a resolução do Conselho de Segurança da ONU que autorizou uma intervenção militar na Líbia e a promessa do governo do país de que um cessar fogo foi adotado, a situação continua tensa: relatos continuaram a chegar da Líbia com informações de que a artilharia continua contra cidades sob controle dos manifestantes.
Cena interna: indicadores e rumores em foco
No front doméstico, a semana começou com os investidores novamente atentos aos rumores de que o ministério da Fazenda pode elevar a taxação do IOF sobre capital externo em renda fixa e variável. Entre outras medidas especuladas, o governo poderia também intervir para tentar segurar a apreciação do real frente ao dólar com a imposição de quarentena ao dinheiro estrangeiro ingressante no Brasil, por exemplo. Não houve, porém, nenhum anúncio oficial ao longo da semana.
Na segunda-feira, ganhou destaque o Relatório Focus do Banco Central, que trouxe a terceira redução consecutiva na expectativa de crescimento da economia brasileira neste ano, indo de 4,29% para 4,10%. Falando em PIB, a Pesquisa de Projeções Macroeconômicas e Expectativa de Mercado realizada pela Febraban, e divulgada na terça-feira, mostrou que a economia nacional deve crescer 4,2% em 2011. O número representa uma ligeira queda frente a projeção de crescimento de 4,6% auferida na última pesquisa, em fevereiro.
Nesta semana, o mercado repercutiu ainda a balança comercial brasileira, que registrou superávit de US$ 841 milhões nas duas primeiras semanas de março. O Ministério do Trabalho divulgou o Caged de fevereiro, quando foram criados 280,8 mil postos formais de trabalho, bem acima do recorde anterior para o mês, referente a 2010, que era de 209,4 mil vagas.
Ainda na cena doméstica, também ganharam destaque os dados de vendas do comércio varejista em janeiro. Segundo o IBGE, no primeiro mês deste ano, as vendas no varejo cresceram 1,2% em relação a dezembro e 8,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que a indústria brasileira que exporta para o Japão deve sofrer no curto prazo, mas no futuro esse tendência será revertida, dado o volume de encomendas para a reconstrução do país. "O efeito que pode ocorrer agora em alguns setores pode ser contrabalançado pelo aumento de encomendas em outros, para a reconstrução do país. Podemos perder por um lado, mas há um aumento por outro, então o saldo fica positivo", destacou Lupi.
Entre os índices de preços divulgados na semana, o IGP-10, a prévia mensal do IPC-Fipe e o IGP-M preliminar registraram diminuição no ritmo de inflação frente aos dados anteriores. Por outro lado, o IPC-S apontou novo aumento da inflação na segunda semana de março, marcando variação de 0,64%, taxa 0,05 ponto percentual superior àquela vista na semana anterior.
Fed mantém juros nos EUA
Lá fora, na terça-feira, a segunda reunião do Fomc em 2011 terminou sem novidades sobre a política monetária norte-americana, como já esperado pelo mercado. A taxa de juro da maior economia do mundo foi mantida na faixa entre 0% e 0,25% ao ano, assim como a frase "por um extenso período de tempo", indicando que a Fed Funds Rate seguirá nesse patamar ainda por um bom tempo.
O Fed também atendeu às expectativas e não anunciou mudanças em seu programa de compra de títulos: o QE2, como foi apelidada a nova rodada de flexibilização quantitativa do Banco Central norte-americano, segue em US$ 600 bilhões, e terá seu fim no segundo trimestre de 2011. O reinvestimento do principal dos ativos também continua. O banco central também manteve a frase de que irá rever "regularmente" o patamar de compras de títulos e também o montante total do programa, e que promoverá ajustes caso necessário.
Outras referências norte-americanas
Além da decisão do Fed, a semana contou ainda com importantes indicadores econômicos na cena norte-americana. Dentre eles, mostraram dados melhores que o esperado pelo mercado o número de pedidos de auxílio-desemprego na semana de até 13 de março, índice que mede a evolução dos preços ao consumidor nos EUA em fevereiro, e o nível de atividade industrial na região da Filadélfia em março.
Outros indicadores que surpreenderam positivamente foram o NY Empire State Index, o Import Prices – que mede os preços de importação – e o índice de preços ao produtor, todos referentes ao mês de fevereiro. Em contrapartida, o Leading Indicators e produção industrial no país mostraram dados aquém do esperado em fevereiro.
Na mesma linha, também desanimaram os investidores os resultados do Housing Starts, que mede o número de casas em início de construção no país, e o número de autorizações para construção de novas casas nos EUA, ambos referentes ao segundo mês deste ano.
Ainda por lá, o mercado recebeu bem nesta sexta-feira o anúncio de que o Federal Reserve concluiu os testes de estresse realizados no ápice da crise financeira, abrindo o sinal verde para que as 19 instituições financeiras que passaram pela análise elevassem seus dividendos e retomassem projetos de recompra de ações. Em resposta imediata, JPMorgan, Wells Fargo, BB&T e US Barcorp já anunciaram aumento na remuneração aos seus acionistas.
Portugal é destaque no noticiário europeu
No continente europeu, Portugal se manteve no centro das atenções, após ter seu rating cortado pela agência de classificação de risco Moody’s, de A1 para A3, com perspectiva negativa. A agência destacou os riscos para implantação de ajuste fiscal e o pior cenário para o crescimento do PIB do país nos próximos anos.
Segundo os dados divulgados pela Eurostat, em janeiro deste ano o déficit externo da Zona do Euro foi de € 14,8 bilhões. Por sua vez, o BCE divulgou que o saldo negativo de conta corrente para o mesmo grupo de países caiu de € 12,5 bilhões para € 700 milhões entre dezembro e janeiro passados.
Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,670, alta de 0,24% na variação semanal.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, que encerrou a semana sem tendência definida, o contrato com vencimento em janeiro de 2012, o qual apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,34%, estável em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,85% de seu valor de face, alta de 0,08% na semana.
O indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 182 pontos-base, alta de 15 pontos na variação semanal.
Fonte: Socopa Corretora

