A importância do melhoramento genético animal
A introdução dos bovinos no Brasil ocorreu a partir da colonização da América, trazendo raças Ibéricas ao continente. Ao longo dos séculos, os animais passaram por processos de adaptação às condições sanitárias, climáticas e manejo. No entanto, em um sistema de produção a busca por raças mais produtivas fez com que, a partir do final do século XIX e início do século XX acontecesse a importação de animais europeus considerados de alto potencial genético, introduzindo novas raças no mercado.
Com o passar do tempo às exigências do mercado aumentaram, visando cada vez mais qualidade, saúde e bem-estar animal. Em relação à carne bovina o reflexo ocorreu da seguinte forma, aumentou-se a tecnificação do setor em diversos setores da cadeia e, na produção, houve intensificação do sistema, associado ao manejo de pastagens, tratamento sanitário, assim como a genética, ponto crucial para a obtenção de um padrão de produção e na comercialização.
A produção animal se baseia em três pilares de sustentação: a nutrição, o manejo e o melhoramento genético, pois o desempenho do animal (fenótipo) depende da resposta genética aos estímulos do ambiente. E a fim de maximizar a resposta e a qualidade animal o uso de melhoramento e avaliação genética é recorrente no setor.
O melhoramento genético faz uso de ferramentas estatísticas e genéticas, de forma a selecionar os animais com melhores genótipos. Sendo assim, usualmente utiliza-se da genética quantitativa, que consiste no estudo de populações, onde são feitos cruzamentos entre os reprodutores e a seleção de suas crias. Desta forma, é permitida a fixação de alguma característica de importância, selecionando animais comum de padrão melhor, verificando se os mesmos conseguem transferí-los a seus filhos, e analisando os fatores como herdabilidade e diferença entre os animais selecionados.
O processo de melhoramento genético é efetivo, no entanto seu processo é demorado, por isso algumas ferramentas de análises são utilizadas permitindo ao pecuarista escolher quais são os animais que, ao se cruzarem, irão gerar uma progênie de alto desempenho.
A avaliação genética analisa alguns parâmetros, como peso no nascimento, na desmama, abate, circunferência escrotal, resistência às verminoses, prolificidade, propensão materna, escore de musculosidade e de carcaça (rendimento) e, através de análises estatísticas (média e desvio padrão e variância) escolhe-se os reprodutores, as matrizes e os animais que deverão ser descartados.
Uma das ferramentas mais utilizadas para a avaliação genética é a Diferença Esperada na Progênie (DEP), a qual indica o valor genético da progênie e expressa a capacidade de transmissão genética de um animal avaliado como progenitor (pai ou mãe), permitindo ao criador escolher os animais de descarte e/ou incorporação ao rebanho (Tabela 1), podendo escolher o reprodutor mais adequado para o acasalamento com uma matriz específica, permitindo a correção de características deficitárias das matrizes do rebanho.
Tabela 1. Etapas de medição de parâmetro da DEP.
