A homenagem de um jornalista apaixonado por essas terras.
“O pai morava no fim de um lugar/Aqui é lacuna de gente – ele falou: / Quase que só tem bicho, andorinha e árvore”. Manoel de Barros, o poeta do Pantanal.
Hoje é dia do Pantanal. Amanhã eu estarei no Pantanal. Nesse texto homenageando a magia pantaneira eu quero falar um pouquinho da menina Júlia, de nove anos de idade, e do pantaneiro Cristóvão, que eu conheci quando elaborei uma reportagem na região em 2009.
Júlia morava – ou mora – em uma fazenda da Nhecolândia, coração do Pantanal selvagem. Inteligente e arguta, a menina conversava com dezenas de papagaios como se fossem seus irmãozinhos. Júlia caminhava com um pedaço de pão e os bichinhos a seguiam numa barulhenta algazarra. “Júlia, quero comer”, gritava um periquito. “Calma, tenho que repartir”, respondia Júlia.
Quando a menina preparava a comida para seu pai vaqueiro, os papagaios e os periquitos formavam grupos ao redor da casa. Gritando e pulando. E falando muito. A menininha estava terminando o curso primário e bastante preocupada em completar seus estudos. O drama é que a cidade ficava distante demais – não havia condução – e a escola não ia além das primeiras letras. Eu nunca mais vi Júlia. Daria tudo para saber se a pequenina foi morar na cidade com um tio ou primo. Júlia é um retrato do Pantanal imenso e solitário.
Outro personagem que admirei por lá é Cristovão, um pantaneiro de corpo e alma. Ele tinha então 58 anos e, durante o período das águas, quando sua casa ficava totalmente isolada, levava horas e horas para chegar a Poconé, cidade mais próxima. Havia necessidade de comprar remédio na farmácia. Cristovão montava o cavalo pantaneiro, famoso por ser à prova d´agua e que virou o símbolo do Pantanal. “De todos os lados que olhamos é uma imensidão de água”, me disse Cristovão. Eram 20 quilômetros e muitas vezes o Cristovão levava até 10 horas no percurso. Ele e o cavalo. “E Deus”, afirmou.
O Pantanal vive seis meses sob seca absoluta e a outra metade do ano cercado de água.
Júlia e Cristóvão são filhos do Pantanal.
Homenageio a região que tanto amo falando dos dois e do cavalo pantaneiro. Vá ao Pantanal. Lá tudo é magia, beleza, silêncio e solidão.
Fonte: SEBASTIÃO NASCIMENTO (GLOBO RURAL).
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