Mais um dia volátil, a espera de dados da semana
São Paulo, 8 de junho de 2010 – O pregão de hoje deverá ser marcado pela
volatilidade, novamente, já que investidores continuam com receio da crise
gerada na Europa, a espera de novas notícias e também, na expectativa por dados
importantes que ainda serão divulgados nesta semana, como o Livro Bege nos
Estados Unidos e dados da economia chinesa.
Essa é a opinião de analistas consultados pela Agência Leia, que também
lembram da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro
trimestre. Para eles, porém, esse dado não deverá mexer com o mercado, pois o
resultado já foi "precificado".
"A Europa ainda vai ser o grande foco durante muito tempo. Neste sentido, o
foco internacional desta terça-feira é a divulgação do plano econômico da
Hungria, para combater o déficit e, ao mesmo tempo, promover o crescimento da
economia", opina a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares.
Há pouco, o Ibovespa futuro, com vencimento em junho, operava em alta de
0,60%, a 61.620 pontos, indicando abertura em campo positivo.
Nos Estados Unidos, não há indicadores previstos para hoje, enquanto que na
Europa, divulgações foram feitas na Alemanha, com destaque para a produção
industrial em abril, informada pelo Ministério de Economia e Tecnologia. Segundo
o órgão, a produção industrial subiu 0,9% em abril na comparação com março,
quando teve uma alta revisada de 4,3%. Em relação a abril do ano passado, o
avanço foi de 13,3%.
Além disso, o Escritório Federal de Estatísticas Destatis informou que a
balança comercial da Alemanha registrou superávit de 13,4 bilhões de euros em
abril, alta de 38,1% em relação ao saldo positivo de 9,7 bilhões de euros
apurado em abril de 2009.
Entre os indicadores divulgados hoje no Brasil, o destaque fica com o
Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, informado há pouco pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos três primeiros meses
do ano, o crescimento foi de 2,7%, em relação ao quarto trimestre de 2009, com
o PIB somando R$ 826,4 bilhões. A Taxa de Investimento neste período subiu para
18,0% e a Taxa de Poupança Bruta atingiu 15,8%. Em relação ao primeiro trimestre
de 2009, o PIB cresceu 9,0%
O resultado veio acima do esperado pelo mercado, que estimava um avanço de
2,6% no PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2010, na comparação com o quarto
trimestre do ano passado, segundo a mediana das projeções do Termômetro Leia,
pesquisa feita com instituições financeiras com as previsões para os principais
indicadores do País. Considerando a comparação com o primeiro trimestre de 2009,
o resultado também veio acima da estimativa do mercado, de 8,75%.
Além disso, o IBGE também divulgou o Levantamento Sistemático de Produção
Agrícola, correspondente ao mês de maio, que indicou que a safra nacional de
cereais, leguminosas e oleaginosas deve somar 145,8 milhões de toneladas em
2010, 8,8% maior que a obtida em 2009 (134,0 milhões de toneladas) e 0,1% menor
que a safra recorde de 2008 (145,9 milhões de toneladas).
Ainda na agenda de indicadores brasileira, o Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central inicia hoje sua reunião para decidir a trajetória da
taxa básica de juros (Selic) do País.
A maioria dos analistas de mercado, consultados pela Agência Leia, acredita
que o Copom elevará a Selic em 0,75 ponto percentual nesta reunião, que começa
amanhã e termina na quarta-feira. Entre as 66 instituições ouvidas pelo
Termômetro Leia, 58 apostam em alta de 0,75 ponto porcentual, enquanto 7
acreditam em elevação de 0,50 ponto. Uma prevê avanço de 1 ponto.
Hoje pela manhã, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o Indice de Preços
ao Consumidor Semanal (IPC-S), que registrou inflação de 0,21% na primeira
quadrissemana de junho. O resultado ficou 0,57 ponto percentual abaixo do
apurado no mesmo período de maio (0,78%), e estável em relação ao fechado de
maio.
Ainda nesta terça-feira, o Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulga, às 9h45, o Custo de Vida na Cidade de
SP, correspondente ao mês de maio.
No cenário corporativo, a Petrobras informou, ontem à noite, que um
vazamento em torno de 1,5 mil litros de óleo foi identificado pela manhã próximo
à plataforma de processamento P-47, localizada no campo de Marlim, na Bacia de
Campos, a 160 quilômetros de Macaé. O vazamento já foi controlado.
Segundo nota à imprensa, o episódio foi causado por um mangote, que
transportaria o óleo da plataforma para o navio Cap Jean. A operação ainda não
havia começado quando aconteceu o vazamento. No pregão de ontem, as ações
preferenciais da empresa (PETR4) subiram 0,92%, a R$ 29,52, enquanto as
ordinárias (PETR3) valorizaram 0,56%, a R$ 33,99.
Também ontem à noite, a BM&FBovespa informou que, no mês passado, o segmento
Bovespa movimentou R$ 152,93 bilhões, ante R$ 138,74 bilhões de abril, sendo
que a média diária ficou em R$ 7,28 bilhões, ante R$ 6,93 bilhões no mês
anterior. No mês passado, foram realizados 10.261.145 negócios, com média diária
de 488.626, recorde histórico, enquanto em abril, foram 8.098.072, com média de
404.904 negócios.
