Queima da palha de cana-de-açúcar

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Vilão em São Paulo é a queima da palha de cana-de-açúcar.

 

Para contribuir com a luta contra o aquecimento global, São Paulo precisa de um inventário estadual de emissões de gases de efeito estufa. São prioridades também acabar com a queima de palha de cana-de-açúcar no estado e incentivar o uso dos instrumentos legais já existentes para a recuperação e conservação de áreas de florestas e cerrados.

 

A análise foi feita pelo professor Carlos Alfredo Joly, do Departamento de Botânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante o evento Impactos das mudanças climáticas no Estado de São Paulo, realizado na sede da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), na capital paulista.

 

Desmatamento e queimadas, principalmente na Amazônia, são responsáveis por 75% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, tornando o país o quarto maior poluidor do planeta e dando uma contribuição decisiva para o aquecimento global. Mas, de acordo com Joly, no estado de São Paulo o vilão da mudança climática é outro: a queima da palha de cana-de-açúcar.

 

“A queima da palha de cana-de-açúcar faz parte do processo tradicional de colheita manual. Esta prática solta na atmosfera cerca de 5 toneladas de carbono por hectare. Se a queimada de florestas é o problema brasileiro, a queima de palha de cana é o problema de São Paulo”, disse Joly à Agência FAPESP.

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Na última safra, de acordo com dados do governo estadual, foram queimados mais de 2,5 milhões de hectares de cana, o que teria lançado na atmosfera cerca de 750 mil toneladas de material particulado. Em 2006, da área plantada, 3,4 milhões de hectares foram colhidos para a produção de açúcar e álcool. Desse total, apenas 900 mil foram colhidos com máquinas.

 

“A legislação estadual prevê uma redução anual de 5% da área queimada, que precisa ser substituída por colheita mecânica, dispensando a queima da palha. Mas o prazo previsto na lei para o fim das queimadas é ainda excessivo: 2031”, declarou o biólogo. No último dia 4 de junho, o governador José Serra e a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) assinaram um protocolo de intenções em que se aceita eliminar as queimadas até 2017.

 

“Há um problema social envolvido: o uso de maquinário diminui a mão-de-obra e reduziria as possibilidades de emprego para os bóias-frias que dependem desses cortes. Mas acho que o estado precisa ser ousado e criativo o suficiente para desenvolver atividades alternativas que possam ocupar essa mão-de-obra”, disse Joly.

 

Fonte: Terra.


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