Aumento na produção de carne ovina

Compartilhar

Carne ovina: aumento na produção depende de organização dos criadores.

 

Aproximadamente 60% da carne consumida no país é importada de países como Uruguai, Argentina, Nova Zelândia e Austrália.

 

Soluções simples como a formação de grupos de ovinocultores (formais ou não) capazes de organizar tanto a compra de insumos coletiva, reduzindo o custo de produção, como a venda conjunta de cordeiros – facilitando a negociação com o frigorífico e conseguindo maior poder de barganha – podem incrementar a produção de carne ovina no Brasil. A opinião é da coordenadora técnica da Associação Brasileira de Criadores de Dorper (ABCDorper), Regina Valle.

 

“Nosso país é definitivamente um importador de carne ovina. Segundo números do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, cerca de 60% da carne consumida é importada de países como Uruguai, Argentina, Nova Zelândia e Austrália. Nossa produção não é suficiente para atender o mercado interno. Todo ano há procura por empresas interessadas em importar carne ovina brasileira e até mesmo animais vivos (que serão destinados ao abate), mas infelizmente nossa produção não é suficiente para atender a demanda”, diz Regina.

 

O rebanho brasileiro de ovinos – de todas as raças – está estimado em 17,4 milhões de cabeças. Não existem números oficiais a respeito da composição do rebanho ovino brasileiro quando se fala de raças e seus cruzamentos, mas estima-se que 40% são animais puros e mestiços das raças Dorper e White Dorper.

Anuncio congado imagem

 

Aproximadamente 600 criadores de animais puros estão cadastrados junto a ARCO (Associação Brasileira de Criadores de Ovinos), entidade responsável pelo registro genealógico de ovinos. Não há dados sobre o número de estabelecimentos com rebanho comercial (animais destinados ao abate), mas, com certeza, esse montante é mais que o dobro dos criadores de animais puros, segundo avaliação da instituição. Hoje a produção de animais comerciais destinados ao abate oriundos do cruzamento com Dorper e White Dorper é maior nos estados da São Paulo, Bahia, Ceará e Pernambuco.

 

Um dos grandes empecilhos ao crescimento da atividade é o abate clandestino. “É preciso conscientizar o produtor brasileiro que o abate formal – feito em frigoríficos com inspeção sanitária federal, estadual ou municipal – é o mais correto, pois assim se garante qualidade e padrão que o consumidor deseja”, complementa a coordenadora técnica.

 

A ABCDorper lançou, durante o evento Feinco Preview, o programa “Cordeiro Dorper Certificado” para credenciar empresas que abatem e/ou comercializam carne ovina de animais cruzados Dorper e White Dorper.  O selo de certificação garante ao consumidor uma carne de cordeiro com qualidade de origem e produção. O produtor de cordeiros com o padrão determinado pela certificação será bonificado pela empresa que adquirir a carne”, explica Regina.

 

Outra ação promovida pela associação é o programa de melhoramento genético junto com a Embrapa Caprinos e Ovinos, que avalia reprodutores e matrizes das raças Dorper e White Dorper e identifica sua capacidade de transmitir características melhoradoras e assim aumentando a produtividade do rebanho ovino.

 

Padronização de cortes de ovinos:

Com 500 fêmeas PO (puras de origem), sendo 50% de cada raça (Dorper e White Dorper), a VPJ Pecuária concentra sua criação na Fazenda Cardinal, em Mococa (SP). “A empresa foi pioneira na introdução das duas raças no Brasil, em 2003, e hoje é uma das maiores criadoras do País, sendo a única focada totalmente na produção de carne de qualidade e reconhecida com o Selo Cordeiro Dorper Certificado”, diz Adriano Oliveira, gerente da VPJ Pecuária.

 

São 720 toneladas de carne produzidas por ano somente para o mercado interno, comercializadas em restaurantes, hotéis, empórios, supermercados, lojas próprias e em outras lojas de carne em todo o Brasil.

 

Antônio Augusto de Miranda, gerente da VPJ Alimentos, não acredita na popularização do consumo da carne no país, já que não há oferta regular. “A cadeia produtiva de ovinos no Brasil ainda é muito primitiva. Há uma completa falta de padronização de cortes de carnes de ovinos e matéria-prima, o que inibe muito o consumo. A VPJ busca padronizar a raça, o manejo produtivo, o abate e cortes, para que a oferta seja sempre uniforme durante todo o ano. Somente após termos volumes padronizados podemos buscar novos mercados”, conclui.

 

Fonte: Kleffmann.


Compartilhar

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *