As fusões da indústria frigorífica – uma visão otimista
Desvendar os meandros da administração de uma indústria frigorífica talvez seja o maior desejo de todo administrador moderno que transita em nosso meio. Foram 35 minutos de uma longa conversa por telefone em português fluente com Sr. Gordon, americano de nascimento e experiente criador de Goiás, para qualquer mortal deduzir claramente que os frigorificos vêm se locupletando há anos levando vantagens com a compra de bois pela bacia da morte.
Aliás, muitos clientes que tenho visitado têm me perguntado o que penso a respeito das fusões recentemente ocorridas na indústria frigorífica. Pois bem, temos vários prismas direcionados ao mesmo horizonte para discorrer sobre esse importante assunto.
É imperativo que tenhamos nesse momento uma visão mais crítica e racional desse movimento de fusões. Vamos enumerar aqui algum fatos importantes para tirarmos alguma conclusão sobre o assunto:
1 – Peter Drucker, mestre inconteste da administração estratégica, criou o seguinte axioma: “Quando a oferta e demanda não se equilibram, há uma oportunidade”. Diante disso, digo que o mercado é soberano. Nenhuma empresa do porte dos frigoríficos brasileiros exportadores vai querer o fim dos produtores. A Lei da Oferta e Demanda é a única que não pode ser burlada. Desse modo, se houver menor oferta de gado ao frigorífico, os preços tenderão a subir e o produtor receberá melhores preços e, ocorrendo o contrário, acontecerá o inverso na mesma proporção;
2 – Pelo prisma administrativo: a empresa pode, através das fusões, somar forças e direcionar melhor as exportações, agregando mais valores na carne brasileira exportada, como também minimizar custos administrativos, levando a uma maior eficiência à indústria com conseqüente aumento de lucro. Sabemos muito bem que parte do preço da arroba é decorrente diretamente do preço de venda na exportação;
3 – Maior proximidade das grandes indústrias com os produtores, havendo, então, menores custos com transporte de animais vivos para o abate;
4 – Pelo ângulo do varejo, cresce a participação da carne de qualidade de grife nas vendas das grandes lojas varejistas, bem como criadores e alianças abatendo seus próprios animais e industrializando uma carne diferenciada dirigida a hotéis e restaurantes finos. Essa venda direta ao varejo vem se tornando realidade cada vez mais frequente na área, estimulando os pecuaristas a produzir o animal de qualidade e ao desenvolvimento de marcas de carne. Assim sendo, aquele que antes era vendedor de boi, agora torna-se vendedor de carne.
Diante dos fatos, o resultado esperado pela indústria com essas fusões é minimizar custos com a melhora da gestão.
Mais do que nunca é hora de torcermos para que as gigantes mundiais da carne que são brasileiras respeitem a classe pecuária através de uma melhor remuneração ao produtor que entrega carcaças de qualidade e que possua maiores volumes de entrega para o abate, pois a mesma terá margens maiores e poderá certamente repassar parte desse lucro ao criador.
Fonte: INTL – FCStone.

