A escolha da semente da abóbora é muito importante

Compartilhar

Viviane Talamini*
Semíramis Rabelo Ramalho Ramos*


        Em experimentos de pesquisa realizados em áreas de agricultores familiares, a  Embrapa Tabuleiros Costeiros de Aracaju (SE)  detectou, no ano de 2009, a ocorrência da antracnose em Simão Dias, região Agreste de Sergipe, município com expressão no cultivo e comercialização da abóbora.
        Nas cucurbitáceas, como abóbora, pepino, chuchu, melão e melancia, a antracnose ocorre com frequência e causa prejuízos bastante elevados. Essa doença afeta toda a parte aérea da planta causando manchas nas folhas, caule e frutos. Quando a doença incide nos frutos, os deprecia comercialmente e os inutiliza para o consumo.
        A principal medida de controle é a prevenção visando evitar a entrada da doença na área de cultivo. Dentre os métodos preventivos destaca-se o uso de sementes sadias. Caso o agricultor produza as próprias sementes, como normalmente ocorre com as variedades locais, deverá obtê-las sempre de plantas e frutos sadios, livres de qualquer sintoma de doença. Caso adquira as sementes comerciais para plantio, deverá buscá-las em fontes idôneas.
        Várias doenças podem ocorrer durante o ciclo produtivo da abóbora Dentre elas, destacam-se a antracnose, a fusariose, e o crestamento gomosos do caule causados pelos fungos Colletotrichum gloeosporioides, Fusarium spp. e Didymella bryoniae respectivamente; a mancha angular causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. lachrymans; e o mosaico provocado pelo vírus do mosaico da abóbora (Squash mosaic virus – SqMV).
        Todas essas doenças têm os seus agentes causais transmitidos pelas sementes. Ou seja, tais microorganismos podem ser carregados na superfície ou no interior da semente que, se for semeada, poderá não germinar ou gerar uma planta doente no meio da plantação. A partir desta planta, a doença será passível de ser disseminada para as outras plantas caso as condições ambientais sejam favoráveis. Como exemplo, ocorrência de respingos de chuva/irrigação, vento e temperatura ideal.  Desta forma as sementes constituem eficientes meios de disseminação e transmissão de patógenos e, frequentemente, introduzem novos patógenos em áreas isentas e pode ainda reduzir a qualidade fisiológica (germinação e vigor) das mesmas. Diante disso e na moderna concepção de controle de doenças de plantas, dentre as inúmeras medidas que podem ser empregadas pelo produtor de abóboras, o uso de sementes sadias ou sementes com qualidade sanitária é de grande importância.
        No Brasil, as espécies olerícolas plantadas por meio de sementes ocupam área em torno de 500 a 550 mil hectares. As cucurbitáceas compõem a segunda família de maior importância econômica, com destaque para as abóboras (Cucurbita moschata) cujo volume comercializado na Central de Abastecimento do Estado de São Paulo (CEAGESP-SP), no ano de 2008, foi de 90.606 toneladas. Esta hortaliça é utilizada tradicionalmente na alimentação da população, especialmente a nordestina.  Grande parte da produção na região Nordeste é proveniente do plantio de pequenos e médios produtores. No Estado de Sergipe são plantadas as variedades denominadas tradicionais, também denominadas locais, crioulas, comuns ou “Tieta”. A produção abastece o mercado interno e os frutos são também comercializados de forma intensiva para outros Estados do Brasil.
   
 

*Viviane Talamini e Semíramis Rabelo Ramalho Ramos são pesquisadoras da Embrapa Tabuleiros Costeiros

Crédito fotos: Viviane Talamini

Legenda foto
Quando a antracnose atinge o fruto, ele fica depreciado comercialmente. Mancha da antracnose em fase adiantada de desenvolvimento. O cuidado com a semente pode evitar o problema.

 

-- 
Ivan Marinovic Brscan (RP 1634/09/58/DF) 
Assessoria de Imprensa
Embrapa Tabuleiros Costeiros (CPATC)
Aracaju - Sergipe
ivan@cpatc.embrapa.br  http://www.cpatc.embrapa.br/
(79) 40091381   


 


Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *