Consórcio milho com Urochloa em condições de safrinha

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Estudo de doses de nitrogênio em cobertura.

Introdução

O Cerrado brasileiro é uma região que tem como característica apresentar um inverno seco e com temperaturas amenas, com precipitação pluvial irregular em sua distribuição, o que interfere no desenvolvimento de diversos cultivos da segunda safra. (Costa et al., 2014). Com o crescente cultivo do milho segunda safra nessas regiões, novos estudos para aumentar a tecnificação da cultura tem aumentado, visto que, nessas localidades tem-se dificuldade quanto a presença de palha, que é de suma importância para o sistema de plantio direto (SPD) e que favorece as características químicas e físicas do solo e consequentemente o desenvolvimento das culturas (Amado et al., 2002).

Neste sentido, afim de amenizar as dificuldades encontradas para a produção durante esta época do ano pode-se utilizar culturas em consórcio. A utilização do consórcio milho e Urochloa tem crescido cada vez mais, pois tem-se a produção de grãos e fitomassa para a manutenção do SPD, tornando rentável para o produtor. Baseando nessas características, o uso de doses de nitrogênio nesses sistemas (consorciado e solteiro) pode produzir uma maior quantidade de biomassa, visto que o uso de nitrogênio nessas culturas pode aumentar a quantidade e qualidade da biomassa produzida. Diante do exposto, o presente trabalho teve por objetivo estudar em região de baixa altitude com frequência de veranicos na segunda safra, a viabilidade da aplicação de nitrogênio em cobertura em milho em sucessão a soja, sob sistema solteiro ou consorciado com Urochloa.

Material e Métodos

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O experimento foi desenvolvido na área experimental pertencente à Fazenda de Ensino, Pesquisa e Extensão da Faculdade de Engenharia – UNESP, Campus de Ilha Solteira, localizada na cidade de Selvíria – MS. A área tem como histórico o cultivo da soja no verão e milho safrinha em sucessão e encontra-se em Sistema Plantio Direto (SPD), iniciado há 5 anos. O solo da área experimental de acordo com a nomenclatura atual é um LATOSSOLO VERMELHO Distrófico típico argiloso (LVd) (Embrapa, 2013).

O experimento foi desenvolvido no delineamento em blocos casualizados, no esquema fatorial 2 x 5, com quatro repetições. Os tratamentos foram constituídos pelo cultivo do milho, nos sistemas solteiro ou consorciado com Urochloa ruziziensis, associados a quatro doses de nitrogênio aplicadas em cobertura (0, 30, 60, 90 e 120 kg ha-1 de nitrogênio).

A semeadura do milho solteiro ou em consórcio ocorreu em 16/03/2019 e foi utilizado no sulco de semeadura, 250 kg ha-1 da formulação 04-14-08. O híbrido de milho utilizado foi o AG 8088 VT PRO 2 com densidade de semeadura de aproximadamente 3,3 sementes por metro de sulco, utilizando o espaçamento de 0,45m entre linhas. A semeadura da Urochloa ruziziensis ocorreu simultaneamente à do milho, nos respectivos tratamentos, com utilização da terceira caixa da semeadora, específica para tal finalidade. Foi utilizado aproximadamente 8 kg ha-1 de sementes com um valor cultural de 50%. As doses de N em cobertura foram aplicadas em uma única vez, quando as plantas apresentavam de 4 a 6 folhas, superficialmente, o mais próximo das plantas de milho, utilizando-se a uréia como fonte de nitrogênio.

Foram avaliados para a cultura do milho, o teor foliar de nitrogênio, produtividade e massa de 100 grãos, corrigidos para 13% de umidade- base úmida.

Os dados foram submetidos à análise de variância individual ANOVA pelo teste F (p≤0,05) e quando houve diferença significativa, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey (p≤0,05) para o fator qualitativo e regressão polinomial para o fator quantitativo (p≤0,05).

Resultados e Discussão

A partir dos resultados obtidos, verifica-se que para as variáveis teor foliar de nitrogênio (TFN), população de plantas (Pop), produtividade (Prod) e massa de 100 grãos (M100), somente para população e produtividade de grãos ocorreu efeito significativo para os tratamentos (Tabela 1).

Para a produtividade, ocorreu significância para os fatores isolados, onde o sistema consorciado foi superior ao sistema solteiro (Tabela 1). Entretanto para as DN, houve um ajuste linear, onde a produtividade aumentou mediante ao aumento das doses. Isso pode estar associado ao fato do consorciado promover uma maior absorção de nutrientes, devido a existência de mais plantas em uma mesma área, demonstrando assim, a necessidade do aumento da adubação nitrogenada, para que assim, as plantas consigam se desenvolver e assim diminua os efeitos da competição entre as espécies empregadas no consórcio (Tsumanuma & Fancelli, 2009).

Conclusão

Conclui-se que a utilização do consórcio associado com doses de nitrogênio favorece o desenvolvimento da cultura do milho, promovendo maiores produtividades quando utiliza-se doses intermediárias a altas com o consórcio com a Urochloas ruziziensis, podendo ser utilizado em sistemas de produção na região de Cerrado.

Referências

AMADO, T. J. C.; MIELNICZUK, J.; AITA, C. Recomendação de adubação nitrogenada para o milho no RS e SC adaptada ao uso de culturas de cobertura do solo, sob sistema plantio direto. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 26: 241-248, 2002.

BARZEGARI, MEHDI; SEPASKHAH, ALI REZA; AHMADI, SEYED HAMID. Os manejos de irrigação e nitrogênio afetam a lixiviação de nitrogênio e o rendimento radicular da beterraba sacarina. Ciclagem denutrientes em agroecossistemas, 2: 211-230, 2017.

COSTA, N. R.; ANDREOTTI, M.; FERNANDES J. C.; CAVASANO, F. A.; ULIAN, N. A.; PARIZ, C. M. & SANTOS, F. G. Acúmulo de nutrientes e decomposição da palhada de braquiárias em função do manejo de corte e produção do milho em sucessão. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 9:166-73, 2014.

EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. Brasília, DF. 3 ed., 356p. 2013.

TSUMANUMA, G. M.; FANCELLI, A. L. Planejamento minimiza competição entre espécies

consorciadas. Visão Agrícola, 9, 2009

Informações sobre os autores:

1 Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Ilha-Solteira/SP. E-mail: marcelmenegasso@gmail.com

2 Professor do Departamento de Fitotecnia, Tecnologia de Alimentos e Sócio Economia, UNESP. E-mail: edson.lazarini@unesp.br

3 Engenheiro Agrônomo, Ex-acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Ilha Solteira/SP. E-mail: felixagronomia@gmail.com

4 Acadêmico do curso de Agronomia, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Ilha Solteira/SP. E-mail: natandearruda@gmail.com

5 Acadêmica do curso de Agronomia, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Ilha Solteira/SP. E-mail: fabianalopesagr@gmail.com

6 Acadêmico do curso de Agronomia, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Ilha Solteira/SP. E-mail: hugobozada08@gmail.com

7Acadêmico do curso de Agronomia, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Ilha Solteira/SP. E-mail: lucas.todesco@gmail.com

Autores: Marcel de Faria Menegasso¹; Edson Lazarini²; Eduardo de Lima Felix3; Natan Elifas Alves de Arruda4; Fabiana Lopes dos Santos5; Hugo Garcia Bozada6; Lucas de Almeida Todesco7.

Fonte: Equipe Mais Soja.


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