A cultura da soja está sujeita ao ataque de diferentes espécies de insetos-pragas no decorrer de todo seu ciclo. A ação de pragas de solo pode causar falhas na lavoura, pois estas se alimentam das sementes após a semeadura, raízes após a germinação e parte aérea das plântulas após a emergência.
A fim de evitar possíveis perdas na lavoura de soja devido ao ataque de pragas do solo e da parte aérea, tem-se como alternativa o uso preventivo de inseticidas no tratamento de sementes, evitando assim possíveis danos nas sementes e plântulas. Esta prática de manejo proporciona à planta condições de defesa, permitindo maior potencial para o desenvolvimento inicial da cultura e obtenção de um estande de plantas adequado (BAUDET & PESKE, 2007).
O hábito de tratar as sementes para o plantio é uma prática muito antiga e que apresenta grande eficácia no controle de pragas do solo. Além disso, este método auxilia na redução do número de pulverizações foliares, contribuindo assim com a preservação de insetos benéficos e do meio ambiente como um todo.
Figura 1. Tratamento se sementes em soja.
O tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus), o piolho-de-cobra (Plusioporus setifer e Julus sp.) e o coró da soja (Phyllophaga cuyabana) são exemplos de pragas iniciais da soja. Estes insetos atacam as lavouras em seu estágio inicial, logo após a emergência das plântulas, e podem comprometer o estabelecimento da cultura, consequentemente reduzindo o rendimento de grãos da lavoura.
Os danos causados pelos corós à soja são indiretos. Ao consumirem as raízes, prejudicam a capacidade das plantas de absorverem água e nutrientes, o que afeta, consequentemente, o seu potencial produtivo. Os sintomas visuais do ataque de corós na soja vão desde o amarelecimento das folhas até a morte das plantas, especialmente quando a presença de larvas mais desenvolvidas coincide com a fase inicial de desenvolvimento da cultura (ÁVILA & GOMEZ, 2003).
Segundo Ávila e Gomez (2003), a aplicação preventiva de inseticidas nas sementes e no sulco de semeadura da soja é uma alternativa eficiente para o manejo de corós, especialmente em sistemas de plantio direto.
Figura 2. Coró da soja, Phyllophaga cuyabana.
Logo após a germinação da soja é comum também ocorrer ataques da lagarta elasmo, Elasmopalpus lignosellus, a qual perfura a região do colo da planta e faz galerias no interior do caule, causando assim o tombamento ou morte da planta.
Figura 3. Lagarta em fase inicial da soja.
Ademais, ao longo do desenvolvimento das plantas de soja, as lagartas desfolhadoras também vão se estabelecendo na cultura. Por exemplo, a lagarta-da-soja, Anticarsia gemmatalis, é uma praga altamente polífaga, e pode causar até 100% de desfolha nas plantas. Outra espécie comum nos cultivos de soja é a lagarta falsa-medideira, Chrysodeixis includens, considerada como praga de interesse devido ao seu potencial de dano.
O tratamento de sementes com inseticidas é um método eficaz de proteção de sementes e plântulas contra pragas iniciais. Destacam-se para o uso em tratamento de sementes, visando o controle de lepidópteros (ou seja, lagartas), inseticidas como clorantraniliprole e ciantraniliprole, do grupo das diamidas. Já o inseticida fipronil, com efeito de contato e ingestão, faz parte do grupo dos pirazóis, e é amplamente utilizado no tratamento de sementes de soja e no controle de grande número de pragas (VIEIRA et al., 2017).
Segundo Vieira et al. (2017), estudos mostram que tratamentos químicos aplicados nas sementes da soja reduzem o número de plantas atacadas por lagarta elasmo, e podem reduzir o consumo foliar de lagartas falsa-medideira e da lagarta-da-soja. Portanto, o tratamento de sementes é uma estratégia eficiente e recomendável de manejo na cultura da soja, conferindo proteção às plantas contra o ataque de pragas durante seu estágio inicial de desenvolvimento e minimizando os danos e perdas de produção.
Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM
REFERÊNCIAS:
ÁVILA, Crébio José; GOMEZ, Sérgio Arce. Efeito de inseticidas aplicados nas sementes e no sulco de semeadura, na presença do coró-da-soja, Phyllophaga cuyabana. Embrapa Agropecuária Oeste-Documentos (INFOTECA-E), 2003.
BAUDET, L.; PESKE, F. Aumentando o desempenho das sementes. Seed News, v.9, n.5, p.22-24, 2007.
DAN, Lilian Gomes de Moraes et al. Qualidade fisiológica de sementes de soja tratadas com inseticidas sob efeito do armazenamento. Revista Brasileira de Sementes, v. 32, n. 2, p. 131-139, 2010.
HENNING, Ademir Assis. Patologia e tratamento de sementes: noções gerais. Embrapa Soja-Documentos (INFOTECA-E), 2005.
HOFFMANN-CAMPO, Clara Beatriz et al. Pragas da soja no Brasil e seu manejo integrado. Londrina: Embrapa soja, 2000.
HOFFMANN-CAMPO, Clara Beatriz. Pragas iniciais da soja:” tamanduá-da-soja”,” piolho-de-cobra” e” torrãozinho”. In: Embrapa Soja-Artigo em anais de congresso (ALICE). In: SEMINÁRIO DE MANEJO DE PRAGAS E DOENÇAS INICIAIS DAS CULTURAS DE SOJA E
MILHO EM MATO GROSSO DO SUL, 1., 2002, Dourados. Anais… Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste, 2002., 2002.
OLIVEIRA, Segundo et al. PRINCIPAIS PRAGAS INICIAIS PARA AS CULTURAS DE SOJA E MILHO. 2014.
VIEIRA, Elizete Cavalcante de Souza et al. Efeito de inseticidas aplicados nas sementes de soja sobre o controle da lagarta-elasmo e na mortalidade e consumo foliar de lagartas desfolhadoras da cultura. 2017.
Por: Equipe Mais Soja.
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