Chuvas devem afetar safra de trigo no Paraná
As lavouras de trigo do Paraná, grande produtor do cereal no país, deverão registrar perdas de produtividade pelas chuvas intensas que atingem o Estado há cerca de dez dias, afirmou um especialista do Departamento de Economia Rural (Deral) nesta terça-feira.
A produtividade agrícola deverá ser afetada principalmente por doenças fúngicas, que encontram um ambiente favorável com o tempo chuvoso prolongado. Para complicar a situação dos produtores, há previsões de precipitações para o Estado até o fim desta semana.
“O pessoal está tendo dificuldade para aplicação de fungicidas. Deve afetar a produtividade do trigo. O quanto vai afetar é que é difícil falar”, afirmou o coordenador da Divisão de Estatística do Deral, Carlos Hugo Godinho.
Uma boa produção no Paraná ajuda a reduzir a necessidade de importação do Brasil, um importador líquido do cereal.
Segundo o especialista da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, as chuvas dificultam ainda a aplicação de fungicidas.
“O efeito das chuvas só poderá ser dimensionado daqui a um mês mesmo… Só vamos conseguir saber o quanto influenciou quando estiver colhendo”, completou Godinho.
O Paraná ainda está em fase de plantio, que também tem sido atrasado pelas chuvas.
Segundo ele, na próxima estimativa de área plantada, a ser divulgada nesta semana, o Deral deverá apontar um aumento de área para mais de 900 mil hectares, contra a estimativa em maio de 897 mil hectares, com produtores apostando no cereal em função de preços favoráveis.
Em maio, o Deral apontou que o Estado poderia produzir 2,6 milhões de toneladas, ou cerca de metade da safra nacional, estimada pelo Ministério da Agricultura em 5,5 milhões de toneladas.
No relatório desta semana, dificilmente o Deral conseguirá apontar alterações nas produtividades atualmente estimadas em 2.926 kg por hectare.
Em 2009, as chuvas também afetaram fortemente a produtividade média, que não chegou a 2.100 kg/ha no Estado.
ÁREAS ALAGADAS
Segundo a Somar Meteorologia, em Toledo (PR) choveu no acumulado do mês até esta terça-feira 243 milímetros, valor 112 por cento acima da média do mês. Em Ponta Grossa, o volume total de chuvas em junho chega a 255 mm, 160 por cento superior à média climatológica para o mês.
“Essa chuvarada toda tem prejudicado não só o andamento do plantio… mas também o desenvolvimento das lavouras… essas chuvas têm afetado o pegamento da florada e consequentemente haverá uma redução nos potenciais produtivos dessas lavouras”, disse em relatório o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar.
Outro problema tem relação com alagamentos de algumas áreas. “Isso irá comprometer a germinação. Sendo necessário o replantio dessas áreas”, escreveu ele.
No Rio Grande do Sul, outro importante produtor de trigo do país, a situação é um pouco melhor, acrescentou a Somar, já que os volumes de chuvas não estão trazendo prejuízos aos produtores. O plantio gaúcho já chega a 60 por cento da área estimada.
Fonte: Reuters Autor: Roberto Samora

