Soja: Rentabilidade do produtor e custo de produção

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Custo de produção de soja sobe e rentabilidade do produtor diminui.

 

Com a brusca queda dos preços da soja no mercado internacional (que se refletiu no mercado interno), vem à tona a questão sobre a real expansão da área plantada no Brasil em 2014/15. Nos últimos anos, vários fatores contribuíram para uma mudança no patamar de preços da soja, que está sobrevalorizada e tem incentivado a expansão. Apesar disso, não são somente os preços mais elevados que levam a um maior investimento na soja. Um componente importante da decisão de produção é o seu custo. Diante disso, fez-se um esforço de análise da evolução da rentabilidade do produtor de soja no Mato Grosso para verificar a consolidação dessa expansão e traçar perspectivas para a safra 2014/15 no estado, que é o maior produtor de soja no Brasil e lidera a expansão de área plantada nos últimos anos.

 

Custos, preços e rentabilidade da soja no MT

Nos últimos cinco anos-safra, horizonte da análise, os custos de produção cresceram a uma taxa média anual de 5%, saindo de R$1.847 por hectare em 2009/10 para R$2.359 em 2014/15. Os principais componentes responsáveis por este aumento foram os preços das sementes, dos defensivos e dos fertilizantes. Apesar de os outros custos também terem sofrido reajustes ao longo destes anos, eles dependem mais da particularidade de cada produtor, como os custos com financiamento do capital empregado na lavoura (se houver), assistência técnica e despesas administrativas.

 

Além da desvalorização cambial do período, que encareceu os preços dos insumos diretos referenciados em dólar, outros fatores também foram determinantes. No caso das sementes, a forte expansão da área plantada tem provocado um aumento na demanda, levando a um crescimento médio anual de quase 8% nos preços. Além disso, o aumento da participação da soja transgênica também causa a elevação nos preços, uma vez que a sua semente é mais cara do que a da soja convencional.

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No que diz respeito aos fertilizantes, a variação nos preços depende totalmente do contexto internacional de oferta e demanda, uma vez que a maior parte do produto que o Brasil consome é importada. Neste caso, o fator cambial é importante e a desvalorização recente tem sido desfavorável.

 

Já os defensivos se destacam por apresentar uma taxa média anual de crescimento de 17,9% em cinco anos, o que fez com que os gastos com estes insumos mais do que dobrassem. Isso porque nos últimos anos houve uma grande pressão de pragas, como a Helicoverpa armigera em 2013, que aumentou significativamente a utilização de defensivos agrícolas. Além do aumento no número de aplicações por hectare em uma mesma safra, e, portanto, dos gastos, o crescimento repentino da demanda causou uma elevação dos preços.

 

Os preços da soja também vêm se elevando anualmente a uma taxa média de 7,74%, compensando a maior parte do aumento nos custos. Nos últimos anos, a soja tem estabelecido um novo patamar de preços, historicamente mais altos, em função da demanda crescente e restrição na oferta dos principais países produtores em alguns anos devido a perdas de produtividade.

 

A recuperação nos estoques tem sido buscada por expansões sistemáticas na área plantada com soja nos principais países produtores. Em 2013/14, o Brasil atingiu recorde histórico máximo de produção e se aproximou do maior produtor mundial. Na temporada 2014/15 que já teve início nos Estados Unidos, a expectativa é muito positiva, com estimativas de produção de quase 100 milhões de toneladas. No mercado interno, o aumento dos preços internacionais também é refletido e tem sido fator fundamental para incentivar a expansão da produção nos últimos anos.

 

Apesar desse aumento significativo nos preços, considerando a produtividade média das respectivas safras, ele não é suficiente para resultar em uma rentabilidade maior para o produtor. O incremento nos custos tem sido mais substancial do que nos preços pagos ao produtor. O mais importante é observar o movimento da rentabilidade nos últimos anos. Houve um salto significativo da rentabilidade na safra 2011/12, e principalmente em 2012/13, principalmente por causa do novo patamar dos preços da soja, que teve oferta mundial mais restrita (quebras de safra seguidas na América do Sul e Estados Unidos), enquanto a demanda está sempre crescente. A partir daí, o patamar de preços da soja mudou e, mesmo com um grande aumento da produção mundial de soja no ciclo posterior, os estoques estão se recuperando em um ritmo mais lento.

 

Em 2013/14, os preços se mantiveram em um nível semelhante a 2012/13, mas os custos com fertilizantes e defensivos (em função do ataque da praga Helicoverpa armigera no início do ciclo) aumentaram significativamente, o que derrubou a rentabilidade do produtor.

 

Perspectivas para a safra 2014/15

Para a próxima safra, que começará a ser plantada em setembro deste ano, o cenário é incerto. A comercialização ainda está fraca no estado e os preços da soja ensaiam uma queda, puxada pela possibilidade cada vez mais forte de uma super safra nos Estados Unidos e, finalmente, a recuperação dos estoques.

 

Considerando os preços futuros do primeiro semestre deste ano, haveria possibilidade de uma recuperação da rentabilidade do produtor, uma vez que os preços estavam em um patamar ainda maior do que nos anos anteriores. Isso poderia ser um grande motivador para uma expansão de área além da esperada.

 

Com a queda nos preços da soja na CBOT nos primeiros dias de julho, o cenário pode se modificar. Os preços futuros no Mato Grosso também caíram, acompanhando o movimento internacional, e isso pode afetar a decisão de produção dos agricultores do estado. Assim, caso esse movimento recente dos preços se consolide no mercado, é possível que a expansão da área plantada seja menor do que a esperada.

 

Fonte: INTL – FCStone.


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