Um dos temas mais presentes na pecuária nos últimos tempos, tanto em termos de Brasil como em Mato Grosso é o abate de fêmeas e o consequente apagão de bezerros. Dessa forma, entra na pauta produtividade e lucratividade, isso porque muitos criadores não têm dado a devida atenção para um dos itens mais importantes dentro de um plantel, que é exatamente a reposição de fêmeas.
De acordo com Marcos Labury, técnico de corte da Alta, empresa de melhoramento genético bovino, onde há menos fêmeas parindo, há redução de crias, resultando em prejuízo nos negócios. Conforme o técnico, o produtor rural conta hoje com diversas ferramentas tecnológicas e inúmeras fontes de informações disponibilizadas por associações e pesquisadores da área para contribuir com o desenvolvimento de uma propriedade.
Contudo, é necessário saber o momento certo para descartar uma fêmea e substituí-la, prática que deve fazer parte da rotina das propriedades e pode gerar gastos ainda maiores se não realizados de maneira correta. Isso porque, segundo ele, a vaca é a peça principal na produção de carne. Sendo que a substituição de matrizes é realizada em dois segmentos: seleção e comercial. No caso da seleção, os produtos possuem maior valor agregado e serão destinados à reprodução.
Já nos rebanhos comerciais, o animal entra como bezerro e sai como boi gordo, transformado na carne, que é o produto final. Em média o descarte automático que gira em torno de 15% a 20% das fêmeas do rebanho, consequentemente, resultará em benefício financeiro anual para a propriedade, sendo que o valor obtido com o descarte deve ser usado para repor fêmeas boas inicialmente.
Segundo o especialista, para alcançar este resultado uma das ferramentas utilizadas pelos criadores nos últimos anos é a inseminação artificial. Contudo, como em qualquer negócio, é necessário cautela e analisar a necessidade de cada rebanho. Conforme o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, é importante colocar em pauta este problema da falta do abate de fêmeas e apagão de bezerros.
Vacari explica que o bezerro é a matéria-prima da pecuária e sem ele não há engorda, confinamento e consequentemente não há carne. O diretor diz que o bom desempenho do criador gera, inclusive, resultados na mesa do consumidor. Um levantamento realizado pelo Instituto de Economia Agropecuária (Imea) a pedido da Acrimat, nos primeiros cinco meses de 2013, aponta que mais da metade dos animais abatidos em Mato Grosso foi fêmea.
Ao todo, foram abatidas 1,28 milhão de matrizes, o que representa 53% do total até maio. Esta evolução na participação das fêmeas nos abates é influenciada por uma série de fatores que compõem a cadeia da carne.
Fonte: Jornal A Gazeta/MT.

