Cotação boi, suínos, frango, farelo de soja e milho

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Análises CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

BOI/CEPEA: Pressão compradora limita novos aumentos nos preços da arroba

Após o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 ter atingido R$ 292,00 no dia 11 de novembro, os valores da arroba se enfraqueceram nos dias seguintes. Segundo pesquisadores do Cepea, muitos frigoríficos, especialmente os que trabalham apenas com o mercado doméstico, postergam as compras de novos lotes de animais nos atuais patamares. Com isso, esses agentes se afastam do mercado, trabalham com escalas curtas e adquirem lotes apenas quando há necessidade. As unidades de abate que trabalham com exportações, por sua vez, acabam tendo certo alívio com as vendas externas, visto que os embarques seguem registrando bom desempenho, principalmente à China. Apesar do recente enfraquecimento do dólar, o patamar da moeda norte-americana ainda está elevado, o que tem favorecido a receita recebida em Reais. No campo, a oferta de animais para abate ainda é muito baixa, contexto que limita quedas intensas nos preços de negociação. Embora dados indiquem crescimento no volume de boi em confinamento neste ano, o primeiro giro foi limitado, devido a incertezas relacionadas à pandemia de coronavírus. Além disso, muitos confinadores estão estendendo o período de engorda, no intuito de entregar animais mais pesados. Alguns pecuaristas, ainda, seguram o boi no pasto, à espera de novos aumentos nos preços, sobretudo diante dos elevados custos de produção – aqui ressaltam-se o dólar alto, que encarece os insumos importados, e os preços recordes reais do bezerro, do boi magro, assim como os do milho e do farelo de soja.

SUÍNOS/CEPEA: Diferença entre os preços das carnes suína e de frango aumenta e atinge novo recorde

Com os preços do suíno vivo e da carne do animal em patamares recordes, a diferença entre os valores da carcaça especial suína e do frango inteiro resfriado renovou a máxima real da série histórica do Cepea (deflacionada pelo IPCA de outubro/20) em novembro, indicando a menor competitividade da proteína suína frente à concorrente. Na média parcial do mês (até o dia 25), a carcaça especial suína esteve 7,62 Reais/kg mais cara do que o frango inteiro resfriado, considerando-se os produtos comercializados no atacado da Grande São Paulo. Além de ser a maior na série histórica real do Cepea, iniciada em 2004, essa diferença é ainda 14,4% maior que média registrada em outubro. Na comparação com a carcaça bovina, a diferença entre as cotações também se ampliou, elevando a competitividade da carne suína frente a essa substituta, uma vez que os preços da segunda seguem fortes no atacado, enquanto os da primeira registraram queda na última semana de novembro, refletindo o enfraquecimento da demanda e a resistência do mercado aos elevados patamares dos preços no atacado. Apesar da desvalorização no fim do mês, o preço médio mensal da carcaça especial suína fechou a R$ 13,13/kg, alta de 9,5% frente ao de outubro e recorde real da série histórica do Cepea. Vale ressaltar que, no geral, a média mensal foi sustentada pela procura da indústria por novos lotes de suínos e oferta reduzida de animais em peso ideal de abate.

FRANGO/CEPEA: Liquidez interna diminui, mas exportação firme mantém preços em alta

As vendas internas de carne de frango registraram bom desempenho na primeira quinzena de novembro, refletindo a demanda aquecida, típica em início de mês, e a maior competitividade frente às principais concorrentes: bovina e suína. Com isso, a procura da indústria por animais para abate também aumentou, impulsionando as cotações. Já na segunda quinzena, a liquidez diminuiu. No entanto, como as exportações da proteína permaneceram firmes, as cotações seguiram em alta. Conforme relatório parcial da Secex, nos 14 primeiros dias úteis de novembro, foram embarcadas 240,66 mil toneladas de carne de frango in natura, com média diária de 17,19 mil t. Essa é a maior média diária desde maio e 15,9% acima da observada em outubro/20. No mercado interno, a proximidade do fim do ano e as incertezas com relação ao mercado, que apresentou movimentações atípicas em 2020, têm dificultado as estratégias de compradores quanto ao volume a ser estocado para o período de festas. Além disso, muitos agentes – desde produtores a frigoríficos – tendem a rearranjar a produção neste período, dedicando parte dela às chamadas aves natalinas, o que pode alterar a dinâmica de vendas do setor de frango. Por outro lado, alguns compradores já programam aquisições de novos lotes – colaboradores do Cepea indicam que alguns produtos específicos, como a asa e a coxa, já têm toda sua produção vendida até o fim do ano, tanto para o mercado doméstico quanto para exportação.

FARELO DE SOJA: Com demanda aquecida, preços renovam recorde real

A firme demanda por farelo de soja elevou os preços do derivado a patamares recordes reais em novembro. Além da alta procura no mercado doméstico, a baixa oferta de soja em grão e o possível consumo global recorde na safra 2020/21 também influenciaram as cotações do farelo no último mês – conforme dados do USDA, o consumo mundial de soja deve somar 250,19 milhões de toneladas na temporada. Diante da baixa disponibilidade doméstica e da retração de sojicultores, que não têm interesse em negociar o grão remanescente da safra 2019/20, consumidores brasileiros precisaram buscar novos lotes da oleaginosa e do derivado no mercado externo. Vale ressaltar que, desde outubro, as importações têm sido favorecidas pela isenção nos impostos de países fora do Mercosul. Esse cenário, somado à boa margem de lucro das indústrias, tem levado algumas fábricas a aumentar as aquisições do grão para continuar abastecendo o mercado nacional de derivados. Assim, embora a demanda por farelo siga elevada, consumidores relatam, agora, maior facilidade nas compras, mesmo que a preços maiores, o que trouxe certo alívio aos agentes que temiam o desabastecimento de farelo. Assim, na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os preços do farelo de soja subiram 11,5% entre outubro e a parcial de novembro (até o dia 25) e expressivos 76,4% entre novembro de 2019 e de 2020, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI de out/20).

MILHO/CEPEA: Clima influencia e preços registram movimentos opostos dentre as praças

As negociações envolvendo milho estiveram lentas no mercado brasileiro em novembro. Diante do elevado patamar dos preços, compradores adquiriram apenas pequenos lotes. Quanto aos valores, foram registrados movimentos opostos dentre as regiões acompanhadas pelo Cepea. No Sul do País, as precipitações foram pontuais durante o mês, preocupando agricultores. Assim, produtores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina seguiram limitando a oferta, levando consumidores a buscar o produto em Mato Grosso do Sul. Esse contexto sustentou as cotações nesses estados. No Paraná, produtores estiveram atentos ao baixo volume de chuva e ao desenvolvimento das lavouras, permanecendo afastados do mercado. Porém, o recuo do dólar e a demanda enfraquecida nos portos limitaram as altas em algumas regiões. Assim, o movimento dos preços foi distinto dentro do estado. Já em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, as chuvas do fim do mês deixaram agentes mais otimistas quanto à produção da safra de verão, e, por isso, houve um ligeiro aumento na oferta e consequente queda nos valores. Assim, depois de subir por semanas consecutivas e atingir recorde real no encerramento de outubro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (região de Campinas, SP) caiu 2,6% no acumulado parcial de novembro (até o dia 25), fechando a R$ 79,77/saca de 60 kg no dia 25.

Textos elaborados pela Equipe Cepea.


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