Pirataria coloca saúde animal em risco
Medicamentos veterinários piratas causam doenças de pele e intoxicação em 90% dos casos. O uso de medicamentos veterinários piratas, além de ser crime e resultar em multa, traz graves consequências à saúde animal e humana. Segundo o médico veterinário Fábio Battiston, problemas de pele e intoxicação são os mais comuns e, nos casos mais sérios, o uso desse tipo de substância pode levar ao óbito. De acordo com ele, o uso desses medicamentos se tornou comum devido à facilidade no acesso. Battiston explica que os produtos são trazidos de fora, importados de países como o Paraguai, que faz fronteira com Mato Grosso do Sul.
“Esses produtos pirateados têm a bula em inglês ou espanhol, o que prejudica na hora de saber a dose para aplicar no animal que pode ser intoxicado, tanto quem aplica quanto o bicho”, afirma. Outra agravante para as situações de risco é a falta de orientação na hora da compra e aplicação das substâncias. O especialista acrescenta que a bula dos medicamentos piratas, na maioria das vezes, vem escrita em inglês ou espanhol. Conforme o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária, Josélio Andrade Moura, é preciso atenção na hora de procurar opções mais baratas para a medicação usada no rebanho.
Os produtos estão divididos em duas categorias os produtos piratas, que tentam imitar medicamentos produzidos por grandes laboratórios e credenciados pelas autoridades sanitárias, e os medicamentos falsos fabricados a partir de princípios ativos de eficácia não comprovada e de origem desconhecida. Produtores acabam vítimas de pirataria sem ter conhecimento O representante da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária ressalta que a verificação da idoneidade do fornecedor também é importante, para evitar que o produtor não seja enganado na hora da compra.
“Em um caso mais recente, no Rio Grande do Sul, o uso desses medicamentos matou o rebanho inteiro de um produtor que aplicou injeções piratas sem ter consciência disso”, Moura. Em casos como este, a maior arma do produtor é a denúncia às autoridades sanitárias e a entidades como a sociedade dos profissionais da área, além do relato entre os próprios produtores.
“Os próprios produtores que foram vítimas desses produtos alertam os colegas e outras pessoas a não usarem, pois tiveram prejuízos. O Ministério Público também está fazendo uma campanha de combate muito boa, o que tem ajudado bastante”, finaliza. Para tentar combater a pirataria desses produtos foi criado o site http://www.denuncieprodvetpirata. com.br, além da Campanha Antipirataria de Produtos Veterinários, desenvolvida pelo Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), com o apoio da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Fonte: Jornal O Estado MS.

