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Cromossomo Y não é um mero definidor de sexo

Descobertas mostram que cromossomo Y não é um mero definidor de sexo. Pesquisa revela que as células carregam propriedades do cromossomo.

O cromossomo Y, conhecido na biologia básica por definir o sexo, e que já foi até tido como ameaçado de extinção por estar com a carga genética diminuindo, voltou a ser visto com atenção: segundo um novo estudo do Instituto Whitehead, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ele atua na expressão dos genes e pode explicar as diferenças de propensão a doenças entre homens e mulheres.

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O estudo publicado na revista Nature também mostra que, de fato, o cromossomo Y tem apenas 19 dos aproximadamente 600 genes que ambos os cromossomos (X e Y) compartilhavam há cerca de 300 milhões de anos. O declínio do cromossomo Y parou e ele está estável nos últimos 25 milhões de anos. Isso porque muitos desses genes são cruciais para a sobrevivência humana, muito mais do que apenas determinar o sexo.

Alguns deles afetam a síntese de proteínas, o quanto ativo um gene é, outros emendam segmentos de RNA. São encontrados no coração, no sangue, nos pulmões e outros tecidos do corpo.

— São personagens poderosos na “central de comando” das células — afirma David Page, biólogo do instituto Whitehead e um dos autores da pesquisa.

Nos mamíferos e em muitos outros animais as fêmeas têm dois cromossomos X (abreviado XX) e os machos um cromossomo X e um Y (abreviado XY). O cromossomo Y é muito menor e evoluiu a partir de um X através da perda massiva de genes.

O cromossomo Y sofria com as más notícias. Em 2002, outra pesquisa publicada na Nature previa que ele estaria extinto em 10 milhões de anos, o que deixou muita gente divagando se os homens iriam junto. A pesquisa de Page e seus colegas do MIT examinou justamente a história evolutiva do cromossomo e revelou o quão estável ele esteve nos últimos 25 milhões de anos.

Isso se deu graças a 12 genes que não tem nada a ver com a determinação do sexo. São responsáveis por funções celulares vitais como a síntese de proteínas e a regulação da transcrição de outros genes. Isso significa, de acordo com o estudo, que o cromossomo Y é importante para a sobrevivência de todo o organismo.

A descoberta pode mudar a forma de estudo de biólogos e bioquímicos que estudam as células sem ter ideia se são XX ou XY. A pesquisa dos americanos seguirá neste sentido, atrás da diferença entre células masculinas e femininas. Isso abre uma porta para descobrirmos o motivo de algumas doenças se manifestarem mais em homens do que mulheres, por exemplo. Os cientistas acreditam que os cromossomos podem ser mais responsáveis por essa diferença do que hormônios sexuais como testosterona e estrogênio.

Fonte: Planeta Ciência.

Equipe Agron

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