Indicador cotação boi, suínos, frango, soja e milho

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Indicador cotação boi, suínos, frango, soja e milho. Análises CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

BOI/CEPEA: Confinador deve enfrentar custos elevados em 2020

Os preços do boi magro e do milho, ambos no estado de São Paulo, registraram em março os maiores patamares nominais das séries do Cepea. Esses dois itens são justamente os que mais pesam sobre o custo de produção do confinador. Segundo levantamento do Cepea, em São Paulo, o boi magro foi negociado entre R$ 2.800,00 e R$ 2.950,00 no mês. Esses preços maiores estão atrelados à oferta restrita de bezerros ao longo do último semestre e às valorizações do boi gordo, que estimulam pecuaristas a terminar seus animais no sistema de confinamento. Nesse sentido, pecuaristas que realizam confinamento precisam estar atentos à sazonalidade de preços do boi magro. Estudos realizados pelo Cepea mostram que, tradicionalmente, os valores desse animal registram menores patamares de setembro a fevereiro de cada ano, período em que esses bois magros já foram confinados. O estudo mostra também que os preços começam a subir já em março, ganhando força em abril e maio. Quanto ao milho, foi negociado na casa dos R$ 59,00/saca de 60 kg na região de Campinas (SP) no encerramento de março. E estudos de sazonalidades de preços do milho no estado de São Paulo mostram que os menores valores são verificados entre junho e agosto, principalmente devido à segunda safra. Ainda assim, confinadores devem se atentar a possíveis intensificações das exportações – especialmente diante do dólar elevado –, que podem limitar a disponibilidade doméstica e elevar os preços. Ressalta-se, no entanto, que a pandemia de coronavírus dificulta as projeções para 2020, já que muitos ainda não sabem em que medida esse contexto tende a prejudicar os comércios doméstico e internacional, seja da carne bovina, seja do milho. Nesse sentido, o ano se mostra bastante desafiador a agentes de mercado como um todo e também ao confinador.

SUÍNOS/CEPEA: Apesar dos efeitos da covid-19 no mercado, médias mensais superam as de fevereiro

As recomendações de distanciamento social e os decretos municipais e estaduais de quarentena na segunda quinzena de março, por conta do avanço da covid-19 no Brasil, reduziram as demandas de restaurantes, escolas, hotéis e outros serviços de alimentação por carnes. Nesse cenário, tanto as vendas quanto as cotações da proteína suína e do animal vivo recuaram. Mesmo assim, na média parcial do mês (até o dia 27), o valor do suíno vivo negociado na região SP-5 (Piracicaba, Sorocaba, Campinas, Bragança Paulista e São Paulo) foi maior do que o registrado em fevereiro, devido à oferta restrita de animais em peso ideal para abate e aos elevados preços dos principais insumos consumidos na atividade, milho e farelo de soja, que impulsionaram os preços do suíno na primeira metade do mês. Essa valorização, porém, não foi suficiente para sustentar o poder de compra do suinocultor paulista na parcial de março, uma vez que os preços do cereal e do derivado de soja subiram com mais intensidade.

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FRANGO/CEPEA: Mesmo com paralisações devido à covid-19, preços encerram mês em alta

A comercialização de carne de frango no mercado atacadista esteve aquecida na primeira quinzena de março na maioria das regiões acompanhas pelo Cepea, favorecida pela firme demanda doméstica e pelo bom desempenho das exportações. Esse cenário, por sua vez, impulsionou as cotações da proteína no período. Já na segunda metade do mês, as paralisações por conta da pandemia do novo coronavírus enfraqueceram a procura interna, pressionando os valores. Essa queda nos preços interrompeu o movimento de recuperação que vinha sendo observado desde a segunda quinzena de fevereiro. Nos mercados de cortes e de frango vivo, a tendência foi a mesma, e os embarques da carne ao mercado internacional também perderam ritmo. No entanto, as vendas voltaram a subir nos últimos dias do mês, refletindo o aumento dos pedidos de mercados para atender à demanda da população para estoque doméstico. De modo geral, as negociações envolvendo produtos congelados registraram maior liquidez, por terem maiores tempo de prateleira e facilidade de estoque. Para as próximas semanas, colaboradores do Cepea acreditam que a proteína avícola tende a ser favorecida pela demanda do consumidor final, visto que é a mais competitiva dentre as principais concorrentes, bovina e suína.

FARELO DE SOJA/CEPEA: Alto preço do grão e expectativa de maior demanda externa elevam cotações

Apesar da pandemia de coronavírus, os preços do farelo de soja registraram alta na média parcial de março frente à de fevereiro. Segundo pesquisadores do Cepea, a valorização é reflexo dos elevados patamares dos valores da soja em grão, que, por sua vez, estão atrelados à apreciação do dólar frente ao Real e à firme procura internacional pela oleaginosa brasileira, principalmente na primeira metade do mês. Com a moeda norte-americana forte, o produto nacional se torna mais atrativo a importadores – no acumulado parcial de março (até o dia 27), o dólar subiu 11,4%, registrando média mensal de R$ 4,84, a maior desde o início do Plano Real, em 1994. Além disso, expectativas de maior demanda externa por farelo, visto que alguns portos da Argentina podem suspender suas atividades para tentar conter o avanço da covid-19, também impulsionaram os preços do derivado no Brasil – vale lembrar que a Argentina é a principal abastecedora global de farelo e de óleo de soja. Com isso, na média parcial de março, os preços de farelo registraram os maiores patamares desde setembro/18, em termos reais (IGP-DI de fevereiro/20), nas regiões de Campinas (SP), Mogiana (SP), Ponta Grossa (PR), Rio Verde (GO), Rondonópolis (MT) e no Triângulo Mineiro. Na média das praças acompanhadas pelo Cepea, as cotações subiram 9,2% de fevereiro para março.

MILHO/CEPEA: Com oferta restrita, Indicador atinge o maior patamar nominal da série

A baixa disponibilidade de milho para comercialização e o maior interesse de compradores sustentaram o movimento de alta dos preços do cereal em março. Em Campinas (SP), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa subiu 11,7% no acumulado parcial do mês (28/2 a 27/3), fechando a R$ 59,50/saca de 60 kg no dia 27 – no dia 24, o Indicador fechou a R$ 59,55/sc, o maior patamar nominal da série histórica do Cepea, iniciada em 2004 para esse produto. Nas demais regiões levantadas, os valores médios são os maiores nominais desde 2016. Segundo pesquisadores do Cepea, apesar de a colheita da safra de verão estar avançando no Sul do País, devido ao clima favorável, muitos produtores seguem preferindo negociar soja em detrimento de milho, limitando a oferta do cereal. Além disso, as altas nos preços também refletem as incertezas ligadas ao desenvolvimento da safra, à disponibilidade de milho nos próximos meses e ao cenário macroeconômico, diante da pandemia global de coronavírus. Apesar do futuro ainda incerto, a forte valorização do dólar frente ao Real eleva a competitividade internacional do milho brasileiro, o que deve favorecer aumentos nos preços nos próximos meses. Com a maior atratividade dos valores internos frente aos externos, os embarques do produto brasileiro estiveram lentos em março, e o fechamento de novos negócios no spot para exportação praticamente não aconteceu.

Textos elaborados pela Equipe Cepea.


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