Açúcar: Demanda favorece ano de novos recordes de preços

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Em 2010, o mercado de açúcar foi marcado por fortes altas de preços, tanto no mercado doméstico como no internacional. Segundo pesquisadores do Cepea, uma das principais causas das reações expressivas foi a redução dos estoques mundiais, que têm baixado desde 2008, quando houve déficit expressivo. No ano seguinte, um novo déficit agravou a situação dos estoques e os preços internacionais começaram a reagir com altas acentuadas que atraíram especuladores.

Em resposta aos preços favoráveis, grandes produtores aumentaram a área plantada, de forma que a expectativa era de que, em 2010, o mercado voltasse a ter algum equilíbrio entre oferta e demanda, em termos agregados. No entanto, quebra de safra em produtores importantes por fatores climáticos (excesso de chuva em alguns casos e estiagem em outros) trouxe de volta a instabilidade. Outros fatores, não menos importantes, que agitaram os preços foram as condições macroeconômicas que provocaram oscilação do dólar, levando investidores a alternar sua participação no mercado e acarretando incremento geral nos preços de commodities, não apenas do açúcar.

A produção e as exportações brasileiras evidenciaram o papel de destaque do Brasil no mercado mundial de açúcar. A safra brasileira de cana, apesar de superior à passada, ficou abaixo da expectativa inicial do setor, acentuando os aumentos de preços internacionais praticamente a cada divulgação de safra feita pela Unica.

As expectativas com relação à safra da Índia, que começou a ser colhida em outubro, são de recuperação do equilíbrio interno, podendo resultar até mesmo em pequeno superávit. Assim, a participação indiana no mercado internacional não deve ser suficientemente expressiva para alterar a situação que se configurou.

A conjunção de escassez da commodity com baixos estoques e dificuldade em prever quando o mercado poderá voltar à normalidade fizeram com que o ano de 2010 ficasse marcado por novas e fortes altas de preços, batendo recordes nos mercados internos e externos.

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No Brasil, conforme dados do Cepea, o ano começou com preços bem elevados, acima dos R$ 70,00/saca de 50 kg, próximos aos praticados em dezembro. Com a desvalorização das bolsas internacionais e início da colheita 2010/11 na região Centro-Sul, usinas não conseguiram manter tais patamares e voltaram a vender açúcar cristal de boa qualidade na casa dos R$ 40,00 (o menor valor do ano, de R$ 39,99/sc, foi observado no dia 6 de julho).

Entre maio e agosto, pico de safra, os preços ficaram entre R$ 40,00 e R$ 50,00, porém já revertendo a tendência baixista. Segundo pesquisadores do Cepea, neste período, o setor açucareiro se deparou com problemas logísticos e filas enormes para embarque de açúcar devido à forte demanda internacional, além do consumo interno também aquecido. A disputa entre consumidores internos e externos inflacionou os preços da commodity, que também tiveram ajuda da forte valorização das cotações futuras – impulsionadas pela oferta baixa no curto e médio prazo, alta demanda e crescimento da safra brasileira abaixo do esperado.

A partir de setembro, os preços avançaram em direção à máxima de R$ 76,20 em 22 de dezembro, também valor recorde (termos nominais). Do menor valor (início de julho) para o maior (final de dezembro), houve valorização de expressivos 90,55%. Em termos reais (IGP-M), a média de fevereiro/10, R$ 75,94/sc, é a maior do histórico Cepea, iniciado em 1996.

Batendo recordes de trinta anos, a Bolsa de Nova York (ICE Futures), principal referência internacional para o mercado de açúcar, chegou a 33,98 centavos de dólar por libra-peso no dia 23 de dezembro. No início do ano, a cotação até chegou ao redor de 29 centavos de dólar, mas foi a partir de novembro que ela rompeu a barreira dos 30 centavos e seguiu avançando até o patamar atual.

Bem diferente das previsões iniciais sobre a safra da região Centro-Sul brasileira, que chegavam a 570-590 milhões de toneladas de cana moída, de acordo com a Unica, a safra 2010/11 não deve chegar a 560 milhões. De 1º de abril a 1º de dezembro, a moagem somava 543,68 milhões de toneladas de cana (aumento de 8,86% sobre 2009/10), resultando em produção de 33,02 milhões de toneladas de açúcar (elevação de 24,61%).

Segundo dados da Secex, as exportações de açúcar bruto (VHP) totalizaram 17,7 milhões de toneladas de abril a dezembro de 2010, 37% a mais que no mesmo período de 2009 (12,9 milhões).

Paralelamente às exportações aquecidas, o ritmo da economia brasileira também estimulou a demanda interna. Nesse contexto, mesmo com a produção nacional crescendo, compradores tiveram dificuldade de adquirir açúcar, a menos que aceitassem os fortes reajustes que se sucedem.

Ao longo de 2010, a remuneração proporcionada pelo açúcar esteve sempre acima da obtida com o etanol, segundo cálculos do Cepea. A menor vantagem do açúcar frente tanto ao anidro como ao hidratado foi vista na primeira quinzena de julho, época em que o açúcar estava nos menores níveis de preço da safra. Naquele período, o açúcar cristal considerado para o Indicador CEPEA/ESALQ remunerou em média 32% a mais que o etanol anidro e 43% a mais que o hidratado – Indicadores CEPEA/ESALQ, todos referentes ao estado de SP. Do final de março até final de abril, no entanto, a vantagem do açúcar sobre o anidro havia chegado a 130% e, em relação ao hidratado, a 155%.

Analisando-se a comercialização do açúcar no mercado doméstico (estado de SP) e no exterior (referência Euronext Liffe – contrato no. 5), em 32 semanas de um total de 50, a venda doméstica remunerou mais que a exportação, com a vantagem variando de 1% a 67%.

No dia 30 de dezembro, o Indicador do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) fechou a R$ 76,32/saca de 50 kg, ligeira alta de 1,01% no acumulado do mês.

Fonte: Cepea


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