Análises CEPEA, da Esalq/USP Análises maio/19

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BOI/CEPEA: Preço do bezerro sobe, mas arroba do boi recua e poder de compra cai

O Indicador do boi gordo ESALQ/[B]3 (mercado paulista, à vista) registrou ligeiras oscilações em maio, mas a média do mês (até o dia 29), de R$ 152,70, foi 2,9% inferior à de abril. Já o Indicador do bezerro ESALQ/BM&FBovespa (Mato Grosso do Sul, animal nelore, de 8 a 12 meses) registrou movimento de alta. Na parcial de maio, a média foi de R$ 1.294,39, alta de 3,4% em relação à de abril. Nesse cenário, a relação de troca de um boi gordo (de 17 arrobas, com venda no mercado paulista) por bezerro (compra no mercado sul-mato-grossense) em maio foi de 2,01 bezerros, 6% abaixo da verificada em abril, quando a venda de um animal para abate possibilitava a aquisição de 2,14 animais de reposição. A relação de troca atual é a mais desfavorável ao pecuarista de recria-engorda desde julho de 2017, quando a venda de um boi gordo possibilitava a compra de 1,89 bezerro, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de abril/19). Segundo pesquisadores do Cepea, enquanto os preços do boi gordo estão enfraquecidos no mercado brasileiro, devido à pressão compradora, os do bezerro estão em alta, diante da postura mais firme de criadores. Como as pastagens estão em boas condições em muitas regiões, parte dos produtores tem preferido manter o animal no pasto, à espera de maiores valorizações. Além disso, o período de vacinação contra a febre aftosa também afastou alguns criadores do mercado em maio.

SUÍNOS/CEPEA: Baixa oferta de animais e exportação firme elevam preços em maio

No correr de 2019, dois fatores têm contribuído para que os valores praticados na cadeia suinícola se mantenham em patamares bastante superiores aos registrados no ano passado: a produção de suínos mais ajustada frente à de 2018 e o aumento contínuo das exportações. A menor produção de carne suína na China, devido aos casos de Peste Suína Africana (PSA), tem impulsionado de forma significativa as exportações de proteínas brasileiras. Segundo dados da Secex, em abril, o volume de carne suína enviado à China foi o segundo maior da série histórica da Secretaria, iniciada em 1997. Na parcial de maio (17 dias úteis), por sua vez, a média diária de embarques, de 3 mil toneladas, era 23% superior à de abril, expressivos 53% maior do que a do mesmo período do ano passado e a maior desde setembro/16. Segundo colaboradores do Cepea, essa conjuntura, além de impulsionar os preços da carne no mercado interno, também tem elevado as cotações do animal, desde o leitão até o suíno pronto para abate. No Oeste Catarinense, o suíno vivo, posto no frigorífico, foi negociado ao preço médio de R$ 4,00/kg na parcial do mês (até o dia 29), avanço de 36% frente ao mesmo período do ano passado. Na região de SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o preço do suíno vivo subiu 37,4% na comparação anual, para a média de R$ 4,46/kg. Quanto ao mercado de carnes, no atacado da Grande São Paulo, o quilo da carcaça especial suína teve valorização de 33,4% na parcial de maio frente ao mesmo período do ano passado, com negócios na média de R$ 6,75/kg (valores deflacionados pelo IPCA de abril/19). Para a carcaça comum, no mesmo comparativo, a alta foi de 34,9%, a R$ 6,52/kg na parcial de maio.

