Reposição de fêmeas de corte

Compartilhar

Quando falamos em produtividade e lucratividade de um rebanho, um dos temas que se destaca, mas que muitas vezes é deixado de lado pelos pecuaristas é a Reposição de Fêmeas, menos fêmeas parindo resulta em um número menor de crias. Também nem sempre se dão a devida importância para o diferencial causado pela entrada de uma boa fêmea no rebanho.

 

Existem duas situações distintas:

 1.Em rebanhos de seleção, cujos produtos possuem um maior valor agregado, machos e fêmeas são destinados à reprodução. Nascem os touros que serão usados como repasse tanto em rebanhos puros quanto em rebanhos comerciais.

 2.Em rebanhos comerciais, o bezerro é o produto inicial e boi gordo o produto final, transformado na carne que vai estar na gôndola do açougue ou do supermercado.

 

Em ambos os casos é evidente a necessidade de boas matrizes para a produção de uma boa cria, o que certamente merece uma atenção especial em toda propriedade de cria, seja ela em rebanho de seleção ou comercial.

 

Não podemos nos esquecer de que mesmo para quem procura a heteroze máxima que é a F1, produto muito apreciado pelo mercado, precisa-se também de fêmeas zebuínas de qualidade para se alcançar bons resultados.

 

Como saber quando uma fêmea deve ser descartada?

Todo criador que tem visão progressista, que faz conta, já descarta automaticamente entre outras, aquelas fêmeas que não ficaram prenhas na última estação, as que não produziram leite suficiente para nutrir suas crias, as que desmamaram bezerros 20% abaixo do peso médio em relação ao peso dos seus conteporâneos e as que estão em idade avançada, a partir de 10 anos.

 

Em média, este descarte automático que fica entre 15 e 20% das fêmeas do rebanho, vai gerar um benefício financeiro anual para a propriedade.

 

Ultimamente este índice tem aumentado muito em relação às fêmeas jovens, as novilhas, abatidas em grande número não por descarte, mas para a produção de carne especificamente. Também muitas fêmeas têm sido abatidas devido à venda/arrendamento da propriedade para outra atividade agropecuária.

 

Menos fêmeas parindo resultam em número menor de bezerros. Menos bezerros, menor a lucratividade/ha e maior o custo de reposição por quem recria e engorda.

 

É o que vem acontecendo nos últimos anos, com um índice perto dos 47%, que certamente afetou a produção de bezerros e que pode continuar influenciando no futuro, sejam eles zebuinos puros ou fruto de cruzamento industrial.

 

Mato Grosso, estado que possui o maior rebanho do país, já identificou isso e o abate de fêmeas em 2.013 diminuiu de 54% em janeiro para 34% agora no inicio de Dezembro.

 

Particularmente me preocupo não só quanto ao número de fêmeas para o futuro, mas também quanto a qualidade destas fêmeas. Isto porque a IATF, uma realidade muito forte hoje em dia, está fazendo em sua maioria a 1ª prenhez com taurinos, ou seja, a que contempla as melhores fêmeas em precocidade e, portanto de maior qualidade no rebanho, ficando a 2ª prenhez para o repasse em grande parte com touros zebuínos, muitas vezes boi de boiada, o que certamente provoca uma qualidade não desejada tanto para os bezerros, futuros bois de corte, quanto para as bezerras que serão para reposição e futuras matrizes dos rebanhos.

 

Considero que a preocupação com a reposição de fêmeas de boa qualidade deve começar já quando acontece a tomada de decisão sobre qual o touro será usado para emprenhar a matriz. Consequentemente, decide-se sobre quem será o pai do bezerro que o mercado quer e da bezerra que será importante para a reposição de fêmeas no rebanho do criador ou de terceiros.

 

Fonte: Rehagro.


Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *