Cotações em Chicago com viés de alta

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Cotações em Chicago apresentaram um viés de pequena alta.

Mercado esperava cortes nos volumes de produção e estoques finais dos EUA.

As cotações em Chicago apresentaram um viés de pequena alta durante esta semana, na expectativa do relatório de oferta e demanda do USDA, o qual foi divulgado nesta quinta-feira (12). Assim, o primeiro mês cotado, que havia fechado a semana anterior em US$ 8,49 chegou a US$ 8,54 na véspera do anúncio do relatório. Após o relatório, todavia, as cotações dispararam, com os números divulgados influenciando fortemente o mercado. Com isso, o fechamento deste dia 12/09, para o primeiro mês cotado, ficou em US$ 8,83/bushel, cotação que não era vista desde o final de julho.

Durante a semana, além da expectativa do relatório, movimentou o mercado a continuidade das incertezas em relação ao litígio comercial entre EUA e China. E isso, mesmo com a indicação de nova reunião entre os dois países prevista para o início de outubro. Em função disso, os EUA suspenderam o aumento de tarifas sobre alguns produtos chineses, enquanto a China favoreceu alguns produtos estadunidenses, porém, a soja não foi contemplada.

O mercado esperava cortes nos volumes de produção e estoques finais dos EUA, por ocasião do anúncio do relatório de 12/09, mesmo com o clima favorável no Meio Oeste estadunidense. De fato, até o dia 08/09 as lavouras de soja naquele país se mantinham com 55% entre boas a excelentes, porém, chamou a atenção o recuo nas condições das lavouras de milho, com o quadro de boas a excelentes ficando também em 55%, contra 58% na semana anterior.

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Nesse contexto, o relatório divulgado trouxe o seguinte para a safra 2019/20:

1)    Redução da produção estadunidense para 98,9 milhões de toneladas, contra 98 milhões esperadas pelo mercado (menos 24,8 milhões de toneladas em relação ao ano anterior), enquanto os estoques finais caem para 17,4 milhões, contra 18 milhões esperados pelo mercado (menos cerca de 10 milhões em relação ao ano anterior);

2)    Produção mundial mantida em 341,4 milhões de toneladas e estoques finais em 99,2 milhões, contra expectativa do mercado em 101,6 milhões de toneladas (13 milhões a menos do que o ano anterior, no caso dos estoques);

3)    Produção brasileira em 123 milhões e a da Argentina 53 milhões de toneladas;

4)    Importações chinesas mantidas em 85 milhões de toneladas;

5)    Preço médio aos produtores estadunidenses em 2019/20 fica em US$ 8,50/bushel, repetindo o valor do ano anterior.

Assim, estes números provocaram uma forte alta nesta quinta-feira (12) em Chicago, trazendo o primeiro mês cotado para US$ 8,83/bushel, como já vimos. A questão é verificar se este movimento se sustenta nos próximos dias caso o litígio comercial entre EUA e China não chegue a uma solução. Todavia, se o mesmo alcançar um encaminhamento positivo, Chicago tende a romper o teto dos US$ 9,00.

Vale ainda destacar que a economia da China vem perdendo força, potencializada pelo litígio comercial com os EUA. As exportações de agosto recuaram 1%, enquanto o mercado esperava um avanço de 3% sobre julho. Ao mesmo tempo, as importações caíram 5,6% em agosto, e isso pelo quarto mês seguido.

Aqui no Brasil, diante do marasmo em Chicago, o mercado continuou dependente do câmbio e dos prêmios praticados nos portos do país. Ora, estes dois elementos recuaram durante a semana, com o Real, após intervenções do Banco Central, chegando a R$ 4,06 em alguns momentos, enquanto o valor dos prêmios passou a patamares entre US$ 0,85 e US$ 1,26/bushel. Isto ajudou a puxar para baixo os preços da soja.

Assim, o balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 75,80/saco, perdendo praticamente dois reais em relação a semana anterior. Os lotes vieram a R$ 81,00 e R$ 81,50/saco, voltando aos níveis do início de agosto passado. Nas demais praças nacionais os lotes registraram valores entre R$ 71,00 em Querência (MT) e R$ 82,00 em Campos Novos (SC), passando por R$ 79,00/saco no centro e norte do Paraná; R$ 75,50 em São Gabriel (MS); R$ 76,00 em Goiatuba (GO); R$ 77,00 em Uruçuí (PI) e R$ 75,00/saco em Pedro Afonso (TO).

A última safra nacional de soja, até o dia 06/09, havia sido comercializada em 86% do total, contra 87% na média histórica. Os quatro maiores produtores apresentavam o seguinte quadro: Mato Grosso com 88% vendido, contra 92% na média histórica; Paraná com 85%, contra 83%; Rio Grande do Sul com 77% negociado, contra 75% na média histórica; e Goiás com 91% vendido, contra 92% na média histórica. (cf. Safras & Mercado)

Quanto a futura safra, as negociações antecipadas indicavam, até o dia 06/09, um total brasileiro de 21% vendido, contra 18% na média histórica para esta data. Em termos de Estado, o quadro era o seguinte: Rio Grande do Sul com 13% negociado, contra 10% na média; Paraná 18%, contra 15% de média; Mato Grosso 25%, contra 22% na média; Mato Grosso do Sul com 24%, contra 20%; Goiás com 19%, ficando exatamente dentro da média; São Paulo com 13%, também dentro da média; Minas Gerais com 18%, igualmente na média; Bahia com 19%, contra 24% na média; Santa Catarina com 9%, contra 10%; Maranhão com 36%, contra 35%; Piauí com 34%, contra 30% na média; e Tocantins com 35% vendido antecipadamente, contra 34% na média. (cf. Safras & Mercado) Com exceção da Bahia e de Santa Catarina, todos os demais Estados, ou estão na média ou já venderam acima da média histórica. Inclusive o Rio Grande do Sul, fato pouco comum.

FONTE: CEEMA / UNIJUI.


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