O valor de mercado das 375 empresas com ações negociadas na BM&FBovespa
atingiram R$ 2,14 trilhões ao final do mês passado, sendo que em abril esse
valor estava em R$ 2,27 bilhões, com 377 companhias. Ontem, as ações da
BM&FBOVESPA (BVMF3) registraram leve queda de 0,09%, a R$ 11,73.
Ainda no cenário corporativo, a Cielo informou que foram registradas mais de
8,22 milhões de transações feitas com cartões Visa no domingo, o que representa
um recorde de operações em um mesmo dia.
O número é 53% maior que o obtido no mesmo período do ano passado. A
companhia ressalta que o maior movimento aconteceu entre o meio-dia e às 13
horas, quando foram capturadas 299 transações por segundo, o que totaliza 822
mil operações em uma hora. No pregão de ontem, as ações da empresa (CIEL3)
subiram 2,91%, a R$ 15,90.
Já no setor de transporte, a Gol Linhas Aéreas Inteligentes informou na
noite de ontem, que registrou um crescimento da demanda por sua malha aérea de
14,5% em maio, na comparação com o mesmo período de 2009. Foram 2.185,5
passageiro-quilometro transportado (RPK) ante 1.908,5 em maio do ano passado.
Nos voos domésticos o crescimento foi de 14,9%, de 1.700,2 RPK para 1.953,3 RPK.
O mercado internacional teve expansão de 11,5%, de 208,3 RPK para 232,2 RPK.
A Gol também registrou um aumento de 13,6% em toda a sua oferta de voos,
passando de 3.293,8 assento-quilômetro disponível (ASK) para 3.740,9 ASK. No
mercado doméstico a oferta subiu 16,4%, para 3.321,0 ASK. No entanto, a empresa
registrou queda nos voos internacionais, passando de 441,9 ASK para 419,9 ASK,
comparando maio de 2010 com 2009.
A taxa de ocupação total subiu 0,5 ponto percentual em maio, comparando com
o mesmo período do ano passado, alcançando 58,4%. O mercado nacional registrou
58,8% e o internacional atingiu 55,3%.
Pelo fato de maio ser um mês mais voltado para viagens de negócios e com
taxas de ocupação mais baixas em comparação com outros períodos, os yields
apresentaram alta próxima de R$ 21,50, Com isto, eles ficaram em patamares
ligeiramente acima das perspectivas financeiras da empresa. No pregão de ontem,
as ações da empresa (GOLL4) subiram 1,17%, a R$ 21,60.
Por fim, a Açúcar Guarani informou que a Tereos Internacional, sua acionista
controladora, protocolou ontem o requerimento de registro inicial de companhia
aberta na categoria A, perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Além
disso, a Tereos também fez o requerimento da listagem de suas ações no Novo
Mercado da BM&FBovespa.
Levando em consideração que na assembleia do próximo dia 24 será aprovada a
incorporação das ações da Guarani, que não estão detidas pela Tereos, e que o
registro inicial de companhia aberta e a admissão das ações para negociação no
Novo Mercado aconteçam dentro do previsto, as ações de emissão da Tereos
Internacional atribuídas aos acionistas da controlada começarão a ser negociadas
na BM&FBOVESPA sob o código TERI3, a partir de 29 de julho de 2010. Ontem, as
ações da Açúcar Guarani (ACGU3) subiram 1,02%, a R$ 3,98.
Mercados internacionais
Nos Estados Unidos, os índices futuros, com vencimento em junho, operavam em
terreno positivo. O Nasdaq valorizava-se em 0,22%, a 1.799,75 pontos. Já o Dow
Jones, avançava 0,29%, a 9.823 pontos. O futuro S&P 500 operava em alta de
0,39%, aos 1.052,10 pontos.
Na Europa, os principais índices operavam em queda. O CAC-40, da Bolsa de
Paris, há pouco, tinha perdas de 0,87%, a 3.383,76 pontos e o DAX-30, de
Frankurt operava em queda de 0,82%, a 5.856,27 pontos. O FTSE, da bolsa de
Londres, tinha desvalorização de 0,95%, a 5.021 pontos.
Os índices das principais bolsas asiáticas encerraram o pregão desta
terça-feira em alta. O Nikkei 225, de Tóquio, subiu 0,18%, a 9.537,94 pontos, o
Hang Seng, de Hong Kong, terminou com valorização de 0,56%, a 19.487,48 pontos,
o Kospi, da bolsa de Seul, expandiu 0,82%, a 1.651,48 pontos e o Xangai
Composto, da bolsa de Xangai, fechou o dia em alta de 0,09%, a 2.513,95 pontos.
Petróleo
Há pouco, o mercado de petróleo operava em terrenos opostos. Em Nova York, o
WTI, com vencimento em julho, tinha ganhos de 0,16%, a US$ 71,56, o barril. Em
Londres, o contrato do tipo Brent, também com vencimento em julho, recuava
0,20%, a US$ 71,97.
Câmbio
No início das operações do mercado de câmbio, o dólar comercial operava em
queda de 0,63%, a R$ 1,866. Já o dólar futuro, para julho, registrava
desvalorização de 0,81%, a R$ 1.875,00.
Juros
No mercado de juros futuros da BM&FBOVESPA, os contratos, com vencimento em
janeiro de 2011, operavam em estabilidade, a 10,96%. Os contratos com vencimento
em janeiro de 2012 subiam de 11,82% a 11,85%.
Roberta Vilas Boas / Agência Leia
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