Turismo rural na capital paulista
Saiba mais sobre a região de Parelheiros, onde é possível visitar propriedades agrícolas, cachoeiras, trilhas em áreas de proteção, templos de diversas religiões e aldeias indígenas.
Há aproximadamente 35 quilômetros do centro da cidade de São Paulo fica o distrito de Parelheiros, onde há mais de 20 anos se pratica o turismo ecológico. Entre as principais atrações estão trilhas em áreas de mata preservada; passeios náuticos que cruzam as represas da região e patrimônios históricos e culturais, como templos e igrejas; além de tribos indígenas e chácaras de produtores de orgânicos.
De acordo com Solange Dias, moradora da região e conselheira do Polo Turístico de Parelheiros, o lugar está apto a receber visitantes que queiram se aproximar da natureza e ajudar na conservação do patrimônio. “Estamos lutando para manter as nossas riquezas naturais e trazer melhorias de infraestrutura para a região. O objetivo é incentivar os moradores a investir no potencial de Parelheiros e atrair cada vez mais pessoas de fora.”
Encontro com a natureza
Em relação aos atrativos naturais, a região congrega parte das bacias hidrográficas das represas Billings e Guarapiranga e preserva a Mata Atlântica nativa. Duas destas manchas verdes são áreas de proteção ambiental, as APAs Capavari-Monos e Bororé-Colônia. No entorno, estão também o núcleo Curucutu do Parque Estadual da Serra do Mar e Parques Naturais Municipais.
Na Capivari-Monos, o turista pode aproveitar para conhecer a cachoeira do Jamil e os rios que dão nome à área de proteção ambiental. O principal ponto de apoio nessa rota é a Fazenda Nossa Senhora das Graças, onde há estacionamento, banheiros e área de piquenique. Em um outro roteiro dentro da reserva, se recomenda a visita à Cratera de Colônia, formação geológica esculpida pela queda de um meteoro há cerca de 20 milhões de anos.
Próximo dali está também o bairro de Colônia, fundado por alemães, e que guarda o primeiro cemitério protestante do Brasil. Em julho, a comunidade alemã dessa região promove o Colônia Fest, evento que celebra as tradições e costumes de seus descendentes.
No caso da APA de Bororé, o acesso é feito por balsa. E apesar de ser parte de uma península, a região é conhecida como ilha de Bororé. O trajeto pela represa Billings é um espetáculo à parte. Na área de proteção ambiental é possível avistar ainda, durante o verão, ninhos de garças que fazem das margens da represa seu berçário. No local, está o Sítio Paiquerê, que recebe grupos de visitantes e organiza eventos. Na ilha de Bororé outra atração é a Capela São Sebastião, construída em 1904 por imigrantes portugueses.
Religião e cultura
Templos e igrejas – tanto da cultura afro, como japonesa, chinesa entre outras – são mais um atrativo. Segundo Solange, dada a sua diversidade religiosa, o distrito é tido como polo de casamentos no campo.
Asé Ylê do Hozooane é um dos destinos que devem estar na agenda de quem se interessa pela cultura e culinária africana. No local, são organizadas, festas, rituais, e apresentações em louvor aos Orixás. A instituição também promove debates sobre racismo e exerce forte papel de manutenção das tradições afro em Parelheiros.
Exemplo da arquitetura chinesa, o templo budista Quan-Inn recebe visitantes aos domingos e foi inteiramente construído graças aos esforços de imigrantes locais. Uma das maiores belezas do templo são as estátuas de Budha localizadas no prédio principal do complexo.
Representante da cultura japonesa, o Solo Sagrado foi construído para que praticantes da meditação pudessem ter um espaço de sintonia com a natureza. A arquitetura é inspirada no movimento criado por Mokiti Okada no Japão, que visava edificar os chamados “Paraísos Terrestres”. Hoje, o local recebe pessoas de diversas religiões e sedia diferentes eventos e cerimônias.
Aldeias indígenas
Recentemente, além das aldeias Tenondé-Porã e Krukutu, outra área foi demarcada para ocupação indígena guarani em Parelheiros. Karai Jekupe, guerreiro branco cujo nome em português é Evandro, afirma que o objetivo é que aos poucos se forme um grande arco ligando as aldeias da região às do litoral. Atualmente, o mais longe que se consegue chegar cruzando a reserva é até a cidade praiana de Itanhaém (SP).
Segundo Evandro, o turismo nas aldeias é voltado principalmente para a realização de trilhas. “Também tem quem venha passar o dia com a gente e conhecer a reserva, mas geralmente aparecem interessados em fazer passeios pela mata.” Ele diz que a duração de uma trilha até o litoral é de aproximadamente oito horas e que no caminho faz pausas para os turistas tomarem banho de cachoeira e comerem algum lanche.
“Como usamos sempre a trilha, ela não é de mata fechada, mas exige um certo preparo físico de quem quer se aventurar.” Ele cobra R$ 20 por pessoa para ser guia no trajeto. Os passeios precisam ser agendados com antecedência. Em relação às visitas à aldeia, ele diz que a comunidade está aberta aos turistas e que essa é uma forma de incentivar a preservação da cultura guarani, pelo qual eles tanto zelam.
Fonte: Globo Rural.

