Trump X Biden: Efeitos no agro brasileiro

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Trump X Biden: O voto dos agricultores estadunidenses e os efeitos no setor agro brasileiro.

Ao quinto dia de novembro, os estadunidenses mostram-se bastante apreensivos quanto ao resultado das eleições presidenciais que decidem qual será o representante político que administrará o país nos próximos quatro anos. Além dos norte-americanos, nós, brasileiros, também precisamos estar atentos ao desfecho dessas votações.

Dessa forma, precisamos entender quais as propostas de ambos os candidatos para o setor agro e tentar relacionar e compreender os efeitos disso no cenário brasileiro. Com isso, sabe-se que o atual presidente, Donald Trump, recebeu apoio de eleitores conservadores em sua primeira eleição devido à defesa do setor agro, do sistema de impostos e até mesmo de questões sociais, as quais envolvem a posse de armas.

Todavia, o cenário atual mostra-se muito mais competitivo do que há quatro anos atrás, quando Hillary Clinton concorria junto ao democrata Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Isso se deve ao favoritismo da maior parte da população, mostrado em pesquisas realizadas em todo o país, para com o atual concorrente de Trump, o republicano Joe Biden. Contudo, pretende-se analisar quais aspectos fazem com que eleitores do setor agro tenham preferência por um candidato ou outro.

Ao pensar nos motivos que levam os agricultores a pender para o lado de Trump, elenca-se algumas políticas pontuais do candidato ao longo de seu primeiro mandato. Uma delas foi a tentativa de reparar eventuais consequências da Guerra Comercial entre China e Estados Unidos, aprovando cerca de US$50 bilhões para o Programa de Facilitação de Mercado (MFP). Entretanto, o posicionamento agressivo de Trump na relação do país com a China fez os Estados Unidos perder espaço no comércio de exportação, abrindo caminho para o Brasil.

Ainda nesse viés, sabe-se que Trump sempre se mostrou como um candidato de ideais conservadores. Nesse sentido, não se pode negar que a maioria dos agricultoresdos Estados Unidos da América (EUA) que, historicamente são conservadores,apoiam, difundem e compartilham da mesma linha de raciocínio. Esse é outro ponto que coloca Trump alguns passos à frente de Biden. Em sequência, ao analisar o histórico da relação dos democratas com a agricultura, é perceptível que as políticas públicas aplicadas na administração desse partido político não se mostram favoráveis para o crescimento dosetor devido ao excesso de regulamentação. Por fim, sabe-se que a prioridades do republicano Trump estão mais ligadas ao crescimento econômico do que ao meio ambiente.

É evidente que Trump tinha o argumento do crescimento econômico a seu favor até janeiro desse ano, fator esse herdado do governo de Obama, que foram alavancados pelo republicano nos três primeiros anos de mandato. Contudo, o país enfrenta um cenário de caos no que diz respeito ao combate ao COVID-19. Isso desmotiva grande parte da população a apoiar Trump.

Junto aos fatores elencados acima, Biden prevalece-see atrai eleitores do setor agrícola aoapresentar evidências de uma possível reconciliação com a China. Isso indica que os EUA retomarão o espaço perdido no mercado de exportação durante a administração de Trump. Todavia, isso não significa que a Guerra Comercial verá seu fim nos próximos anos, mas que o cenário de disputa entre as duas potências pode ser amenizado.

Demais fatores, como a imprevisibilidade de Trump e um possível comportamento mais agressivo do atual presidente perante a China também preocupa os agricultores estadunidenses.Esses e outros agentes criaram um movimento “anti-Trump” que vem se mostrando bastante decisivo na hora da escolha do voto. Tal movimento tem sido representado pela figura de Biden, que simboliza o livramento norte-americano das “imprevisibilidades” do atual presidente.

Ainda assim, a reputação de Biden não é das melhores entre os produtores agrícolas. Suas preocupações com questões relacionadas à sustentabilidade são alarmantes para os agricultores que já sofrem com o atual cenário de perda de espaço no comércio de exportação.

Dessa maneira, os votos dos produtores rurais aparentam estar bastante dispersos considerando os motivos citados anteriormente. Contudo, essa impressão some ao analisar o fato de que o candidato republicano venceu em sete estados dos nove que compõem o CornBelt (Cinturão do Milho), perdendo somente em Illinois e Wisconsin. Então, percebe-se que os eleitores do agro e da região do CornBelt ainda se alinham com os pensamentos do republicano.

Contudo, Biden ainda pretende retornar o país para o Acordo de Paris (que prevê regras para a redução da emissão de gases do efeito estufa) e voltar as políticas públicas para o setor de sustentabilidade. Ou seja, haverá um movimento de retorno aos parâmetros adotados nos anos passados em relação às questões ambientais.

Portanto, precisa-se pensar nos efeitos da reeleição de Trump para o setor agro brasileiro, assim como a eleição de Biden no mesmo sentido. Ao pensar nas consequências para o nosso país, o principal tema a ser debatido é o Brasil e a sustentabilidade em 2021. Isso se deve ao fato de que os candidatos possuem visões divergentes relacionadas a esse assunto. Além disso, essa é uma das principais pautas discutidas em nosso país atualmente, pois gera reflexos no mundo todo.

Um exemplo dessa divergência é o elogio feito por Trump ao atual presidente Jair Bolsonaro. Trump diz apreciar a forma com a qual Bolsonaro tem lidado com os problemas relacionados às queimadas na Floresta Amazônica. Sabe-se que esse é um ponto muito importante na relação de EUA e Brasil. A Floresta Amazônica representa um leque muito extenso de possibilidades ou de desconjunturas na negociação entre os Estados Unidos e o Brasil, levando em consideração o posicionamento do atual presidente brasileiro e o futuro presidente norte-americano. De fato, Trump é conveniente ao posicionamento de Jair Bolsonaro em relação ao domínio da região Amazônica.

Do outro lado, Biden cogitou o levantamento de fundos para ajudar a salvar a Floresta Amazônica. O parecer do republicano a respeito das queimadas pode significar medidas mais duras e possíveis repreensões que atingirão os vínculos comerciais entre os dois países caso o democrata exija o cumprimento de determinadas regras a respeito do tratamento dessa problemática.

Ainda pensando nos pontos negativos num cenário em que Biden se eleja, elenca-se o aumento de requisitos para a exportação de produtos agrícolas brasileiros, que se baseiam em determinados aspectos relacionados à sustentabilidade do meio ambiente.

Porém, há estudiosos que acreditam que Biden possa ser positivo para a agricultura brasileira. O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, acredita que, numa possível vitória de Biden, o Brasil possa se reafirmar como um grande exportador de commodities, contudo, sob novas normas ambientais. Em conveniência a esse pensamento, Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global,afirma que, caso o democrata seja eleito, os acordos comerciais entre Brasil e China acabem não sofrendo um impacto tão forte.

Nesse viés, Pedro Dejneka, da MD Commodities, acrescenta que o Brasil está muito bem posicionado como exportador mundialde commodities e que as políticas de Trump ou de Biden podem não ser sentidas com tanta força em nosso país.

Claramente, ambos os candidatos apresentam seus pontos positivos e negativos para a economia brasileira e para a economia estadunidense. O setor agro sentirá impactos independentemente de quem for eleito. Também não se pode negar que a disputa é muito acirrada e que o resultado que sairá nos próximos dias afetará o mundo todo e em todos os setores. O que nos resta é esperar a contagem dos votos e tentar “dançar a música” que o presidente a ser eleito tocar.

Por: Aldo Cesar Gai Guimarães, Equipe Agron.


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