Cotações da pluma de algodão tem aumento

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Cotações da pluma de algodão fecharam fevereiro com elevação expressiva.

As cotações da pluma fecharam fevereiro com elevação expressiva, superando os R$ 5,00/lp. Entre 29 de janeiro e 26 de fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, avançou 10,72%. O movimento de alta do Indicador tem sido crescente, de modo geral, desde meados de 2020.

A média do Indicador em fev/21 foi de R$ 4,7894/lp, 10,8% maior que a do mês anterior e expressivos 68% superior à média nominal de fev/20. Quando deflacionado pelo IGP-DI de jan/21, o valor de fev/21 esteve 32,7% acima do de fev/20 e é o maior desde jun/18, quando foi de R$ 5,2028/lp.

O aumento veio da recuperação do consumo em toda a cadeia têxtil, inclusive acima das expectativas de agentes do setor, o que acaba pressionando os estoques de passagem em relação ao que se esperava. Como resultado, os preços internacionais subiram, aumentando a paridade e elevando os valores no Brasil.

Em fevereiro, o Indicador esteve, em média, 9,8% maior que a paridade de exportação – a maior diferença desde fevereiro/19, quando era de 12,2%. Entretanto, ainda esteve bem abaixo da paridade de importação, que, segundo dados da Conab, foi de R$ 5,9660/lp entre 18 e 22 de fevereiro, considerando-se o produto CIF São Paulo, com operação de drawback.

No mês, a paridade de exportação na condição FAS (Free Alongside Ship) registrou aumento de 14,8%, a R$ 4,7955/lp (US$ 0,8593/lp) no porto de Santos (SP) e a R$ 4,8061/lp (US$ 0,8611/lp) em Paranaguá (PR). A principal sustentação veio da alta do preço internacional. O Índice Cotlook A (referente à pluma posta no Extremo Oriente) subiu 12,5% no acumulado do mês, fechando em US$ 0,9850/lp no dia 26 de fevereiro. O dólar aumentou 1,8% frente ao Real de 29 de janeiro a 26 de fevereiro.

Os contratos da Bolsa de Nova York (ICE Futures) também subiram em fevereiro, impulsionados principalmente pelo avanço do valor do petróleo no mercado internacional. Entre 29 de janeiro e 26 de fevereiro, o vencimento Mar/21 subiu 8,9%, para US$ 0,8782/lp, e o Mai/21 reagiu 8,5%, para US$ 0,8883/lp. O contrato Jul/21 fechou o período a US$ 0,8971, alta de 8,4%, e o de Out/21, a US$ 0,8518/lp, aumento de 7,5%.

Embarques – Em fevereiro, a exportação brasileira de algodão em pluma totalizou 235,5 mil toneladas, recuo de 14% frente ao mês anterior, mas ainda 38,6% maior que o volume registrado em fevereiro do ano passado, de acordo com a Secex.

O preço médio de exportação em fevereiro, em dólar, segundo a Secex, foi de US$ 0,7274/lp, 3,3% maior que o de janeiro/21 (US$ 0,7039/lp) e 1,7% acima do de um ano atrás (US$ 0,7154/lp). Já em moeda nacional, a média foi de R$ 3,9441/lp (considerando-se o dólar de R$ 5,4219 em fevereiro), elevações de 4,6% sobre o mês anterior e de expressivos 27% frente a fevereiro/20 (R$ 3,1087/lp).

Esse preço é 17,6% inferior ao verificado no spot nacional (Indicador) – a maior diferença negativa desde janeiro/17 (18,2%).

ICAC – De acordo com informações divulgadas no dia 1º de março pelo Comitê Consultivo Internacional do Algodão, a produção mundial na temporada 2020/21 está estimada em 24,2 milhões de toneladas, queda de 8,2% no comparativo com a safra passada, mas com reajuste positivo de 0,4% frente ao relatório anterior. Já o consumo foi elevado em 1,5% frente aos dados de fevereiro, indo para 24,46 milhões de toneladas, 7,4% superior à temporada 2019/20. Dessa forma, mesmo com os sinais de recuperação, esse aumento no consumo não compensaria totalmente as perdas ocorridas em decorrência da pandemia. No entanto, o consumo ultrapassa a produção na temporada 2020/21.

A exportação mundial, por sua vez, subiu 0,6% frente a janeiro e pode aumentar 4,1% frente à safra anterior, ficando em 9,39 milhões de toneladas. Nesse cenário, o estoque final deve ser de 21,11 milhões de toneladas, recuo de 1,2% na comparação com a temporada 2019/20.

Quanto aos preços, a estimativa divulgada em março para o final da temporada 2020/21 indica média do Índice Cotlook A de US$ 0,7570/lp, alta de 3% frente ao relatório anterior.

