Análises CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
BOI/CEPEA: Preço do boi gordo renova máxima real; China compra mais, mas diminui valor pago
Os preços da arroba do boi gordo seguem em alta no mercado doméstico. Na parcial de agosto (até o dia 26), o Indicador CEPEA/B3 (São Paulo, à vista) registrou média de R$ 227,19, a maior, em termos reais, considerando-se toda a série do Cepea, iniciada em 1994 (as médias mensais foram deflacionadas pelo IGP-DI de julho/20). Entre 31 de julho e 26 de agosto, especificamente, o Indicador permaneceu praticamente estável (-0,2%), fechando a R$ 227,85 no dia 26. Segundo pesquisadores do Cepea, além da baixa oferta de animais prontos para abate, a aquecida demanda internacional, especialmente por parte da China, segue sustentando as cotações domésticas. De janeiro a julho deste ano, o país asiático foi destino de mais de 40% do total de carne bovina exportado pelo Brasil. Conforme dados da Secex, ao longo de 2020, os envios nacionais de carne à China somam 451,77 mil toneladas, contra 174,98 mil toneladas no mesmo período do ano passado, ou seja, expressivo crescimento de 158,2%. Por outro lado, o país asiático tem reduzido o preço pago pela carne brasileira. Enquanto em janeiro deste ano, o valor pago foi de US$ 6,07/kg, em julho, caiu para US$ 4,32/kg, recuo de quase 30%. Em 2020, a média está em US$ 4,98/kg, 3,51% inferior à de 2019, de US$ 5,16/kg. No entanto, o dólar em patamar elevado acaba amenizando a queda no recebimento de frigoríficos em moeda nacional.
SUÍNOS/CEPEA: Valor do suíno vivo opera em patamar recorde real no Sul do País
Em agosto, os Indicadores CEPEA/ESALQ do Suíno renovaram as máximas nominais em todos os estados acompanhados pelo Cepea. Em termos reais, os Indicadores de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul atingiram recordes da série do Cepea, iniciada em julho de 2010 (as médias mensais foram deflacionadas pelo IGP-DI de julho/20). Vale lembrar que, até julho de 2019, os Indicadores nos três estados do Sul consideravam tanto as comercializações de animais do mercado independente quanto do integrado, contexto que tende a pressionar os valores para baixo. Desde 1º de agosto de 2019, esses Indicadores passaram a considerar apenas os preços recebidos por produtores independentes. O impulso vem da baixa oferta de animais para abate e da aquecida demanda da indústria por novos lotes de suínos, principalmente por conta das exportações elevadas. Nesse cenário, mesmo diante das fortes valorizações dos principais insumos consumidos na suinocultura, milho e farelo de soja, os elevados preços do animal vivo garantiram crescimento no poder de compra de suinocultores em agosto. Quanto ao mercado da carne, o cenário também foi de alta nas cotações, visto que os frigoríficos nacionais têm repassado as valorizações do vivo para a carcaça e os cortes, na tentativa de garantir margem positiva.
FRANGO/CEPEA: Diferença entre preços do frango e das principais carnes concorrentes é a maior da série
As três proteínas mais consumidas no Brasil registraram altas nos preços em agosto, mantendo a tendência de avanço observada nos meses anteriores. No entanto, as valorizações das carnes bovina e suína foram mais intensas do que as verificadas para o frango. Dessa forma, a diferença entre as cotações médias do frango inteiro abatido e as das carcaças suína e bovina nunca esteve tão ampla, considerando-se a série histórica do Cepea, iniciada em 2004. Esse momento histórico de expressiva competitividade da carne de frango tem elevado a liquidez dessa proteína na ponta final da cadeia, o que, por sua vez, foi o principal fator de impulso aos valores em agosto. Na parcial do mês (até o dia 26), o frango inteiro registrava preço médio de R$ 4,97/kg na Grande São Paulo, valorizações de 4,6% frente a julho e de 10,4% em relação a agosto/19, em valores reais.
FARELO DE SOJA/CEPEA: Cotações renovam recorde em agosto
Mesmo com as altas nos preços da soja em grão, indústrias brasileiras têm conseguido repassar os custos para os derivados, uma vez que a demanda por farelo e óleo de soja segue aquecida. Na segunda quinzena de agosto, os consumidores domésticos – que estavam resistentes nas aquisições de farelo de soja – passaram a demonstrar maior necessidade de compra para recebimento no curto e médio prazos. Assim, o preço médio do farelo de soja subiu 4,7% entre julho e a parcial de agosto (até o dia 26). Quando comparada a média de agosto/2020 com a de agosto/2019, o avanço nos valores do farelo é de expressivos 49,3%. Quase todas as praças brasileiras acompanhadas pelo Cepea registraram preços recordes nominais para o farelo em agosto.
MILHO/CEPEA: Indicador sobe quase 20% em agosto, ultrapassa os R$ 60/sc e renova máxima nominal
Os preços do milho seguiram em acentuado movimento de alta no mercado interno em agosto, inclusive renovando a máxima nominal, apesar do avanço da colheita da segunda safra e das estimativas apontando produção recorde. O impulso às cotações veio da retração de vendedores – que limitaram a disponibilidade do cereal no spot brasileiro –, da demanda interna firme e das exportações em ritmo aquecido. No acumulado da parcial de agosto (até o dia 26), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (base Campinas-SP) subiu expressivos 19,5%, fechando a R$ 60,70/sc de 60 kg no dia 26, novo recorde nominal na série do Cepea. A média da parcial do mês fechou em R$ 55,86/sc, a maior, em termos reais, desde março de 2020, quando foi de R$ 60,30/sc – o recorde real do Cepea, de R$ 73,21/sc, foi registrado em dezembro de 2007 (os valores mensais foram deflacionados pelo IGP-DI jul/20).
Textos elaborados pela Equipe Cepea.
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Gostei muito desse artigo. Afinal, sou também um pequeno produtor do agronegócio, e essas informações me ajudam a planejar a compra desses insumos e rações para a minha avicultura de ovos, aqui em Manaus-AM, onde quase tudo para esse setor da economia até hoje é importado - infelizmente, por um lado, para nós; e, felizmente, por outro para os centros produtores que nos abastecem.
Sr. Antonio, Muitíssimo obrigado pelo seu cmentário. Trabalhamos muito para proporcionar informações corretas e ajudar ao produtor rural, seja ele grande ou pequeno.