Homens coabitaram América há 14.550 anos

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Homens e mastodontes coabitaram América há 14.550 anos. Acreditava-se que os humanos tinham chegado ao continente 15 séculos depois do que sugere a pesquisa.

Cientistas descobriram ferramentas de pedra e ossos de um mastodonte em um rio na Flórida, Estados Unidos, que sugerem que o homem coabitou com o animal no sudeste do país há mais de 14.550 anos – 1.5oo anos antes do que se acreditava ser a época de chegada dos humanos ao continente. A pesquisa, publicada recentemente na revista americana Science Advances, foi liderada pela professora de antropologia da Universidade do Estado da Flórida, Jessi Halligan. “Esta descoberta abre uma nova porta para o passado, para tratar de compreender a história do povoamento da América. Está claro que o povoamento do continente americano é mais antigo do que pensávamos”, afirmou Halligan à agência France-Presse.

A pesquisa mostrou que a caça dos mastodontes também teve início em uma data anterior à estabelecida pelos cientistas, pois a civilização pré-Clóvis (habitantes da América do Norte entre 13.000 e 12.600 anos atrás) parece ter se adaptado à região bastante cedo. Dessa forma, os caçadores Clóvis seriam não os pioneiros, mas os descendentes dos primeiros povos que chegaram a América do Norte cerca de 15.000 anos atrás.

Análises – Os pesquisadores conheciam há muitos anos o sítio arqueológico Page-Ladson, localizado a 9 metros de profundidade no rio Aucilla, a 45 minutos da capital da Flórida. Escavações feitas entre 1983 e 1997 revelaram objetos feitos de pedra e uma presa de mastodonte que tinha marcas profundas – revelando a coabitação entre humanos caçadores-coletores e os animais. As evidências, no entanto, não foram suficientes para que os cientistas pudessem datar, com certeza, a época dos materiais ou relacioná-los com a atividade humana.

Anos mais tarde, entre 2012 e 2014, Halligan e seu colega, Michael Waters, da Texas A&M University, decidiram reexaminar o sítio. As novas análises identificaram um novo instrumento: uma espécie de faca primitiva, fabricada por humanos. Os pesquisadores utilizaram técnicas com radiação do isótopo carbono 14 para identificar a data do objeto e o que eles descobriram foi que ele era datado de 14.550 anos, provando que os humanos povoaram a região e caçaram essa espécie muito antes do que o previsto.

Extinção – Daniel Fisher, paleontólogo da Universidade de Michigan, coautor do estudo, disse que a pesquisa mostrou, no entanto, que estes primeiros caçadores americanos não aceleraram a extinção dos mastodontes e de outros grandes animais pré-históricos, ao contrário do que pensam alguns paleontólogos. “Os indícios reunidos no sítio na Flórida mostram que os humanos e a megafauna coexistiram durante ao menos 2.000 anos”, disse o cientista.

A análise de esporos fossilizados de fungos Sporormiella, que só crescem nos excrementos animais, mostra que a extinção destes grandes mamíferos aconteceu há cerca de 12.600 anos na América do Norte. “É muito emocionante porque pensávamos que sabíamos como e quando os primeiros homens chegaram aqui, mas isso agora mudou”, afirmou Fischer, à agência France-Presse.

A descoberta é mais um indício de que a migração dos humanos modernos para as Américas é anterior à cultura Clóvis. Os pesquisadores apostam em uma migração que pode ter ocorrido entre 18.000 anos e 16.000 anos atrás, da África para as Américas, via oceano Pacífico. Em 2011, outro grupo de pesquisadores, liderado por Waters, já havia levantado a possibilidade da chegada da espécie no continente americano há 15.500 anos. O novo estudo traz mais indícios para a ocupação mais antiga.

Fonte: Veja Online.

Homem já ocupava América do Norte há 15.500 anos

Ferramentas achadas no Texas são 2.500 anos mais antigas que os vestígios dos humanos de Clóvis, conforme estudo publicado na ‘Science’.

O homem chegou à América do Norte 2.500 anos antes do que se pensava, de acordo com um estudo publicado no periódico americano Science. Cientistas da Universidade Texas A&M analisaram mais de 15.000 objetos de pedra encontradas a 65 quilômetros de Austin, no Texas (EUA), e estimaram que foram feitos há 15.500 anos. Até agora, a evidência mais antiga da ocupação humana na América do Norte era o sítio arqueológico de Clóvis, no estado do Novo México (EUA), onde foram encontrados vestígios de uma civilização que teria cruzado o Estreito de Bering, da Ásia à América do Norte, há 13.000 anos.

Os 15.000 objetos foram encontrados abaixo da camada de terra comumente associada ao período dos humanos de Clóvis. Para o arqueólogo Michael Waters, chefe da pesquisa, o achado é a indicação de que existiu uma civilização mais antiga do que se pensava na América do Norte. “A descoberta nos desafia a repensar como ocorreu a colonização do continente americano”, disse o cientista, em entrevista ao jornal inglês Guardian.

A maior parte dos objetos encontrados são os restos da fabricação e manutenção de outras ferramentas. Contudo, “mais de 50 são ferramentas propriamente ditas”, disse Waters. De acordo com o arqueólogo existem objetos que aparentam ser projéteis e outros que foram feitos com o propósito de raspar e cortar. Os cientistas acreditam que as ferramentas eram pequenas para que pudessem ser levadas com facilidade para outras localidades.

Embora os objetos sejam diferentes da cultura Clóvis, Waters acredita que os dois sítios arqueológicos podem ter ligação. “A civilização que produziu os objetos que encontramos teve tempo suficiente para aprender a construir objetos que hoje reconhecemos como sendo da cultura Clóvis”, disse. “Acho que passou da hora de formularmos um novo modelo para o povoamento das Américas”, afirmou o arqueólogo.

Fonte: Veja Online.


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