Confinamento de bovinos deve recuar no Brasil
Segundo associação, a redução da demanda pela carne no mercado interno e a elevação do preço do milho pressionam os produtores, o que resulta na produção de animais mais leves para o abate. Com alta no preço do milho e redução do consumo interno de carne bovina, o Brasil deve seguir a tendência registrada no ano passado e ter uma nova queda no número de animais confinados. A expectativa é da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon).
De acordo com o diretor de relações institucionais da Associação, Márcio Caparroz, o maior impacto acontece no valor da arroba, já que, com a crise econômica no País, a margem de aumento no preço da carne é estreita.
“Esperamos uma nova redução [de animais confinados] por conta em especial do consumo do mercado interno, que está sofrendo com a recessão. Então, a gente não espera que o valor da arroba suba muito. Se ele repassar a inflação (cerca de 11%), será de bom tamanho”, disse ontem, em São Paulo, durante o lançamento da BeefExpo, que acontece de 14 a 16 junho, em São Paulo.
No início de 2015, a expectativa era de aumento de animais confinados. No entanto, houve retração de 5%, para 3,870 milhões de cabeças.
Com a elevação do dólar, aumentam os preços dos insumos e as exportações sobem. Segundo Caparroz, isso afetou ainda mais a relação entre o valor da saca do milho e o valor da arroba, para o confinador e o terminador.
Desta forma o pecuarista ou deixa os animais por mais tempo no confinamento, ou oferece suplementação no pasto por período menor do que o indicado, resultando em animais mais leves no abate.
Mais dependentes do confinamento, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso devem ser mais afetados pelo preço do milho, avalia Caparroz. Dos três estados, o mais afetado deve ser o Mato Grosso, em que algumas regiões sofreram com o excesso de chuvas. Já em São Paulo, esse impacto é menor. “O Estado consegue buscar alternativas de resíduos nas indústrias de alimentos, diferente dos outros mercados”, lembra.
Por outro lado, os preços de bezerro e boi magro seguem em alta, destaca Caparroz. “Menos interessante do que o ano passado, mas ainda altos”, diz. Há também uma oferta maior de animais. A expectativa é que a exportação obtenha o volume que o mercado interno não consumir e sustente o preço da arroba dos bovinos. Outra saída para os produtores é aumentar a carne para os mercados especiais, segmento em que o Brasil importa 1,100 toneladas ao ano.
Confinamento
O diretor da Assocon acredita que o percentual de animais confinados no Brasil deve dobrar nos próximos anos. Ele lembra que concorrentes diretos no mercado internacional, como os Estados Unidos e Austrália, têm, respectivamente, 100% e 95% de seus animais em algum tipo de intensificação, “seja a pasto ou do modo tradicional”. No Brasil, além dos 10% da produção no modelo tradicional, outros 8% são confinados no pasto.
“De qualquer maneira, com em 20% da produção, sendo 8 milhões de animais sendo terminados intensivamente, ainda é muito pouco frente a esses outros concorrentes. Então, facilmente nos próximos três ou quatro anos esse número deve dobrar, saindo de 20% para 40% ou 50% dos animais terminados”, afirma.
Fonte: Jornal DCI/SP.