Caroço de algodão – Colaboradores do Cepea relataram enfraquecimento nas vendas de farelo e torta de caroço de algodão, com compradores mais cautelosos em realizar novas aquisições no spot, principalmente diante dos altos patamares de preços. Porém, a oferta esteve restrita em fevereiro, e vendedores seguiram firmes nos preços pedidos. De modo geral, as atenções estiveram voltadas ao cumprimento dos contratos a termo, seja de matéria-prima e/ou seus derivados.

Segundo informações captadas pelo Cepea, o preço médio do caroço no mercado spot em fevereiro/21 em Barreiras (BA) foi de R$ 1.658,33/t, avanço de expressivos 70,2% em relação a fevereiro/20 (R$ 974,43), em termos reais – as médias mensais foram deflacionadas pelo IGP-DI de janeiro/21. Em Lucas do Rio Verde (MT), a média de fevereiro foi de R$ 1.432,88/t, expressivamente maior que há um ano, de R$ 686,67/t (+108,07%). Em Primavera do Leste (MT), houve alta de significativos 106,2% no ano, a R$ 1.511,43/t em fevereiro/21, contra R$ 732,82/t em fev/20, também em termos reais. No mesmo período, em Campo Novo do Parecis (MT), a média registrou elevação de 118,3%, a R$ 1.398,06/t, bem acima da de fevereiro/20 (R$ 604,57/t).

Preço do algodão já sobe quase 80% em um ano

Confira as cotações atualizadas no Indicador BBM.

O ano de 2021 começou bem diferente do que 2020 para o mercado do algodão. Entre os principais produtos do agronegócio, o algodão foi um dos mais impactados pela pandemia no último ano, tanto em relação ao consumo interno quanto às exportações. Mas de lá para cá, o cenário mudou. A comercialização interna do algodão se aqueceu e as indústrias voltaram a funcionar a topo vapor, assim como houve aumento nos embarques. Essa recuperação nas exportações começou a ser percebida já a partir do segundo semestre do ano passado.

Já em fevereiro deste ano, as exportações brasileiras registraram recorde para o mês, com um total de  235 mil toneladas comercializadas ao exterior, volume 38% superior ao mesmo período do ano passado. A expectativa da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e de outras entidades do setor é de que até o fim do ciclo que encerra em junho, as vendas externas da pluma brasileira atinjam entre 2,2 milhões e 2,3 milhões de toneladas.

Se os números otimistas se confirmarem, este será um novo recorde de exportação em uma temporada. “O algodão brasileiro vem ganhando espaço no mercado internacional pela sua qualidade e pela constância no fornecimento, além da seriedade que existe entre produtores e tradings para performar estes contratos. Um trabalho bem feito de longo prazo”, enfatiza Bernardo Souza Lima, corretor de algodão associado à Bolsa Brasileira de Mercadorias.

O  resultado positivo é visto também nos preços. Há um ano, o indicador da Bolsa Brasileira de Mercadorias apontava para o valor da pluma de R$ 2,89  por libra peso, hoje, o valor é quase 80% maior, o preço do algodão no Posto São Paulo apareceu em R$ 5,16 na última sexta-feira, uma alta nominal de 78% em um ano. “O que tem formado os preços domésticos é a cotação internacional do algodão e o câmbio, além do quadro de forte demanda pelo algodão brasileiro”, explica o corretor. No mercado de câmbio, o dólar comercial bateu um recorde acima de R$ 5,70 na primeira semana de março.

Em alerta, o mercado interno, que passou por grandes oscilações e drástica redução no ritmo especialmente no primeiro trimestre de 2020 e depois se recuperou, vê agora uma segunda e pior onda de Covid-19 no Brasil, mas, de acordo com Bernardo, o fator da sazonalidade da produção têxtil, menor para esta época, pode não provocar tanto impacto neste primeiro momento. Ao mesmo tempo, as fábricas brasileiras alegam dificuldade no repasse de preços da matéria-prima para o produto final e, com isso, começam a dar sinais de desempenho mais fraco nas vendas.

Em Nova York, a semana passada foi marcada por volatilidade especialmente em função das à questões macroeconômicas dos Estados Unidos.  Depois de fecharem em queda na semana anterior, as cotações se recuperaram e depois cederam novamente, terminando mais uma semana no campo negativo.  O contrato de Jul/21, por exemplo, fechou na sexta cotado a 88,67 U$c/lp, com queda na semana. Ainda assim o patamar atual de preços no mercado internacional é 25% mais alto do que aquele observado no período pré-pandemia.

Fonte: Cepea – Agromensais de Fevereiro/2021 – www.cepea.esalq.usp.br

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias – BBM.


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