Entomofagia em Desenvolvimento

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O que é Entomofagia?

Entomofagia é o consumo de insetos por seres humanos. A entomofagia é praticada em muitos países ao redor do mundo, predominantemente em partes da Ásia, África e América Latina. Insetos complementam o cardápio de aproximadamente dois bilhões de pessoas e tem sido parte da dieta humana desde tempos remotos. Contudo, apenas recentemente a entomofagia tem atraído a atenção da mídia, instituições de pesquisa, chefes de cozinha e outros membros da indústria de alimentos, além de legisladores e agências de regulamentação na área alimentícia.

Por que insetos?                                                                                                                                                                                  

O uso de insetos como alimento, tanto para humanos quanto na nutrição animal, conferem muitos benefícios ao meio ambiente, à saúde, à sociedade e como meios de subsistência. O aumento da população, urbanização e o crescimento da classe média têm elevado a demanda global por alimentos, especialmente as fontes proteicas animais. A produção tradicional de ingredientes e rações para nutrição animal como farinha de peixe, soja e outros grãos necessita ser repensada em termos de eficiência de recursos e ampliação do uso de fontes alternativas. Por volta de 2030, teremos que alimentar nove bilhões de habitantes, juntamente com outros bilhões de animais criados anualmente para fins alimentícios, recreativos ou como estimação. Além do mais, efeitos colaterais como poluição do solo e de recursos hídricos advindo da produção pecuária intensiva, o uso extensivo de pastagens, o qual provoca o desmatamento de áreas florestais se somam aos fenômenos de mudanças climáticas e a outros impactos ambientais destrutivos. Para tanto, faz-se necessário encontrar novas soluções e colocá-las em prática. Uma das maneiras existentes para se resolver o problema de segurança alimentar é a criação de insetos. Insetos estão em todos os lugares, se reproduzem rapidamente, possuem altas taxas de crescimento e de conversão alimentar, além do mínimo impacto ambiental causado em todo seu ciclo de vida. São nutritivos, com alto teor de proteina, ácidos graxos e minerais. Podem ser criados a partir de resíduos orgânicos, como rejeitos de alimentos. Além do que, insetos podem ser consumidos inteiros, moídos, processados em pó ou em pasta para serem incorporados a outros alimentos. O cultivo de insetos em larga escala para ser utilizado como ingrediente de ração animal é tecnicamente factível e já existem iniciativas empreendedoras consolidadas, em várias partes do mundo, na vanguarda destas ações. A utilização de insetos como alimento na produção animal, como na aquicultura e avicultura, será cada vez mais presente durante a próxima década.

Uma alternativa para a alimentação animal:

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De acordo com a Federação Internacional da Indústria de Ração Animal, a produção mundial de ração animal foi de 720 milhões de toneladas em 2010. Insetos podem suplementar as fontes tradicionais como soja, milho, grãos e farinha de peixe. Os insetos com os maiores potenciais para a produção em grande escala são as larvas de mosca soldado, de mosca doméstica e do besouro-dafarinha, porém, outras espécies de insetos são também estudadas para esse propósito. Produtores na China, África do Sul, Espanha e Estados Unidos já estão criando grandes quantidades de larvas de moscas para uso como alimento na aquicultura e avicultura por bioconversão de resíduos orgânicos.

O Desenvolvimento Entomofagico :

Apesar da base das atividades empresarias e formais nas atividades de criação de insetos sejam ainda pequenas, estão surgindo iniciativas para alavancar o potencial dos insetos como fonte de alimentação animal e humana. Hoje em dia, as criações de insetos são tocadas em pequena escala, em negócios familiares e direcionadas a mercados muito específicos. Insetos são criados há muito tempo para atender a demanda de alimento para animais de estimação, bem como a indústria de iscas para pesca. Embora a criação de insetos seja tecnicamente viável, um dos grandes gargalos é que sua produção pode sair mais caro que a produção de alimentos a partir de fontes tradicionais. Não obstante, atualmente, pesquisas sugerem que os insetos podem oferecer uma alternativa sustentável e de baixo custo quando levado em conta os custos de coleta, produção e transporte, além de gastos e uso de água potável, emissão de gases de efeito estufa e consumo de combustíveis fósseis se comparados aos custos da produção convencional de alimentos. No presente momento, a escala de fabricação não pode competir com as fontes convencionais de produção de alimento. Uma futura automação é, portanto, uma questão chave para o crescimento dessa indústria. Adicionado a isso, marcos regulatórios apropriados regendo a produção e o comercio de insetos como alimentação humana e animal precisam ser desenvolvidos.

Qual o próximo passo?

“É necessário mais pesquisas para desenvolver e automatizar tecnologias de processamento para cria, colheita e pós-colheita de insetos, as quais sejam rentáveis, eficientes do ponto de vista energético e de segurança microbiologica, assim como procedimentos sanitários para garantir a qualidade de alimentos e rações, elaborando produtos que sejam seguros e possam ser adquiridos a um preço razoável em escala industrial, especialmente quando comparados aos produtos derivados de carne” (Rumpold e Schlüter, 2013)

Fonte: http://www.fao.org/3/d-i3264o.pdf


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