FRANGO/CEPEA: Alta no valor da carne suína eleva competitividade do frango

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O volume de carne de frango in natura exportado até a quarta semana de maio (17 dias úteis) foi bastante elevado, somando 291,2 mil toneladas, conforme dados da Secex. A média diária de embarques no período foi de 17,1 mil toneladas. Esse cenário enxugou a oferta doméstica da proteína, elevando os preços internos, principalmente nas regiões tipicamente exportadoras. Colaboradores do Cepea relataram, inclusive, que o intenso ritmo de embarques em maio dificultou a manutenção dos estoques. No Paraná, o maior estado produtor e exportador de carne de frango do País, os preços do produto congelado subiram 5,6% de abril para maio (até o dia 29), e os do resfriado, 4,1% – ambos com preço médio de R$ 5,05/kg em maio. Apesar da valorização da proteína de frango no mercado brasileiro, as cotações da carne suína registraram altas ainda mais expressivas, o que elevou a competitividade da primeira frente à segunda. Já em relação à carne bovina, cujos preços vêm recuando, houve perda na competitividade. Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento altista das cotações da carne de frango tem favorecido principalmente exportadores. Para os agentes que comercializam apenas no mercado interno, porém, os aumentos têm reduzido a liquidez. Uma vez que o frango vivo também tem se valorizado, agroindústrias têm dificuldades em reduzir o preço de venda da carne. Enquanto em abril a carne suína era 1,73 Real/quilo mais cara do que o frango, na parcial de maio, essa diferença ampliou-se para 1,95 Real/kg, aumentando em 12,8% a competitividade da proteína avícola. Já no comparativo com a carne bovina, o frango teve sua competividade reduzida em 1,2%, com a diferença de preços passando de 6 Reais/kg em abril para 5,92 Reais/kg na parcial de maio (até o dia 29).

FARELO DE SOJA/CEPEA: Maiores demanda, prêmio e valor do grão elevam preço do farelo

O preço interno do farelo de soja, que iniciou maio em queda, fechou o mês em alta, com média de R$ 1.164,70 por tonelada em Campinas (SP), 2,6% superior à registrada em abril. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, a valorização foi de 1,9% na mesma comparação. O aumento das cotações esteve atrelado à significativa valorização dos contratos futuros negociados na CME Group (Bolsa de Chicago), às altas dos prêmios de exportação no Brasil e à maior demanda pelo derivado nacional. No mercado interno, a procura veio principalmente do segmento de proteína animal, enquanto no externo, o aumento da demanda pelo farelo brasileiro reflete os casos de Peste Suína Africana (PSA) na China, que têm direcionado alguns compradores externos ao Brasil. Além disso, a apreciação do dólar frente ao Real também vem elevando as exportações brasileiras. Na parcial de maio (até o dia 24), os embarques de farelo de soja registravam média diária 14,4% acima da observada em abril, segundo a Secex. Esse cenário acabou elevando as expectativas de aumento da produção brasileira de suínos e, consequentemente, impulsionando as cotações do farelo, visto que um maior volume do derivado seria utilizado na alimentação dos animais. Além disso, os valores da soja em grão também subiram em maio – influenciados pelas condições climáticas desfavoráveis ao semeio da oleaginosa nos Estados Unidos –, contribuindo para as altas do derivado.

MILHO/CEPEA: Com recuo produtor e exportação elevada, preço sobe mais de 12% em maio

Até o início de maio, as boas projeções para a temporada 2018/19 vinham pressionando as cotações de milho – dados divulgados pela Conab no dia 9 estimavam que a safra terá a segunda maior produção da história, de 95,25 milhões de toneladas, o que, somado ao estoque inicial de 14,5 milhões de toneladas e às 500 mil toneladas de importação, deve resultar em uma disponibilidade interna de 110 milhões de toneladas – um recorde e 11% acima da temporada passada. Já na segunda quinzena do mês, a retração vendedora e a demanda mais aquecida passaram a impulsionar os preços, principalmente em regiões consumidoras, como São Paulo e Santa Catarina. Nos portos, os valores também subiram. Nesse caso, as recentes apreciações do dólar frente ao Real e as quedas dos preços domésticos nas últimas semanas têm mantido em alta a competitividade internacional do milho brasileiro e, consequentemente, estimulado novos negócios para exportação. Além disso, preocupações com o atraso do plantio de milho nos Estados Unidos têm feito com que os negócios fiquem mais aquecidos no Brasil. Na parcial de maio (17 dias úteis), foram embarcadas 908,4 mil toneladas de milho, volume 16 vezes superior ao exportado em todo o mês de maio de 2018, segundo dados da Secex. No acumulado parcial do mês (até o dia 29), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) subiu expressivos 12,4%, fechando a R$ 37,80/saca de 60 kg no dia 29. Na região do porto de Paranaguá (PR), o preço do milho disponível acumulou alta de 11% no período.

Fonte: Textos elaborados pela Equipe Cepea.


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