Arroz: Mercado gaúcho mantém-se aquecido
Arroz: Mercado gaúcho mantém-se aquecido e puxa alta no resto do País.
Os três leilões realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em dezembro, para conter os preços firmes do arroz no Rio Grande do Sul não foram suficientes para conter o ímpeto de alta na comercialização do cereal pelo produtor.
O indicador ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58% de grãos inteiros – em casca – 50kg) acumula alta de 4,2% até esta quinta-feira (19.12), em R$ 36,49. Pela cotação do dia, a saca equivale a US$ 15,53. Este é o maior preço em reais no ano, segundo o Cepea. Entrando no pico da entressafra de arroz, o Rio Grande do Sul registra baixo interesse dos produtores em ofertar o que ainda está em seu poder.
Nesta época, basicamente resta arroz estocado nos armazéns dos produtores mais capitalizados, boa parte deles com armazenagem própria, que têm o poder de decidir o momento de vender.
A indústria, para se abastecer, teve duas soluções nas últimas semanas: ofertar preços maiores ou participar dos leilões da Conab. Na última quarta-feira mais dois leilões foram realizados, com comercialização de 94,8% da oferta total. Segundo o consultor Carlos Cogo, o pregão referente ao Aviso 235 ofertou 6.847 toneladas do cereal, enquanto o Aviso 236 ofertou 63.245 t. No total, foram colocadas à venda 70.092 toneladas de grão. Foram comercializadas 66,5 mil toneladas, equivalente a 94,8% da oferta. Houve disputa e os lotes foram negociados com ágio sobre o preço de abertura.
“Um lote de 2 mil toneladas de Rosário do Sul (RS) foi negociado com ágio de 19,9%, a R$ 36,50 por saco de 50 Kg. O maior valor desembolsado foi de R$ 39,40 por saco de 50 Kg por um lote de 2.455 toneladas posto em Palmares do Sul (RS)”, revela Cogo.
Os estoques foram negociados ao preço médio de R$ 34,71 por saco de 50kg. No acumulado da safra 2012/13, a Conab ofertou 221.154 toneladas dos estoques públicos, das quais 186.595 t foram arrematadas, o equivalente a 84,4%. Mas, nem assim os preços caíram. Em princípio a Conab não deve promover novo leilão de oferta até o início da colheita, em fevereiro, mas já sinalizou que isso dependerá da trajetória dos preços. Uma alta mais significativa provocará nova oferta.
O menor interesse de venda dos produtores, o dólar valorizado (gerando um câmbio favorável) e as exportações são a principal razão deste cenário. Outros fatores como atraso no plantio em algumas regiões e alguns problemas pontuais, também estão colaborando para esta conjuntura. Na última semana, os especialistas começaram a relatar casos preocupantes e precoces do surgimento de brusone e outras doenças fúngicas e manchas foliares. O clima úmido e seco, especialmente na Depressão Central e algumas áreas da Fronteira Oeste favorece ao surgimento destes problemas.
A Emater/RS já deu a lavoura gaúcha por integralmente cultivada, enquanto o Irga ainda indica um pequeno percentual de áreas ainda sob operação de semeadura. Os preços do Sul refletiram em outra regiões, com altas em cotações do Tocantins, Santa Catarina, Goiás, e em São Paulo. O Mato Grosso praticamente manteve as cotações estáveis esta semana. MUNDO A FAO divulgou relatório final de 2013, projetando que o comércio mundial de arroz em 2014 está estimado em 38,3 milhões de toneladas, 2% acima do esperado para 2013.
Espera-se a volta da Tailândia com ofertas significativas, depois da fracassada política de preservação de estoques visando uma alta dos preços internacionais e valorização dos produtores daquele país. Amplos suprimentos também podem permitir que o Brasil, China, Egito, Guiana e Paraguai antecipem e ampliem suas vendas, de acordo com a oportunidade cambial.
A pressão exportadora da Tailândia poderá afetar negativamente as vendas da maioria dos exportadores, especialmente a Índia, que pode, no entanto, manter a sua posição dominante no mercado global de arroz. Os embarques da Argentina, Paquistão, Uruguai e os Estados Unidos também devem cair. MERCADO A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS), indica preços médios de R$ 36,50 no mercado livre gaúcho para o arroz em casca, em sacas de 50kg (58×10), à vista.
Já para a saca de 60 quilos do produto beneficiado (branco), a referência no Estado é de 71,50, com aquecimento na última semana. O quebrados apontam valorização também, caso do canjicão (60kg) em R$ 39,00 e a quirera (também 60kg/FOB) em R$ 37,00. A tonelada do farelo de arroz (FOB Arroio do Meio – RS) está cotada a R$ 390,00, com aumento de R$ 10,00 sobre a semana anterior.
Fonte: Planeta Arroz.

