Identificando a mastite subclínica em vacas leiteiras
Mastite é o termo utilizado para definir a inflamação da glândula mamária. Por provocar impacto no órgão diretamente responsável pela produção de leite, a mastite altera de maneira significativa tanto a quantidade quanto a qualidade do leite produzido. É, portanto, uma doença responsável por grandes perdas econômicas tanto aos produtores quanto à indústria de laticínios.
A manifestação evidente da doença, como leite anormal, úbere inchado e outros sinais, é conhecida por mastite clínica. A mastite subclínica não pode ser detectada através de observações visuais do úbere ou do leite, pois ambos apresentam uma aparência normal. O aumento da contagem de células somáticas (CCS), ou seja, de defesa no leite é o principal parâmetro para se avaliar se há presença de mastite subclínica.
Identificando a mastite subclínica no rebanho
Para uma correta atuação na prevenção e controle da mastite dentro de um rebanho, a identificação da existência de problemas e a correta definição desses problemas são essenciais. Dois tipos gerais de medidas são utilizados para determinação da extensão da doença da glândula mamária de um rebanho. A prevalência é o primeiro e se refere à quantidade de mastite em um tempo específico. A incidência seria a medida da taxa de novas infecções em um determinado período de tempo. Vários métodos diagnósticos podem ser empregados com o intuito de acompanhar a prevalência e incidência da mastite no rebanho. California Mastitis Test (CMT) e a CCS eletrônica são métodos mais empregados para o diagnóstico da mastite subclínica.
– Contagem eletrônica de células somáticas:
A CCS pode variar durante a ordenha e em função do método de amostragem. A CCS é menor imediatamente antes do inicio e maior nas porções finais da ordenha. Por isso, é importante que a amostra coletada seja obtida da ordenha completa do animal e seja composta dos 4 quartos de cada vaca. Deve-se padronizar a coleta (sempre na ordenha da manhã ou sempre na da tarde) para diminuir os riscos de variação, pois amostras coletadas na ordenha da tarde podem ter CCS maior que na ordenha da manhã.
A coleta pode ser realizada com o auxílio do medidor, para ordenhas mecanizadas e com sistema de tubulação fechado. Para ordenhas manuais ou balde ao pé, pode-se coletar a amostra do balde. Nesse caso, deve-se agitar o leite de cada balde, usando um agitador manual (que neste caso pode ser o próprio coletador) por no mínimo dez segundos. Misturar o leite das camadas superiores com o das camadas inferiores, pelo menos dez vezes com movimentos suaves e contínuos. O movimento deve ser sempre na direção vertical (para cima e para baixo). Entre a coleta de uma vaca e outra, o coletador deve ser lavado para retirar o resíduo de leite e desinfetado com álcool 70°GL ou em solução de cloro.
Caso o conservante Bronopol® não esteja no frasco, adicioná-lo a amostra coletada para análise CCS e homogeneizar para que o conservante se distribua uniformemente.
– California Mastitis Test (CMT):
O principio deste teste baseia-se na estimativa da contagem de células somáticas no leite. Para isso, é utilizado um detergente aniônico neutro que atua rompendo a membrana das células presentes na amostra de leite e liberando o material nucléico, o qual possui alta viscosidade. Dessa forma, o resultado do teste é avaliado em função do grau de gelatinização ou viscosidade da mistura de partes iguais de leite e reagente (2 mL), sendo o teste realizado em bandeja apropriada.
Seqüência de procedimentos para realização do CMT:
1) Posicionar a bandeja de acordo com os tetos;
2) Ordenhar cerca de 2mL de leite de cada quarto;
3) Eliminar o excesso de leite utilizando a primeira marca da bandeja;
4) Adicionar cerca de 2 mL de reagente de CMT (até atingir a segunda marca da bandeja);
5) Misturar o leite e o reagente com movimentos circulares;
6) Visualizar o resultado pela viscosidade. Ler a reação em até 15 segundos após a mistura do reagente ao leite.
Frequentemente ao se fazer o CMT em uma fazenda, determina-se o escore 2 como animal suspeito e o 3 o animal com infecção. Entretanto, observando na tabela abaixo e tendo como infectado o animal que apresente CCS > 200.000cels./ml, o resultado traço já determina que o animal esteja infectado. Isto é, na avaliação do CMT o resultado a ser considerado tem que ser negativo ou positivo.
As principais situações em que o CMT é recomendado são:
1) Detecção de mastite subclínica em vacas recém-adquiridas;
2) Determinar qual quarto mamário é o que se encontra infectado, quando a vaca apresenta alta CCS na amostra composta de leite;
3) Detecção mensal da mastite subclínica do rebanho, quando não for possível a CCS eletrônica;
4) Avaliação da mastite subclínica após o parto (>5 dias) para identificar infecções relacionadas com o período seco e para avaliar o tratamento de vaca seca.
A correta coleta das amostras e a organização dos dados provenientes dessas análises são fundamentais para gerar informações úteis aos veterinários e proprietários do rebanho no intuito de inferir sobre a real situação da fazenda. Esses dados, por consequência, podem auxiliar na correta tomada de decisões e na resolução dos problemas eventualmente enfrentados pelo rebanho.
– Bibliografia:
FONSECA LFL. ; SANTOS MV. Qualidade do leite e controle de mastite. 01. ed. São Paulo: Editora Manole, 2007. 314 p.
BRITO, JFR et al. Procedimentos para coleta e envio de amostras de leite para determinação da composição e das contagens de células somáticas e de bactérias. Embrapa Gado de Leite, Circular Técnica,2007. Juiz de Fora, MG.
Fonte: Rehagro. Por: Patrícia Vieira Maia Médica Veterinária – Equipe Rehagro.

