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Parceria fortalece a bovinocultura leiteira em MS

Parceria entre Embrapa e Agraer fortalece a bovinocultura de leite em Glória de Dourados/MS.

Os bovinos de leite apresentam necessidades especiais de alimentação, visto que a produção de leite está diretamente ligada aos aspectos nutricionais. Os alimentos oferecidos aos animais influência a quantidade dos principais componentes do leite, como a gordura, a proteína e a lactose. Além disso, a alimentação dos bovinos representa a maior parte dos custos variáveis da produção de leite. Outra questão se refere ao período da estiagem, que ocorre de maio a setembro, quando a oferta de pastagens fica prejudicada, devido ao lento crescimento das forrageiras e a redução do teor protéico dos capins.

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Segundo o Chefe Adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agropecuária Oeste, Auro Akio Otsubo, algumas tecnologias simples, de fácil utilização e baixo custo podem contribuir com a melhoria da capacidade produtiva do rebanho, por meio do uso de alimentos mais baratos. Ele também ressalta a importância das parcerias institucionais, que possibilitam levar essas tecnologias aos produtores.

Segundo o técnico da Agraer, Edwin Baur, as gramíneas de verão, utilizadas como pastagem, na região da Grande Dourados, são os capins: tifton, gigs e mombaça. Durante o inverno, ocorre o cultivo de aveia, por meio de sistema de cultivo integrado com as pastagens citadas anteriormente. Além da qualidade das pastagens, Edwin apresenta algumas tecnologias simples, que podem contribuir com melhorias na produção de leite, tais como: alimentação a pasto, a elaboração na própria propriedade de suplemento alimentar a base de mandioca, uso da cana-de-açúcar no preparo de ração, uso de forrageiras conservadas por meio de silagem, para a alimentação durante o inverno.

Ele explica que para os ruminantes, a mandioca pode ser oferecida na forma de casca, farinha de varredura ou massa de mandioca. Esse material pode ser usado na forma fresca, ensilada ou na forma de feno. “O uso de suplemento alimentar preparado com massa de mandioca, que é considerado um resíduo produzido pelas fecularias, é uma alternativa que está beneficiando os animais da região”, destaca Edwin.

O preparo e uso de cana-de-açúcar para a produção de ração também é uma alternativa disponível. Edwin acrescenta que algumas variedades de cana-de-açúcar apresentam elevado teor de açúcar e alta digestibilidade. “O açúcar é uma fonte de energia barata e de fácil acesso e que dá uma resposta imediata para o animal que produz leite”, destaca ele.

A silagem consiste na conservação, por meio de um processo de fermentação anaeróbica, da forragem verde e suculenta. Através desse processo, ocorre a redução do pH (aumento da acidez) pela fermentação dos açúcares solúveis da planta. Em geral, os capins têm baixo teor de açúcares e não são indicados para a silagem, com exceção do capim-elefante (Napier, Cameroon, Taiwan, Mineiro e outros), que por ter bom teor de carboidratos solúveis pode dar silagem de boa qualidade. Edwin explica que na região é utilizada a silagem com napier, por meio das técnicas de sacos, begs, silos trincheiras ou lonas.

Experiência no assunto:

O agricultor familiar Francisco José Rigatto, da Chácara Boa Esperança, de Glória de Dourados, utiliza as tecnologias apresentadas na Dinapec há alguns anos e está constantemente investindo em melhorias. Ele cria vacas jersey e holandesas, além de novilhos jersolanda. Em sua propriedade de 16ha, que agora está produzindo leite por meio de sistema integrado com piscicultura (recentemente implantado), ele vem investindo em melhorias com a expectativa de obter com seus nove animais, uma produção diária de 200 litros de leite por dia. Atualmente, a produção é de 150 litros/dia.

Ele conta que já trabalhou com o uso de concentrados de suplemento alimentar para gado confinado e que chegou a produzir 400 litros/dia de leite. Mas, concluiu que essa não foi uma boa opção, pois além de ter que trabalhar muito mais, a receita obtida não foi suficiente. “Eu vivia para cuidar das vacas o tempo todo, todos os dias, e sempre andava preocupado, pois as finanças da família não saiam do vermelho. Para mim, não foi uma boa experiência”, explica.

O agricultor acredita que com uma pastagem bem adubada (resíduos da piscicultura e de outros animais) e irrigada (excesso e sobras de água da piscicultura) os resultados são melhores. “Hoje, eu trabalho com mais satisfação e muito menos preocupação com as finanças e as contas altas que tinha que pagar. Cuido da propriedade com o aproveitamento de resíduos e criatividade. Utilizo massa de mandioca, ração a base de cana-de-açúcar e silagem com napier, além da alimentação a pasto, com piquetes. Gosto muito da lida com os animais. Eu e minha família estamos felizes com os resultados”, concluiu Francisco.

Fonte: Fátima News. Autor: Kemila Pellin.

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