Importação de soja e milho
Cenário atual e possíveis efeitos.
Em 16 de outubro, o governo suspendeu a Tarifa Externa Comum (TEC), que é cobrada sobre a importação de milho, soja, óleo de soja e farelo de soja, de países de fora do Mercosul. São onze níveis de alíquotas, que chegam até 20%.
A suspenção da tarifa para a importação de milho durará até março/21, enquanto para produtos oriundos da soja, a isenção irá até janeiro/21.
Destacando que os países membros do Mercosul estão isentos dessa taxação.
A medida tem o objetivo de conter altas nos preços do milho e da soja (e dos farelos) no mercado doméstico, que têm pesado nos custos de produção da atividade pecuária (corte e leite), além de aves e suínos, que são os principais consumidores destes insumos.
Outro motivador foi evitar o desabastecimento, visto os estoques baixos, principalmente os de soja em grão.
A medida veio, com o sucesso da contenção de preços do arroz, obtida com a isenção temporária de impostos, em setembro, para a importação do produto, cujos preços no mercado interno estavam subindo fortemente. Com a importação as cotações ficaram estáveis em R$105,00/saca, por exemplo.
Prós e contras
Deve-se levar em considerações dois pontos de vistas: o do produtor e o do consumidor (avicultor, suinocultor, bovinocultor etc.).
Do lado vendedor, a medida pode significar uma redução da pressão de alta sobre as cotações no mercado interno ou até mesmo quedas nos preços no mercado brasileiro, principalmente considerando que os Estados Unidos, principal concorrente nas exportações de soja e milho – e agora possível fornecedor, estão com a colheita a todo vapor (safra 2020/21).
No entanto, vale lembrar que boa parte da produção brasileira de milho e soja da safra 2019/20 (recém encerrada) e da safra 2020/21 (em fase de plantio) já foi comercializada antecipadamente, o que garante os preços para o agricultor.
Já o setor comprador, principalmente o de nutrição animal, enxerga a supressão da tarifa com alívio, considerando os custos de produção, em função das fortes altas do milho e do farelo de soja em 2020.
A isenção da tarifa de importação deverá favorecer a oferta destes produtos no mercado brasileiro e, consequentemente, arrefecendo a cotação no mercado interno.
Estados Unidos e cenário futuro
A colheita norte-americana está em andamento (safra 2020/21), o que o torna os Estados Unidos o principal candidato a fornecedor para o Brasil.
O setor de produção de etanol norte-americano, cuja base é o milho, sofreu com a pandemia e com a concorrência exercida pela queda dos combustíveis fósseis, cujos preços caíram no primeiro semestre. Com isso, os preços do cereal, apesar das recentes altas, estão competitivos.
Considerando os preços dos contratos futuros de milho com vencimento em dezembro de 2020 na Bolsa de Chicago (CBOT), a tonelada está cotada em U$158,27. Considerando a cotação média do dólar de outubro/20 (em 16/10), em R$5,60, a indicação para milho norte-americano está em R$886,31/t ou R$53,18 por saca de 60 quilos, sem o frete.
Para uma comparação, no mercado brasileiro, a referência está em R$72,00 por saca de 60 quilos em Campinas-SP (19/10).
No caso da soja em grão, se considerarmos os contratos de janeiro de 2021 na Bolsa de Chicago, a referência de preços nos Estados Unido está em US$380,37/t, o equivalente a R$2.130,09/t ou R$127,81 por saca de 60 quilos, desconsiderando o frete.
Considerações finais
Com a isenção da tarifa de importação, a possibilidade de queda de preços no Brasil, com as importações, existe realmente.
Nesse contexto, o câmbio também tem papel importante na importação, já que favorece ou prejudica a competitividade dos produtos importados.
Fonte: Scot Consultoria. Por: Felipe Fabbri.