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Descrição dos motivos e considerações para uso de DEP obtida pelo programa de avaliação genética. |
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DEP para |
Para que serve |
Considerações |
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Peso ao nascimento |
Para escolher um reprodutor cujos filhos serão mais pesados ao nascimento. |
Pondere este índice, pois nascimento de bovinos muito pequenos não é ideal, pois aumentaria o prazo para o peso da desmama. No entanto, se muito grande, pode trazer dificuldades no parto. |
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Peso na desmama |
Para escolher um reprodutor cujos filhos serão mais pesados na desmama. |
Índice interessante para aqueles que querem vender um bezerro para engordar para abate, ou para ganhar tempo na terminação, pois desmamaram mais pesados, então serão terminados mais rápido. |
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Peso ao abate |
Para escolher um reprodutor cujos filhos serão abatidos. A DEP deve ser escolhida de acordo com o sistema de produção. |
Índice interessante para aqueles que querem abater os bois mais pesados ou querem ganhar mais tempo na terminação. |
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Peso adulto |
Para escolher um reprodutor cujos filhos serão mais pesados quando atingirem a idade adulta. |
DEP´s elevadas para este índice pode ser interessantes àqueles interessados em vender os animais para reprodução, salvo que nem sempre é interessante ter matrizes pesadas pois, o custo de manutenção irá ser maior. Deve adotar valores de DEP condizentes com a raça do animal. |
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Circunferência Escrotal |
Fertilidade do rebanho. |
DEP positivam indicam que a fertilidade do rebanho irão se elevar. |
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Resistência à verminose |
Animais resistentes à verminose. |
Menor necessidade de vermifugação, reduzindo custos. |
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Parto gemelar |
Aumenta prolificidade do rebanho. |
Quanto menor o índice de prolificidade, menor o índice de manutenção da matriz. |
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Habilidade materna |
Escolha de um reprodutor cujas filhas serão as melhores mães. Indicado para a seleção de reprodutores para produção de matrizes de reposição. |
É um índice muito importante para a sugestão do pai de suas novas matrizes. Ponderar com o DEP de parto gemelar, peso ao nascimento e desmame. |
Fonte: UNIMAR.
Uma das medições da DEP é a pesagem dos animais, que pode ser efetuada em balanças eletrônicas com leitura digital, ou então por leitura analógica.
No entanto, ao utilizar a DEP é necessário se atentar a acurácia do sistema, que varia de 0 a 1 (ou 0 a 100%) indica a confiabilidade com que a DEP foi calculada, sendo que quanto mais perto de 1 (ou 100%) mais confiável é o valor da DEP. Em geral, deve-se avaliar animais filhos do mesmo pai, permitindo inter-relação genética entre os diversos grupos avaliados, caso a qualidade dos dados seja baixa, a seleção dos animais para serem os reprodutores ou então os que deveriam ser descartados, podem ser equivocadas.
Para obter bons resultados do DEP é necessário atenção ao preencher os questionários informativos, além de orientar e treinar os funcionários e responsáveis pelo rebanho.
O estabelecimento de um cronograma de levantamento e entrega de dados deve ser efetuado, além de inspeções técnicas obrigatórias realizadas através de técnicos credenciados que acompanharão as pesagens anuais.
A coleta de dados é uma rotina obrigatória, em geral é feita através do preenchimento das planilhas de DEP e da alimentação do software de gestão do rebanho com os dados coletados, estas informações são enviadas ao banco de dados e posteriormente são calculados os índices matemáticos e estatísticos.
Após a seleção dos animais reprodutores do rebanho é necessária que a genética dos animais seja preservada; o cruzamento controlado é imprescindível; ou então a utilização medidas como inseminação artificial, atuando de forma a conhecer a origem do material genético.
A inseminação artificial possui algumas vantagens, pois permite ao criador cruzar suas fêmeas com touros puros de raças distintas através da utilização do sêmen destes reprodutores, além de permitir a pequenos produtores usufruírem da quantidade e da qualidade de sêmen de reprodutores de linhagens excepcionais disponíveis no mercado, obtendo bezerros de alto potencial genético e não necessitando adquirir touros e com eles todas as desvantagens de sua utilização e, efetuando a fertilização mesmo após a morte do reprodutor, através do processo de congelamento de sêmen, funcionando como um seguro genético. A inseminação artificial aumenta o número de descendentes de um reprodutor, pois um touro cobre anualmente, a campo, aproximadamente 30/50 vacas, caso utilize monta controlada pode servir a um máximo de 100 fêmeas anualmente. Com o uso da inseminação artificial esse valor pode ser até 100 vezes maior.
A partir do uso da avaliação genética na propriedade é possível efetuar práticas de manejo diferenciadas de acordo com as características do rebanho, encurtando o período para a primeira monta, obtendo melhor distribuição das progênies ao longo da estação de monta e animas de maior qualidade.

